Saiba como foi a segunda edição do Seminário de Pesquisadores Emergentes da ACB

A Academia de Ciências da Bahia (ACB) realizou, no dia 16 de setembro, no auditório Sônia Andrade, da Fiocruz Bahai, a segunda edição do Seminário de Pesquisadores Emergentes, reafirmando seu papel como espaço de valorização de cientistas em fase de afirmação acadêmica. O encontro destacou como a ciência baiana se projeta em múltiplas direções — da saúde às artes, da educação ao cosmos — sempre em diálogo com os grandes desafios contemporâneos.
Na abertura, o presidente da ACB, Manoel Barral, lembrou que o termo “emergente” não se refere à juventude, mas à trajetória: “Queremos dar visibilidade a talentos que ainda não estão plenamente consolidados, mas que já se destacam pela originalidade e impacto de suas pesquisas.”
A abertura do evento foi feita pelo filósofo e ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, que traçou um panorama sobre o papel da ciência diante dos desafios contemporâneos. “Estamos em um período de muito néstio, da ignorância que se orgulha de si mesma. O negacionismo encara a ciência como inimiga”, afirmou Janine, lembrando os ataques recentes à produção científica e às vacinas contra a Covid-19.
O conferencista destacou ainda a importância do desenvolvimento científico para o avanço das sociedades, usando o exemplo da China. “Há poucos anos, seus produtos eram vistos como de baixa qualidade. Hoje, lideram setores de ponta, como os carros elétricos. Esse salto se deve, em grande parte, à ciência e à inovação.” Ao citar a pandemia, ressaltou a rapidez inédita na criação de vacinas. “Foi a primeira vez na história que conseguimos uma vacina em menos de um ano. Isso é fruto de uma ciência consolidada e representa esperança para futuras pandemias”, pontuou.
Janine também fez críticas duras ao negacionismo político, que, segundo ele, custou vidas no Brasil. “Perdemos mais de meio milhão de pessoas por sabotagem às medidas de isolamento e à vacinação. Foi uma tragédia que poderia ter sido evitada”, disse.
Pesquisadores em destaque
Da área da Ciências da Saúde, a pesquisadora Mariana Pereira foi chamada pelo seu orientador e Acadêmico Bruno Andrade, ambos vinculados à Fiocruz Bahia, apresentou seus estudos em transcriptoma aplicado a casos de tuberculose e HIV, além de iniciativas em divulgação científica. Mariana também compartilhou a experiência do Maria Ciências, um chatbot que busca aproximar a ciência da sociedade por meio da linguagem digital.
Em seguida, dessa vez apresentada pela acadêmica Viviane Boaventura, foi chamada a oncologista Carolina Alves Silva, que abordou como a microbiota intestinal pode interferir no desfecho de pacientes com câncer. Sua fala trouxe ao público a importância da integração entre imunoterapia, descobertas laboratoriais e práticas clínicas, apontando para terapias mais eficazes e personalizadas.
Indo para as Ciências Humanas, com a apresentação do acadêmico Robert Verhine, foi a vez da pesquisadora Rejane Alves é professora adjunta da Faculdade de Educação da UFBA (FACED/UFBA), doutora em Educação pela UnB, com trajetória em coordenação acadêmica e de grupos de pesquisa. Atua no Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação para Aprendizagem e no Grupo de Estudos Paulo Freire, além de ter organizado as três primeiras edições do Congresso Nacional de Avaliação para Aprendizagem. Suas pesquisas concentram-se em avaliação da/para aprendizagem e em políticas de avaliação educacional.
No campo das artes, a artista Onisajé, apresentada pelo também artista e Acadêmico Luiz Marfuz trouxe a força do Teatro preto de Candomblé, mostrando como as matrizes e epistemologias do Candomblé podem ser incorporadas à criação cênica. Sua abordagem evidencia a arte como espaço de preservação e reinvenção do conhecimento ancestral, articulando espiritualidade, estética e política.
Para encerrar, a Acadêmica Suani Pinho, trouxe de sua área o físico Rodrigo von Martten. Martten conduziu a plateia ao universo da cosmologia, discutindo a expansão do universo e a radiação cósmica de fundo. Além dos aspectos técnicos, destacou a inserção do Brasil em redes internacionais de observação astronômica e a dimensão filosófica de “olhar para o cosmos como forma de refletir sobre nossa condição humana”.