{"id":4696,"date":"2023-06-05T19:49:28","date_gmt":"2023-06-05T22:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=4696"},"modified":"2023-06-07T13:43:45","modified_gmt":"2023-06-07T16:43:45","slug":"falta-biodiversidade-na-dieta-de-99-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2023\/06\/05\/falta-biodiversidade-na-dieta-de-99-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Falta biodiversidade na dieta de 99% dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4697\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FaltaBiodiversidade-J-USP-300x158.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FaltaBiodiversidade-J-USP-300x158.webp 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FaltaBiodiversidade-J-USP-1024x538.webp 1024w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FaltaBiodiversidade-J-USP-768x403.webp 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/FaltaBiodiversidade-J-USP.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisa mostra que somente 1 em cada 100 brasileiros consome os chamados alimentos biodiversos, que incluem vegetais regionais, carnes de ca\u00e7a e cogumelos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil possui uma das mais not\u00e1veis biodiversidades do planeta, que se estende para a oferta de alimentos. S\u00e3o milhares de esp\u00e9cies nativas que garantem \u00e0 culin\u00e1ria brasileira diversidade com sabores \u00fanicos do Pa\u00eds. Do tucum\u00e3, fruta t\u00edpica da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, ao pequi, t\u00edpico do Cerrado, os chamados alimentos biodiversos incluem plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais (Panc), carnes de ca\u00e7a e cogumelos comest\u00edveis. Costumeiramente regionais e representativos da biodiversidade brasileira, alguns deles t\u00eam potencial para contribuir com a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o e para uma dieta mais saud\u00e1vel. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, em parceria com as universidades federais do Par\u00e1 (UFPA), do Rio Grande do Norte (UFRN), de Campina Grande (UFCG), da Para\u00edba (UFPB) e de Pernambuco (UFPE), investigou o consumo desses alimentos pelos brasileiros e constatou que apenas 1,3% da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a uma dieta biodiversa. Os resultados do estudo foram publicados no artigo <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-023-34543-8\"><span style=\"font-weight: 400;\">Biodiversity is overlooked in the diets of different social groups in Brazil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, dispon\u00edvel na revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/srep\"><span style=\"font-weight: 400;\">Scientific Reports<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foram utilizados dados da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares, realizada pelo IBGE, acerca do recordat\u00f3rio alimentar das \u00faltimas 24 horas de mais de 46 mil pessoas, de todos os Estados. \u201cN\u00f3s utilizamos modelos matem\u00e1ticos para identificar as quantidades e as frequ\u00eancias de alimentos consumidos, al\u00e9m de encontrar quais eram as vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas associadas a esse consumo\u201d, explica Aline de Carvalho, professora da FSP, ao Jornal da USP. Para uma melhor compreens\u00e3o de tais informa\u00e7\u00f5es, os diferentes nomes regionais para o mesmo alimento foram considerados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com isso, os pesquisadores elaboraram uma lista de alimentos biodiversos separada entre as Panc, carnes e cogumelos, unificando dados como estados de apari\u00e7\u00e3o, vezes em que foram mencionados e nome cient\u00edfico. O alimento que mais apareceu foi o pequi, fruto popular da culin\u00e1ria do Cerrado, que foi citado 135 vezes, principalmente por goianos. Algumas frutas como o jenipapo, o baba\u00e7u e o buti\u00e1 foram reportadas apenas uma vez, por moradores da Bahia, Maranh\u00e3o e Paran\u00e1, respectivamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, foram analisados os perfis socioecon\u00f4micos dos consumidores de cada subdivis\u00e3o. \u201cFoi poss\u00edvel observar que as plantas s\u00e3o mais consumidas por mulheres, principalmente n\u00e3o brancas, das regi\u00f5es Norte e Nordeste do Pa\u00eds, e com uma menor renda per capita\u201d, diz Aline Carvalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os cogumelos, por sua vez, foram mais encontrados na mesa de mulheres brancas, das regi\u00f5es Sul e Sudeste, com uma maior renda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s carnes de ca\u00e7a, como paca, jacar\u00e9 e cotia, homens negros e ind\u00edgenas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, que tamb\u00e9m residem na zona rural no Norte e no Nordeste, s\u00e3o os maiores consumidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vale ressaltar que, mesmo que ocorra na pr\u00e1tica, no Brasil a ca\u00e7a de animais silvestres \u00e9 proibida, com exce\u00e7\u00e3o para a ca\u00e7a de subsist\u00eancia (necessidade de alimentar a si mesmo ou \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia) e para alguns casos autorizados pelos \u00f3rg\u00e3os competentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ALIMENTA\u00c7\u00c3O SAUD\u00c1VEL E DIVERSA<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisadora destaca a aus\u00eancia de estudos sobre alimenta\u00e7\u00e3o biodiversa, e coloca esses alimentos como negligenciados pela maioria da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEles s\u00e3o muito pouco consumidos, o que pode ter v\u00e1rios motivos: ou aquele alimento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais considerado cultural naquele local, ou porque ele nem mesmo est\u00e1 presente no supermercado\u201d, explica Aline de Carvalho. O enfraquecimento da rela\u00e7\u00e3o humano-natureza e o afastamento dos centros urbanos com a diversidade natural podem ser citados como fatores que contribuem para a falta desses alimentos na nossa mesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A not\u00e1vel falta de biodiversidade na dieta brasileira \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, que cada vez mais consome alimentos ultraprocessados. \u201c\u00c9 preciso promover a seguran\u00e7a alimentar, uma alimenta\u00e7\u00e3o que seja de qualidade e em quantidade suficiente para toda a popula\u00e7\u00e3o. Esse trabalho vai desde n\u00f3s mostrarmos de que maneira esses alimentos [biodiversos] poderiam ser consumidos, mas complementar com diversos outros projetos que fomentem uma alimenta\u00e7\u00e3o natural.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span><a href=\"https:\/\/www.fsp.usp.br\/sustentarea\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">projeto Sustentarea<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, um N\u00facleo de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria da USP coordenado pela pesquisadora, busca popularizar esses alimentos por meio de <\/span><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/hortas-comunitarias-resistem-a-urbanizacao-na-maior-metropole-do-brasil\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">hortas urbanas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> e livros culin\u00e1rios \u2013 medidas que procuram incentivar a busca e a implementa\u00e7\u00e3o desses elementos na dieta da popula\u00e7\u00e3o. Oficinas s\u00e3o promovidas todos os meses no Centro de Pr\u00e1ticas Esportivas da USP (Cepeusp). Elas contam com demonstra\u00e7\u00e3o de receitas, roda de debates e introdu\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas sobre diferentes temas, de maneira din\u00e2mica e pr\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Iniciativas como as realizadas pelo Sustentarea s\u00e3o pe\u00e7as fundamentais n\u00e3o s\u00f3 na populariza\u00e7\u00e3o desses frutos, vegetais e plantas, mas tamb\u00e9m para a conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de uma alimenta\u00e7\u00e3o diversificada e in natura \u2013 livre de agrot\u00f3xicos e conservantes. \u201cN\u00f3s estamos perdendo nossa rela\u00e7\u00e3o com a comida ao longo do tempo. \u00c9 muito importante nos reconectarmos para assim termos uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel, com menos impactos ao meio ambiente\u201d, afirma a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, o objetivo \u00e9 compreender a qualidade nutricional desses alimentos e suas implica\u00e7\u00f5es no campo econ\u00f4mico e social. A pesquisadora espera que o mapeamento realizado pelo estudos sirva como incentivo para novas investiga\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o biodiversa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os resultados do estudo foram publicados no artigo <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-023-34543-8\"><span style=\"font-weight: 400;\">Biodiversity is overlooked in the diets of different social groups in Brazil<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, dispon\u00edvel na revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/srep\"><span style=\"font-weight: 400;\">Scientific Reports<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail alinenutri@usp.br, com Aline Martins de Carvalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Jornal da USP &#8211; Texto: Camilla Almeida<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fotomontagem: Jornal da USP \u2013 Fotos: Freepik e Wikimedia Commons<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa mostra que somente 1 em cada 100 brasileiros consome os chamados alimentos biodiversos, que incluem vegetais regionais, carnes de ca\u00e7a e cogumelos. 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