{"id":2967,"date":"2023-01-31T22:51:54","date_gmt":"2023-02-01T01:51:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2967"},"modified":"2023-02-02T16:35:31","modified_gmt":"2023-02-02T19:35:31","slug":"tragedia-anunciada-destruicao-da-amazonia-sera-catastrofica-para-o-planeta-alertam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2023\/01\/31\/tragedia-anunciada-destruicao-da-amazonia-sera-catastrofica-para-o-planeta-alertam-cientistas\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia anunciada: destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ser\u00e1 \u201ccatastr\u00f3fica\u201d para o planeta, alertam cientistas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2968\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost-236x300.webp\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost-236x300.webp 236w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost-805x1024.webp 805w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost-768x978.webp 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost-1207x1536.webp 1207w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Science-AmazonLost.webp 1250w\" sizes=\"auto, (max-width: 236px) 100vw, 236px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica reafirma alerta sobre a necessidade urgente de frear o desmatamento da floresta. Estudos com autores brasileiros s\u00e3o destaque na revista Science desta semana.O trabalho \u00e9 assinado por 19 pesquisadores, de seis pa\u00edses, incluindo tr\u00eas autores da USP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para aqueles que ainda t\u00eam d\u00favidas sobre a import\u00e2ncia da Floresta Amaz\u00f4nica para o futuro da esp\u00e9cie humana no planeta, um novo artigo cient\u00edfico traz uma mensagem muito clara: \u201cDo ponto de vista clim\u00e1tico, a degrada\u00e7\u00e3o generalizada da Amaz\u00f4nia seria uma cat\u00e1strofe global irrevers\u00edvel\u201d, escrevem os autores, sem meias palavras, na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista Science. Segundo os pesquisadores, muito al\u00e9m dos impactos diretos sobre a pr\u00f3pria floresta, ou sobre a pr\u00f3pria regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o colapso do bioma teria o poder de desencadear altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas brutais em todo o planeta, com \u201cconsequ\u00eancias catastr\u00f3ficas para o bem-estar humano\u201d, incluindo inseguran\u00e7a h\u00eddrica e alimentar, migra\u00e7\u00f5es em massa e instabilidade pol\u00edtica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho \u00e9 assinado por 19 pesquisadores, de seis pa\u00edses, incluindo tr\u00eas autores da USP. Trata-se de uma revis\u00e3o \u2014 ou seja, um artigo em que os autores analisam toda a literatura cient\u00edfica dispon\u00edvel para rascunhar hip\u00f3teses e derivar conclus\u00f5es a respeito de um determinado tema. E as conclus\u00f5es, nesse caso, s\u00e3o assustadoras. Segundo os cientistas, a Amaz\u00f4nia est\u00e1 muito pr\u00f3xima de sofrer um colapso do seu sistema hidrol\u00f3gico, que resultar\u00e1 na substitui\u00e7\u00e3o de suas vastas florestas tropicais por uma cobertura vegetal muito mais seca, semelhante a uma savana degradada. Mesmo nas \u00e1reas que n\u00e3o forem desmatadas, essa degrada\u00e7\u00e3o resultar\u00e1 em emiss\u00f5es massivas de g\u00e1s carb\u00f4nico para a atmosfera, que agravar\u00e3o ainda mais as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs principais mensagens desta revis\u00e3o s\u00e3o que m\u00faltiplas mudan\u00e7as graves na Amaz\u00f4nia, impulsionadas por atividades humanas modernas, est\u00e3o acontecendo r\u00e1pido demais para a sobreviv\u00eancia de suas esp\u00e9cies e ecossistemas, e que o desmatamento generalizado da Amaz\u00f4nia seria uma cat\u00e1strofe irrevers\u00edvel para o sistema clim\u00e1tico global\u201d, escrevem os pesquisadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 uma realidade triste, mas uma realidade verdadeira\u201d, disse ao Jornal da USP o climatologista Carlos Nobre, pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados (IEA) da USP e autor s\u00eanior do trabalho. O artigo aparece como um dos destaques de capa da Science, ao lado de outro estudo liderado por brasileiros, que tamb\u00e9m alerta para os perigos globais da degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAcho que muita gente ainda n\u00e3o se deu conta do risco que estamos correndo\u201d, disse ao Jornal da USP a professora L\u00facia Lohmann, do Departamento de Bot\u00e2nica do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) da USP, que tamb\u00e9m assina a revis\u00e3o. \u201cEsta talvez seja a \u00faltima d\u00e9cada que temos para reverter esse cen\u00e1rio\u201d, alerta ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que os impactos cumulativos das atividades humanas sobre a Amaz\u00f4nia est\u00e3o erodindo o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico do bioma num ritmo muito mais acelerado do que qualquer fen\u00f4meno natural do passado, impedindo que suas esp\u00e9cies e seus ecossistemas tenham a possibilidade de se adaptar a essas mudan\u00e7as. Mudan\u00e7as que ocorriam ao longo de milhares de anos agora est\u00e3o ocorrendo no prazo de d\u00e9cadas. \u201c\u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida que n\u00e3o existe nenhuma chance de o sistema se adaptar\u201d, pontua Nobre. Os principais impactos considerados na an\u00e1lise incluem desmatamento, queimadas, eros\u00e3o do solo, represamento de rios e o ressecamento (\u201caridifica\u00e7\u00e3o\u201d) dos ecossistemas florestais, causado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais \u2014 que tamb\u00e9m s\u00e3o consequ\u00eancia da interfer\u00eancia humana nos sistemas naturais da Terra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cerca de metade da chuva que cai sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 gerada pela sua pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o, por meio da evapotranspira\u00e7\u00e3o das plantas (que \u201creciclam\u201d a \u00e1gua da chuva e a devolvem para a atmosfera na forma de vapor). Quanto menor a cobertura vegetal, portanto, menor a quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel no sistema para manter o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico da floresta. Em outras palavras, \u00e0 medida que o desmatamento avan\u00e7a pela regi\u00e3o, a floresta vai ficando cada vez mais seca, at\u00e9 deixar de ser floresta. \u201cAl\u00e9m de um certo limite, o desmatamento e a aridez regional ficar\u00e3o presos em um ciclo vicioso, que levar\u00e1 a uma transforma\u00e7\u00e3o descontrolada de exuberantes florestas tropicais em paisagens agr\u00edcolas degradadas, semelhantes a savanas\u201d, escrevem os pesquisadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo olha para o bioma amaz\u00f4nico como um todo, n\u00e3o apenas para a Amaz\u00f4nia brasileira, e tem como fonte de dados principal o <\/span><a href=\"https:\/\/www.theamazonwewant.org\/spa_publication\/amazon-assessment-report-2021\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado em 2021 pelo <\/span><a href=\"https:\/\/www.theamazonwewant.org\/science-panel-for-the-amazon\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Painel Cient\u00edfico para a Amaz\u00f4nia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 um grupo de 240 pesquisadores, de 20 pa\u00edses, incluindo v\u00e1rios brasileiros, de institui\u00e7\u00f5es nacionais e estrangeiras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O relat\u00f3rio destaca que 17% da cobertura florestal da Amaz\u00f4nia j\u00e1 foi desmatada e 14% dela, convertida em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria (pastos e planta\u00e7\u00f5es). Ningu\u00e9m sabe dizer onde fica exatamente o chamado tipping point \u2014 ou \u201cponto de virada\u201d, onde o ciclo hidrol\u00f3gico se quebra e a convers\u00e3o da floresta em savana se torna irrevers\u00edvel \u2014, mas estima-se que ele esteja entre 20% e 40% de \u00e1rea desmatada. \u201cO fato \u00e9 que estamos muito pr\u00f3ximos disso\u201d, alerta Nobre. Muitos cientistas acreditam, inclusive, que essa nota de corte, por assim dizer, j\u00e1 tenha sido superada em algumas partes mais devastadas do bioma, como o sudeste da Amaz\u00f4nia brasileira, onde a floresta j\u00e1 emite mais carbono para a atmosfera do que \u00e9 capaz de absorver. Com o avan\u00e7o do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o florestal, \u00e9 poss\u00edvel que todo o bioma passe a ser uma fonte de emiss\u00e3o de carbono j\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos, agravando ainda mais o aquecimento global.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez atingido esse tipping point, segundo Nobre, mais da metade da cobertura florestal da Amaz\u00f4nia poder\u00e1 desaparecer num prazo de 30 a 50 anos, liberando bilh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico para a atmosfera. A Amaz\u00f4nia inteira, segundo os cientistas, tem cerca de 180 bilh\u00f5es de toneladas de carbono armazenadas em seus sistemas florestais (vegeta\u00e7\u00e3o e solo), o que equivale a um quarto de todo o carbono emitido por atividades humanas no mundo desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, em 1750. Se todo esse carbono amaz\u00f4nico fosse lan\u00e7ado na atmosfera agora, a temperatura m\u00e9dia da Terra aumentaria em 0,5 grau Celsius \u2014 o que pode parecer pouco, mas, somado a outras fontes de emiss\u00e3o, seria mais do que suficiente para desencadear uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de Nobre e Lohmann, o artigo na Science \u00e9 assinado por Nath\u00e1lia Nascimento, p\u00f3s-doutoranda do programa Biota S\u00edntese, no IEA USP, e v\u00e1rios outros pesquisadores brasileiros, vinculados a institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no Brasil e no exterior. O autor principal \u00e9 James Albert, da Universidade da Louisiana em Lafayette, nos Estados Unidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">DEGRADA\u00c7\u00c3O<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desmatamento \u00e9 a forma mais grotesca e \u00f3bvia de destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia; mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. T\u00e3o preocupante quanto o desmatamento \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o florestal, que tamb\u00e9m impacta severamente a biodiversidade e pode emitir tanto carbono (ou at\u00e9 mais) quanto o corte raso da floresta, segundo um <\/span><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abp8622\"><span style=\"font-weight: 400;\">outro artigo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> de revis\u00e3o, tamb\u00e9m publicado nesta edi\u00e7\u00e3o da Science.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O termo \u201cdegradada\u201d refere-se a \u00e1reas nas quais a estrutura e os processos ecol\u00f3gicos originais da floresta foram corrompidos de alguma forma, ainda que a maioria de suas \u00e1rvores permane\u00e7a em p\u00e9. Por exemplo, \u00e1reas que foram afetadas por queimadas, secas extremas, corte seletivo ilegal (quando apenas \u00e1rvores de maior valor comercial s\u00e3o derrubadas, abrindo clareiras na mata) e\/ou expostas ao chamado \u201cefeito de borda\u201d, uma esp\u00e9cie de degrada\u00e7\u00e3o que acomete florestas adjacentes a \u00e1reas desmatadas. S\u00e3o perturba\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas (causadas pelo homem) que deixam a floresta mais seca, reduzem a quantidade de biomassa (mat\u00e9ria org\u00e2nica) e aumentam a mortalidade de \u00e1rvores, resultando em perda de biodiversidade e maiores emiss\u00f5es de carbono, entre outros problemas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O artigo faz uma ampla an\u00e1lise das causas e efeitos dessa degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia, e ainda apresenta algumas proje\u00e7\u00f5es de como esse cen\u00e1rio poder\u00e1 evoluir nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u201cEsses dados j\u00e1 existiam na literatura cient\u00edfica, mas nunca tinham sido colocados juntos\u201d, disse ao Jornal da USP o pesquisador David Lapola, do Centro de Pesquisas Meteorol\u00f3gicas e Clim\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor principal do estudo.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os pesquisadores calculam que 38% das florestas remanescentes (n\u00e3o desmatadas) da Amaz\u00f4nia est\u00e3o degradadas, quando se considera os quatro tipos de perturba\u00e7\u00e3o: fogo, estiagem, corte seletivo e efeito de borda. O item mais pesado \u2014 e pol\u00eamico \u2014 dessa conta \u00e9 a seca. Os autores reconhecem que nem todos os eventos de seca extrema na Amaz\u00f4nia podem ser classificados inequivocamente como um fator de degrada\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, ligado ao aquecimento global (pois eles tamb\u00e9m podem ocorrer naturalmente de tempos em tempos). Quando esse fator \u00e9 exclu\u00eddo da an\u00e1lise, a \u00e1rea total degradada cai para 5,5% do bioma amaz\u00f4nico. \u201cEsperamos abrir uma boa discuss\u00e3o na comunidade cient\u00edfica a respeito disso\u201d, afirma Lapola.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Calcular as emiss\u00f5es de carbono resultantes desse processo tamb\u00e9m \u00e9 complicado, pois as perturba\u00e7\u00f5es se sobrep\u00f5em e interagem entre si no tempo e no espa\u00e7o. Hectare por hectare, o desmatamento emite muito mais carbono do que a degrada\u00e7\u00e3o, pois a perda de biomassa \u00e9 muito maior. Por outro lado, como as \u00e1reas degradadas s\u00e3o muito grandes, o total emitido por elas acaba sendo equivalente ou at\u00e9 maior do que o emitido pelo desmatamento, podendo chegar a 200 milh\u00f5es de toneladas de carbono por ano, segundo os pesquisadores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SOLU\u00c7\u00d5ES \u00c0 VISTA<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A boa not\u00edcia que acompanha esses progn\u00f3sticos preocupantes \u00e9 que as medidas necess\u00e1rias para impedir que esses cen\u00e1rios mais catastr\u00f3ficos se tornem realidade j\u00e1 s\u00e3o conhecidas. Falta implement\u00e1-las. \u201cAs pol\u00edticas para evitar os piores resultados s\u00e3o conhecidas e devem ser implementadas imediatamente. Agora precisamos de vontade pol\u00edtica e lideran\u00e7a para agir com base nessas informa\u00e7\u00f5es\u201d, escrevem os autores da primeira revis\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lohmann lembra que o Brasil j\u00e1 combateu o desmatamento com sucesso no passado (redu\u00e7\u00e3o de 80% entre 2004 e 2014) e pode voltar a faz\u00ea-lo, apesar do recrudescimento das atividades ilegais verificado nos \u00faltimos quatros anos e da dificuldade na implementa\u00e7\u00e3o de acordos internacionais. \u201cEstou esperan\u00e7osa\u201d, diz. \u201cTemos os dados, temos o conhecimento e sabemos o que precisa ser feito. N\u00e3o podemos falhar na nossa responsabilidade.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um esfor\u00e7o que exige a\u00e7\u00f5es locais e internacionais. Mesmo que o Brasil obtenha sucesso em zerar o desmatamento ilegal, de nada ou muito pouco adiantar\u00e1 se as emiss\u00f5es globais de carbono (oriundas, principalmente, da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis) n\u00e3o forem urgentemente reduzidas para frear o processo de aquecimento do planeta \u2014 que tamb\u00e9m impacta diretamente a Amaz\u00f4nia, por exemplo, por meio do aumento da ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos na regi\u00e3o. Isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo: segundo os pesquisadores, secas e cheias extremas ocorreram em nove dos \u00faltimos 15 anos na Amaz\u00f4nia, comparado a apenas nove eventos desse tipo registrados em todo o s\u00e9culo passado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPrevenir mais desmatamento continua sendo um objetivo fundamental para estabilizar o sistema clim\u00e1tico, preservar a biodiversidade e garantir o desenvolvimento sustent\u00e1vel. O desmatamento \u00e9, em si, um dos principais impulsionadores das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e da perda de biodiversidade e um impulsionador de v\u00e1rias formas de degrada\u00e7\u00e3o\u201d, escrevem os autores da revis\u00e3o sobre degrada\u00e7\u00e3o. \u201cMas tamb\u00e9m est\u00e1 claro que as a\u00e7\u00f5es para evitar o desmatamento n\u00e3o s\u00e3o suficientes e devem ser apoiadas por outras interven\u00e7\u00f5es.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail llohman@usp.br, com L\u00facia Lohmann; e e-mail dmlapola@unicamp.br, com David Lapola\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Jornal da USP &#8211; Texto: Herton Escobar<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revis\u00e3o da literatura cient\u00edfica reafirma alerta sobre a necessidade urgente de frear o desmatamento da floresta. 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