Diretora Ciêntífica do CNPq fala sobre Integridade científica e uso da IA em sessão conjunta

A relação entre integridade científica, ética e inteligência artificial esteve no centro da Sessão Científica Conjunta promovida pela Academia de Ciências da Bahia (ACB) e pela Fiocruz Bahia nesta sexta-feira (12). A palestra foi ministrada por Monica Felts, diretora científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que discutiu os desafios impostos pelas novas tecnologias e pelas mudanças nos modelos de produção científica e os impactos desses dispositivos para a qualidade da ciência.
Durante a apresentação, Felts destacou que a integridade científica envolve todas as etapas da pesquisa e não se limita à prevenção de fraudes ou plágio. “Integridade científica não é apenas evitar más condutas. Ela está presente em todo o processo de produção do conhecimento e exige responsabilidade e transparência”, afirmou. A palestrante também abordou o crescimento do uso da inteligência artificial na atividade científica. Segundo ela, ferramentas de IA podem auxiliar em tarefas como organização de informações e elaboração de textos, mas a responsabilidade pelo conteúdo e pelas decisões continua sendo do pesquisador.
“A inteligência artificial pode apoiar o trabalho científico, mas não pode assumir autoria ou responsabilidade sobre a pesquisa.” Outro tema discutido foi a pressão por produtividade no meio acadêmico. Monica chamou atenção para práticas como o salami science, em que um mesmo conjunto de dados é dividido em diversos artigos para ampliar o número de publicações, e defendeu que os sistemas de avaliação passem a considerar mais a qualidade e o impacto das pesquisas do que sua quantidade.
A formação ética dos pesquisadores também foi apontada como um dos pilares para fortalecer a integridade científica. Para a representante do CNPq, esse processo deve começar ainda na iniciação científica, estimulando o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes. Ao tratar do sistema de revisão por pares, Monica destacou que a ciência depende de relações de confiança entre pesquisadores e instituições. O avanço da inteligência artificial e o aumento do volume de publicações, segundo ela, tornam ainda mais importante o desenvolvimento de políticas que garantam transparência, responsabilidade e critérios claros para avaliação da produção científica.
A sessão reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em discutir como as transformações tecnológicas vêm impactando a pesquisa e quais caminhos podem contribuir para fortalecer a credibilidade da ciência brasileira.