{"id":4384,"date":"2023-05-02T18:48:43","date_gmt":"2023-05-02T21:48:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=4384"},"modified":"2023-05-04T15:06:55","modified_gmt":"2023-05-04T18:06:55","slug":"comissao-dos-yanomami-debate-impactos-do-garimpo-ilegal-na-reserva-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2023\/05\/02\/comissao-dos-yanomami-debate-impactos-do-garimpo-ilegal-na-reserva-indigena\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o dos Yanomami debate impactos do garimpo ilegal na reserva ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-4385\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Jailson-AudienciaPublica-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Jailson-AudienciaPublica-300x225.jpeg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Jailson-AudienciaPublica.jpeg 762w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O vice-presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), Jailson Bittencourt de Andrade, participou no \u00faltimo dia 26 de abril, por videoconfer\u00eancia, da reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Tempor\u00e1ria Externa criada no Senado Federal com a finalidade de acompanhar in loco a situa\u00e7\u00e3o dos yanomami e a sa\u00edda dos garimpeiros das terras ind\u00edgenas. O cientista baiano, membro da Academia de Ci\u00eancias da Bahia, alertou para a gravidade do merc\u00fario usado na minera\u00e7\u00e3o que contamina a terra Yanomami, que \u00e9 \u201cexportado\u201d para todo o Brasil e at\u00e9 para o exterior pelo ar, onde a velocidade de transporte \u00e9 muito r\u00e1pida. \u201cOs ventos nascem na linha do Equador e v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o aos polos. Os que v\u00e3o para o Norte contornam a Cordilheira dos Andes e descem para todo o pa\u00eds\u201d, explicou Andrade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Audi\u00eancia P\u00fablica, conduzida pelo ex-ministro de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, senador astronauta Marcos Pontes, contou tamb\u00e9m com apresenta\u00e7\u00f5es de outros especialistas, numa sess\u00e3o multidisciplinar. O diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Mamirau\u00e1, Jo\u00e3o Valsecchi do Amaral, fez um apanhado geral dos impactos do garimpo ilegal e destacou que qualquer solu\u00e7\u00e3o, especialmente se abordar a urgente crise sanit\u00e1ria, deve ser elaborada junto com as popula\u00e7\u00f5es locais envolvidas. J\u00e1 o consultor legislativo do Senado Israel Lacerda de Ara\u00fajo, ressaltou que a situa\u00e7\u00e3o dos Yanomami chegou ao ponto que chegou pela aus\u00eancia do Estado na regi\u00e3o e pela ina\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 quest\u00e3o, que derivou no crescimento e fortalecimento do garimpo ilegal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Acad\u00eamico <\/span><a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/link\/antonio-jose-roque-da-silva\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Antonio Jos\u00e9 Roque da Silva<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), tamb\u00e9m participou por videoconfer\u00eancia. Falando sobre a rastreabilidade do ouro, ele abordou especificamente a prova de origem anal\u00edtica, isto \u00e9, a an\u00e1lise cient\u00edfica de uma pe\u00e7a de um material que pode levar \u00e0 sua origem. \u201cAs pe\u00e7as [sobre as quais se quer informa\u00e7\u00e3o] s\u00e3o comparadas com amostras obtidas em cada local registrado de extra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, inclu\u00eddas num banco de dados que, no caso do ouro, se chama ouroteca. Roque explicou que no CNPEM \u00e9 aplicada radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica sobre os materiais, e ent\u00e3o \u00e9 observado e analisado como eles se comportam. \u201cNo espectro eletromagn\u00e9tico as regi\u00f5es dos raios ultravioleta e raios x s\u00e3o importantes porque mostram quais s\u00e3o e onde est\u00e3o os \u00e1tomos daquele material. Essa informa\u00e7\u00e3o pode contribuir muito para a rastreabilidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O perito criminal federal Fabio Augusto da Silva Salvador, ge\u00f3logo, chamou aten\u00e7\u00e3o para o fato de que quando se instaura uma crise a ci\u00eancia \u00e9 chamada \u2013 porque \u00e9 o m\u00e9todo cient\u00edfico que leva a solu\u00e7\u00f5es para os problemas de diversas ordens num pa\u00eds. \u201cQuando \u00e9 feita uma apreens\u00e3o de material irregular nos perguntam o que \u00e9 exatamente aquele produto, quanto vale e agora, conforme explicado pelos outros apresentadores, de onde vem aquele produto \u2013 no caso, o ouro. Dependendo da origem, sabemos se veio de \u00e1rea regularizada ou irregular. Mas n\u00e3o basta saber: temos que apresentar as provas t\u00e9cnico-cient\u00edficas para contribuir efetivamente no gerenciamento do problema\u201d, esclareceu.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outros aspectos relativos \u00e0 rastreabilidade do ouro, que deve ser feita desde o garimpo at\u00e9 a Bolsa de Valores, foram levantados pelo superintendente comercial da Casa da Moeda do Brasil Leonardo Abdias, que aprofundou a quest\u00e3o dos selos fiscais, que s\u00e3o fornecidos pela institui\u00e7\u00e3o. \u201cO selo fiscal federal est\u00e1 sendo sempre desafiado pelo mercado il\u00edcito, que busca continuamente burlar as regras colocadas. A Casa da Moeda, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, tem que evoluir constantemente suas tecnologias, que agora \u00e9 digital e rastre\u00e1vel. E no selo para o ouro agora \u00e9 inclu\u00edda agora a sua assinatura qu\u00edmica\u201d, relatou Abdias.<\/span><\/p>\n<p><b>A contribui\u00e7\u00e3o da ABC<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O vice-presidente da ABC, <\/span><a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/link\/jailson-bittencourt-de-andrade\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jailson Bittencourt de Andrade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, \u00e9 qu\u00edmico, professor aposentado (ainda atuante) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor titular e pr\u00f3-reitor de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa do Centro Universit\u00e1rio Senai-Cimatec. Ele contou que nos anos 90 houve uma alerta sobre a descoberta de grandes concentra\u00e7\u00f5es de merc\u00fario no Paran\u00e1, longe de toda atividade garimpeira. Isso mostrou que o merc\u00fario que contamina a terra Yanomami \u00e9 \u201cexportado\u201d para todo o Brasil e at\u00e9 para o exterior pelo ar, onde a velocidade de transporte \u00e9 muito r\u00e1pida. \u201cOs ventos nascem na linha do Equador e v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o aos polos. Os que v\u00e3o para o Norte contornam a Cordilheira dos Andes e descem para todo o pa\u00eds\u201d, explicou Andrade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O problema \u00e9 relevante e preocupante porque, de acordo com o cientista, nos seres vivos o merc\u00fario s\u00f3 tem mecanismo de entrada, n\u00e3o tem mecanismo de sa\u00edda. \u201cO merc\u00fario reage com a ciste\u00edna, que \u00e9 um amino\u00e1cido que faz parte de v\u00e1rias prote\u00ednas. E ao fazer isso ele se fixa, n\u00e3o sai. Os processos para for\u00e7ar a elimina\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais danosos do que a intoxica\u00e7\u00e3o em si. E n\u00e3o acontece s\u00f3 nos seres humanos, mas em v\u00e1rios seres vivos\u201d. Andrade relatou que alguns estudos que tem sido feitos observando o impacto do merc\u00fario fora da Amaz\u00f4nia, que utilizam a ba\u00eda de Todos os Santos e a ba\u00eda da Guanabara como modelo, mostram que existe merc\u00fario na atmosfera, na coluna d\u2019\u00e1gua, no sedimento e nos organismos que vivem no sedimento dessas ba\u00edas e nem t\u00eam contato com o ar atmosf\u00e9rico. Portanto, o impacto do merc\u00fario sobre a popula\u00e7\u00e3o Yanomami \u00e9 imediato, mas se d\u00e1 em todo o pa\u00eds, em longo prazo.<\/span><\/p>\n<p><b>Ci\u00eancia b\u00e1sica: gerar conhecimento para construir desenvolvimento<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/link\/jailson-bittencourt-de-andrade\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jailson de Andrade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> apontou para outro ponto fundamental: o Brasil n\u00e3o produz nem importa merc\u00fario. Todo o merc\u00fario usado \u2013 porque \u00e9 a forma mais pr\u00e1tica de minerar \u2013 \u00e9 contrabandeado \u2013 que \u00e9 a forma mais pr\u00e1tica de se obter o produto. Para o qu\u00edmico, a quest\u00e3o das fronteiras precisa ser muito bem cuidada. \u201cPorque se o merc\u00fario parar de entrar no pa\u00eds, j\u00e1 teremos uma boa parte do controle do processo\u201d. E ele n\u00e3o ignora a import\u00e2ncia de avan\u00e7ar nas tecnologias para extra\u00e7\u00e3o de ouro. \u201cEm nossos estudos, feitos no centro de pesquisa Senai-Cimatec, onde atuo, estamos buscando como substituir o merc\u00fario no processo de recupera\u00e7\u00e3o de ouro a partir de areia e outros minerais\u201d, informou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para resolver essa parte do problema, Andrade apontou a urg\u00eancia de uma articula\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro com os pa\u00edses que fazem parte da bacia Amaz\u00f4nica. \u201cNo passado houve uma fiscaliza\u00e7\u00e3o muito forte sobre o merc\u00fario no rio Madeira e o que se observou foi que o merc\u00fario nos peixes continuava aumentando porque esse merc\u00fario era \u2018exportado\u2019 do Norte pelos outros rios. Ent\u00e3o, mesmo resolvendo a quest\u00e3o nacional, \u00e9 preciso que haja uma a\u00e7\u00e3o conjunta, regional. O Congresso Nacional, atrav\u00e9s do Senado, em coopera\u00e7\u00e3o com os \u00f3rg\u00e3os aqui representados, precisa de a\u00e7\u00f5es concertadas\u201d, argumentou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele pontuou que a ABC gostaria de participar da organiza\u00e7\u00e3o de uma grande confer\u00eancia nacional, seguida de uma grande confer\u00eancia internacional, em que se debatam essas quest\u00f5es do merc\u00fario e do garimpo de uma forma bem ampla, cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica \u2013 \u201cporque n\u00e3o existem respostas simples para perguntas complexas\u201d, destacou Andrade. E comentou que o ouro, decerto, \u00e9 importante fonte de riqueza para o pa\u00eds. Por\u00e9m, a Amaz\u00f4nia cont\u00e9m mol\u00e9culas muito mais valiosas do que o ouro. Por isso, investimentos em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o podem trazer resultados muito positivos para o seu desenvolvimento socioecon\u00f4mico e ambiental sustent\u00e1vel e impactar todo o pa\u00eds. \u201cEssa \u00e9 a import\u00e2ncia da ci\u00eancia b\u00e1sica: gerar conhecimento para construir desenvolvimento.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Andrade ent\u00e3o agradeceu o convite e finalizou: \u201cEssa \u00e9 a vis\u00e3o que trago da Academia Brasileira de Ci\u00eancias e colaboradores especialistas no tema. Esperamos que o Senado facilite o financiamento para encaminhar essa quest\u00e3o t\u00e3o grave e abrangente.\u201d\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/tv\/plenario-e-comissoes\/comissao-temporaria\/2023\/04\/comissao-dos-yanomami-debate-impactos-do-garimpo-ilegal-na-reserva-indigena\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assista a sess\u00e3o na \u00edntegra no site do Senado e veja as solu\u00e7\u00f5es sugeridas<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Academia Brasileira de Ci\u00eancias (Elisa Oswaldo-Cruz para ABC)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O vice-presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), Jailson Bittencourt de Andrade, participou no \u00faltimo dia 26 de abril, por videoconfer\u00eancia, da reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Tempor\u00e1ria Externa criada no Senado Federal com a finalidade de acompanhar in loco a situa\u00e7\u00e3o dos yanomami e a sa\u00edda dos garimpeiros das terras ind\u00edgenas. 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