{"id":4608,"date":"2023-05-26T01:46:39","date_gmt":"2023-05-26T04:46:39","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=4608"},"modified":"2023-05-30T15:23:28","modified_gmt":"2023-05-30T18:23:28","slug":"pesquisa-mostra-valor-do-leite-de-jumenta-e-pode-ajudar-a-frear-extincao-da-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2023\/05\/26\/pesquisa-mostra-valor-do-leite-de-jumenta-e-pode-ajudar-a-frear-extincao-da-especie\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra valor do leite de jumenta e pode ajudar a frear extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4609\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UFBA-Jumenta-300x257.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UFBA-Jumenta-300x257.jpeg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UFBA-Jumenta-768x659.jpeg 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/UFBA-Jumenta.jpeg 839w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma pesquisa realizada em parceria pela USP e pela UFBA indica que a utiliza\u00e7\u00e3o do leite de jumenta na suplementa\u00e7\u00e3o de su\u00ednos neonatos pode ser uma estrat\u00e9gia para reduzir danos associados a condi\u00e7\u00f5es precoces de estresse desses animais. Intitulado \u201cO leite asinino atenua as respostas imunes mediadas por estresse, cortisol, e comportamentais de leit\u00f5es ao desmame: um estudo para promover futuras interven\u00e7\u00f5es em humanos\u201d, o estudo foi recentemente publicado pela prestigiada revista cient\u00edfica \u201cFrontiers\u201d, no volume de Imunologia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo faz parte dos resultados da tese de doutorado de Sharacely de Souza Farias, na Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), orientada pelo professor Adroaldo Zanella da USP e co-orientada pela professora Chiara Albano de Araujo Oliveira, da Escola de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (EMVZ\/ UFBA). O pesquisador Claudio Vaz Di Mambro Ribeiro, da UFBA, auxiliou na an\u00e1lise estat\u00edstica do experimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O grupo de pesquisa do professor Zanella faz parte da For\u00e7a Tarefa Nacional Pelos Jumentos, que desde 2015 trabalha para melhorar o bem-estar e ressignificar o papel desses animais na economia e cultura nordestina e brasileira. A professora Chiara Albano, da UFBA, foi convidada a integrar as atividades em 2017. O grupo da UFBA desenvolve desde 2016 estudos com a produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o do leite asinino.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Chiara Albano, a proposta dos trabalhos de pesquisa e extens\u00e3o dos grupos, tanto da USP como da UFBA, \u00e9 que a utiliza\u00e7\u00e3o do leite de jumenta possa valorizar a esp\u00e9cie, que perdeu valor de mercado no pa\u00eds, e introduzir novos produtos l\u00e1cteos no mercado nacional que possam proporcionar renda e o fortalecimento da agricultura familiar de forma sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">EMPREGO EM HUMANOS<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo os autores do trabalho, o leite asinino pode atuar reduzindo a libera\u00e7\u00e3o do cortisol, \u201chorm\u00f4nio do estresse\u201d, tamb\u00e9m atuando no desencadeamento de respostas inflamat\u00f3rias. \u201cRespostas inflamat\u00f3rias exageradas podem comprometer v\u00e1rios sistemas adaptativos, com consequ\u00eancias para o desenvolvimento dos animais\u201d, ressaltam. \u201cCom isso, pudemos verificar que o leite de asinino mitigou a resposta inflamat\u00f3ria que o estresse do desmame e mudan\u00e7a de dieta causou nos leit\u00f5es, quando comparados com o tratamento com leite bovino desnatado e o grupo que n\u00e3o recebeu suplementa\u00e7\u00e3o\u201d, complementa Sharacely Farias no seu estudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Chiara Albano \u201cos leit\u00f5es s\u00e3o animais modelos de excel\u00eancia adotados em estudos comparativos com seres humanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anatomia, fisiologia, processos de neurodesenvolvimento e resposta imune. Um per\u00edodo cr\u00edtico de maior sensibilidade a agentes estressores e exposi\u00e7\u00e3o a pat\u00f3genos \u00e9 o desmame, que representa separa\u00e7\u00e3o materna e mudan\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como os su\u00ednos s\u00e3o utilizados como modelos biol\u00f3gicos nos estudos para humanos, a suplementa\u00e7\u00e3o com leite asinino poderia tamb\u00e9m atender beb\u00eas humanos na redu\u00e7\u00e3o de respostas a eventos estressores e respostas inflamat\u00f3rias, al\u00e9m do emprego como complemento alimentar para crian\u00e7as e idosos. Contudo, mais estudos devem ser realizados, apontam os pesquisadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">INVESTIMENTO L\u00c1 FORA, ABATE AQUI DENTRO<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos \u00faltimos 30 anos pa\u00edses europeus como a It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, Cro\u00e1cia, Turquia, Espanha e Portugal, investiram em fazendas de produ\u00e7\u00e3o leite de jumenta principalmente para conservar a esp\u00e9cie e as ra\u00e7as nativas. O interesse em pesquisas e investimentos nas cria\u00e7\u00f5es foi incentivado pelas caracter\u00edsticas nutricionais e terap\u00eauticas do leite asinino. Na Am\u00e9rica do Sul, a empresa chilena Equus Milk est\u00e1 produzindo e comercializando o produto congelado e em p\u00f3. No Brasil n\u00e3o h\u00e1 cadeia produtiva de leite asinino organizada, nem legisla\u00e7\u00e3o para o controle sanit\u00e1rio e de qualidade do leite da esp\u00e9cie, mas o leite \u00e9 encontrado a venda em algumas regi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, o Brasil abate aproximadamente 70.000 jumentos por ano para a exporta\u00e7\u00e3o da pele para a China de onde \u00e9 extra\u00eddo o col\u00e1geno, ou ejiao, usado na medicina tradicional chinesa, embora suas propriedades terap\u00eauticas n\u00e3o sejam comprovadas cientificamente. O abate indiscriminado e extrativista coloca os asininos na classifica\u00e7\u00e3o de risco de extin\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, com mecaniza\u00e7\u00e3o e troca do transporte de animais pelo uso de motocicletas, e o ass\u00e9dio \u00e0 carne e \u00e0 pele desses animais geraram consequ\u00eancias desastrosas aos jumentos, como abandono, condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de vida e abate desenfreado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A comercializa\u00e7\u00e3o legal e ilegal da pele de jumentos no mercado externo \u00e9 a principal amea\u00e7a aos animais. Os animais s\u00e3o comprados por baixos valores, entre 20 e 80 reais, ou coletados pelas estradas em situa\u00e7\u00e3o de abandono. A pele de jumento chega at\u00e9 U$ 3.000,00. Existem tr\u00eas abatedouros na Bahia. A professora Chiara, que tamb\u00e9m \u00e9 membro da Comiss\u00e3o de Bem-Estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterin\u00e1ria do Estado da Bahia (CRMV-BA), afirma que o risco de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 real.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Colaboradores<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Colaboraram com o estudo de Sharacely de Souza o professor Guilherme Pugliesi (USP) e Priscilla Assis, do Departamento de Reprodu\u00e7\u00e3o Animal da USP, nos trabalhos de express\u00e3o g\u00eanica nas c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico, Ana Carolina Dierings (USP), Vinicius Cardoso Mufalo (USP), Leandro Sabei (USP), Arthur Nery da Silva (USP) e Marisol Parada Sarmiento, do Centro de Estudos Comparativos em Sa\u00fade Sustentabilidade e Bem-Estar (CeCsbe) da FMVZ. O Criat\u00f3rio Ximb\u00f3, de Laranjal Paulista (interior de S\u00e3o Paulo), apoiou a execu\u00e7\u00e3o do projeto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Veja a reportagem do jornal da USP sobre a pesquisa:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/leite-de-jumenta-reduz-hormonio-do-estresse-e-resposta-inflamatoria-no-desmame-de-leitoes\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Leite de jumenta reduz horm\u00f4nio do estresse e resposta inflamat\u00f3ria no desmame de leit\u00f5es<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: UFBA \/ Edgardigital<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: UFBA &#8211; Foto arquivo professora Chiara Albano.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa realizada em parceria pela USP e pela UFBA indica que a utiliza\u00e7\u00e3o do leite de jumenta na suplementa\u00e7\u00e3o de su\u00ednos neonatos pode ser uma estrat\u00e9gia para reduzir danos associados a condi\u00e7\u00f5es precoces de estresse desses animais. 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