{"id":3384,"date":"2023-03-19T15:26:56","date_gmt":"2023-03-19T18:26:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=3384"},"modified":"2023-03-22T18:31:18","modified_gmt":"2023-03-22T21:31:18","slug":"pesquisadora-brasileira-jaqueline-mesquita-ganha-premio-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2023\/03\/19\/pesquisadora-brasileira-jaqueline-mesquita-ganha-premio-internacional\/","title":{"rendered":"Pesquisadora brasileira, Jaqueline Mesquita, ganha pr\u00eamio internacional"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3385\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ACB-Jaqueline-CNPq-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ACB-Jaqueline-CNPq-300x200.jpeg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/ACB-Jaqueline-CNPq.jpeg 620w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Professora da UnB, Jaqueline \u00e9 bolsista PQ do CNPq e foi a \u00fanica cientista agraciada da Am\u00e9rica do Sul com o pr\u00eamio Science, She says! Award.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora de matem\u00e1tica, Jaqueline Godoy Mesquita, recebeu o pr\u00eamio Science, She says! Award em Roma, It\u00e1lia, na semana de comemora\u00e7\u00f5es pelo Dia Internacional da Mulher. O pr\u00eamio \u00e9 concedido pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Coopera\u00e7\u00e3o Internacional italiano (MAECI) a jovens cientistas estrangeiras de destaque e a pesquisadora brasileira foi a \u00fanica cientista agraciada da Am\u00e9rica do Sul, Central e Caribe. \u201cEstou aqui hoje para receber este pr\u00eamio n\u00e3o apenas como Jaqueline Mesquita, mas tamb\u00e9m em nome de todas as mulheres cientistas da Am\u00e9rica do Sul, Central e Caribe, especialmente as do Brasil, meu pa\u00eds natal. Se estou ganhando este pr\u00eamio hoje \u00e9 porque muitas mulheres no passado lutaram e morreram para permitir que eu e outras mulheres ao redor do mundo pud\u00e9ssemos estudar e fazer progressos significativos na ci\u00eancia\u201d, afirmou a pesquisadora, durante a cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o realizada segunda-feira, dia 6 de mar\u00e7o de 2023.\u201d\u00c9 meu dever dizer ao mundo inteiro hoje que n\u00f3s, mulheres cientistas de todas as \u00e1reas, podemos fazer muito mais pela ci\u00eancia, podemos ajudar a resolver os desafios globais, promovendo relevantes transforma\u00e7\u00f5es no mundo\u201d, completou a pesquisadora, que \u00e9 Bolsista de Produtividade do CNPq e professora da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), al\u00e9m de ser embaixadora do Committee for Women in Mathematics da Uni\u00e3o Internacional de Matem\u00e1tica (IMU), membro afiliado da Academia Mundial de Ci\u00eancias (2018-2022). Desde o final de 2021, a pesquisadora tamb\u00e9m \u00e9 vice-presidente da Sociedade Brasileira de Matem\u00e1tica (SBM). Ela tamb\u00e9m faz parte do Comit\u00ea Executivo dos Jovens da Academia Mundial de Ci\u00eancias (2022-2025).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u200bJaqueline Mesquita foi contemplada devido a seu trabalho envolvendo equa\u00e7\u00f5es diferenciais funcionais com retardamento, \u00e1rea ainda pouco explorada, mas que vem ganhando proje\u00e7\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 grande aplicabilidade, em especial no que se refere a estudos que buscam compreender a evolu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como as causadas por v\u00edrus. Essas equa\u00e7\u00f5es descrevem o lapso de tempo transcorrido entre a pessoa ser infectada pelo v\u00edrus e o aparecimento dos sintomas. \u201cTrabalhar com estas equa\u00e7\u00f5es \u00e9 um grande desafio, pois envolve t\u00e9cnicas n\u00e3o convencionais\u201d, diz a pesquisadora. \u201cUm retardo pode mudar completamente a din\u00e2mica da solu\u00e7\u00e3o e isso \u00e9 algo muito curioso e interessante\u201d, completa ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da Covid-19, as equa\u00e7\u00f5es estudadas pela pesquisadora podem ser aplicadas a outras doen\u00e7as, como a AIDS, provocada pelo HIV, e a Zika. O Science, She says! Award n\u00e3o \u00e9 o primeiro pr\u00eamio concedido \u00e0 matem\u00e1tica Jaqueline Mesquita por seu trabalho. Em 2012, ano de conclus\u00e3o de seu doutorado, ela foi contemplada com o pr\u00eamio internacional Bernd- Aulbach prize for students em Novacella, It\u00e1lia, concedido pela International Society of Difference Equations. Em 2019, com apenas 33 anos de idade, Jaqueline Mesquita recebeu o pr\u00eamio Para Mulheres na Ci\u00eancia, na categoria Matem\u00e1tica, oferecido pela L\u2019Or\u00e9al, em parceria com a Unesco Brasil e a Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00ea come\u00e7a a ter muita visibilidade ap\u00f3s o pr\u00eamio\u201d, comenta a pesquisadora. \u201cAcho at\u00e9 que esse \u00e9 um dos grandes impactos positivos, porque a gente n\u00e3o conhece muito sobre as pesquisas que as mulheres est\u00e3o desenvolvendo no pa\u00eds, principalmente na \u00e1rea da matem\u00e1tica\u201d, diz ela, ressaltando o aumento do interesse por sua \u00e1rea de pesquisa ap\u00f3s ela receber o pr\u00eamio Mulheres na Ci\u00eancia. \u201cEu fui chamada para dar v\u00e1rias palestras e falar sobre essas equa\u00e7\u00f5es [as que ela estuda]. Surgiram, inclusive, conex\u00f5es com outras linhas de pesquisa. Diversos projetos nasceram a partir disso porque as pessoas passaram a entender o que eu fazia e as possibilidades de parcerias se multiplicaram\u201d, diz a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A paix\u00e3o da pesquisadora pela matem\u00e1tica se fortaleceu no final do ensino m\u00e9dio. Ela frequentou um col\u00e9gio particular em Bras\u00edlia onde ensinavam a mat\u00e9ria de uma forma estimulante, contando a hist\u00f3ria desse campo de conhecimento. Em 2003, Jaqueline Mesquita foi aprovada no vestibular da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), para cursar matem\u00e1tica. A seguir, a pesquisadora fez mestrado e doutorado no Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o (ICMC) da Universidade de S\u00e3o Paulo, em S\u00e3o Carlos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As parcerias cient\u00edficas de sua orientadora, M\u00e1rcia Federson, com pesquisadores do leste europeu, possibilitaram \u00e0 pesquisadora passar um per\u00edodo de seu doutorado na Academia de Ci\u00eancias da Rep\u00fablica Tcheca, em Praga. Em 2013, ela fez p\u00f3s-doutorado na Universidade de Santiago do Chile. No mesmo ano, concluiu o segundo p\u00f3s-doutorado no ICMC e, a seguir, foi contratada como professora pelo Departamento de Computa\u00e7\u00e3o e Matem\u00e1tica da USP, em Ribeir\u00e3o Preto, onde permaneceu de 2013 a 2015, ano em que entrou na UnB como docente. Em 2019, conquistou a bolsa Alexander von Humboldt\/Capes para pesquisador experiente, e passou a desenvolver pesquisas na Justus-Liebig Universit\u00e4t, em Giessen, Alemanha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar do reconhecimento, pesquisadoras de Ci\u00eancias Exatas como Jaqueline Mesquita ainda t\u00eam de lidar com os estere\u00f3tipos associados a essas \u00e1reas do conhecimento\u00a0 tamb\u00e9m com a desigualdade de g\u00eanero. \u201c As meninas acabam se sentindo desestimuladas, achando que aquilo n\u00e3o \u00e9 para elas. Eu j\u00e1 tive muito essa sensa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias etapas da minha carreira, a ponto at\u00e9 de quase pensar em desistir em alguns momentos. Porque eu acho que \u00e9 justamente isso: o fato de voc\u00ea ver poucas mulheres e notar que elas v\u00e3o sumindo ao longo do caminho d\u00e1 aquela sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencimento\u201d, reflete apesquisadora, lembrando que, al\u00e9m de ter tido poucas professoras, viu o n\u00famero de mulheres se reduzir cada vez mais \u00e0 medida em que galgou mais degraus na carreira acad\u00eamica. \u201cQuando eu vejo, por exemplo, um evento de matem\u00e1tica em que n\u00e3o h\u00e1 mulheres plenaristas, acho extremamente danoso porque os nossos alunos est\u00e3o assistindo isso. Para mim, fez muita diferen\u00e7a ter uma professora ao meu lado, uma orientadora, ter amigas durante o curso\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da desigualdade de g\u00eanero, outro fator relevante apontado pela pesquisadora diz respeito \u00e0 idade. Ela lembra que, por diversas vezes, teve dificuldade de se fazer escutar pelos colegas de trabalho, mesmo com sua experi\u00eancia cient\u00edfica. \u201cSer uma mulher jovem em uma \u00e1rea extremamente masculinizada e onde a senioridade \u00e9 sin\u00f4nimo de compet\u00eancia \u00e9 realmente um desafio di\u00e1rio. \u00c9 dif\u00edcil conseguir respeito tanto dos estudantes, que muitas vezes me v\u00eaem como muito jovem para ser professora ou para estar na minha posi\u00e7\u00e3o, quanto dos meus colegas de trabalho, que muitas vezes me acham muito jovem para assumir compromissos importantes e posi\u00e7\u00f5es de destaque\u201d, comenta ela. Por esse motivo, a pesquisadora defende que todo ambiente cient\u00edfico tenha diversidade, condi\u00e7\u00e3o essencial para que o conhecimento avance. \u201cA diversidade nos grupos de pesquisa \u00e9 fundamental, pois possibilita que existam v\u00e1rios olhares e distintas perspectivas voltadas a resolver um problema, o que ajuda a construir um ambiente de trabalho muito mais produtivo\u201d, diz ela, que, ao ingressar na gradua\u00e7\u00e3o, encontrou uma turma de 36 alunos em que apenas 7 eram mulheres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJ\u00e1 pensei em desistir muitas vezes, mas foram as hist\u00f3rias de outras mulheres de destaque que me deram incentivo e for\u00e7a para seguir em frente. Por isso, considero muito importante a quest\u00e3o da representatividade. \u00c9 muito dif\u00edcil sonharmos com um espa\u00e7o em que n\u00e3o nos vemos ou nos projetamos. Por isso ver mulheres ocupando posi\u00e7\u00f5es de destaque revitaliza a minha for\u00e7a e mostra que eu tamb\u00e9m posso chegar l\u00e1\u201d, diz a pesquisadora, rememorando os incentivos recebidos por meio de bolsas e aux\u00edlios do CNPq, da CAPES e da FAPESP. Ela diz que as mulheres necessitam de mais espa\u00e7o na academia, em especial nas \u00e1reas STEM, que envolvem ci\u00eancia e tecnologia, Engenharias e Matem\u00e1tica, e aponta que as mulheres ainda t\u00eam dificuldade para alcan\u00e7ar cargos de maior destaque e poder. \u201cPrecisamos ter mais pol\u00edticas p\u00fablicas para incentivar as mulheres desde cedo a ingressarem na \u00e1rea de Exatas, uma \u00e1rea extremamente carente de representatividade feminina\u201d, afirma a pesquisadora. Apesar de citar as desigualdades, a pesquisadora reconhece que o cen\u00e1rio atual est\u00e1 um pouco melhor do que o encontrado anos atras. Ela cita como avan\u00e7os a inclus\u00e3o do per\u00edodo de maternidade no Curr\u00edculo Lattes do CNPq e a maior discuss\u00e3o da comunidade cient\u00edfica sobre a import\u00e2ncia da representatividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: CNPq<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: CNPq<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora da UnB, Jaqueline \u00e9 bolsista PQ do CNPq e foi a \u00fanica cientista agraciada da Am\u00e9rica do Sul com o pr\u00eamio Science, She says! Award. A professora de matem\u00e1tica, Jaqueline Godoy Mesquita, recebeu o pr\u00eamio Science, She says! Award em Roma, It\u00e1lia, na semana de comemora\u00e7\u00f5es pelo Dia Internacional da Mulher. 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