{"id":2855,"date":"2022-12-25T15:02:41","date_gmt":"2022-12-25T18:02:41","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2855"},"modified":"2023-01-03T16:06:11","modified_gmt":"2023-01-03T19:06:11","slug":"ciencia-e-arte-para-expandir-horizontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/12\/25\/ciencia-e-arte-para-expandir-horizontes\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia e arte para expandir horizontes"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2856\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/DomingosCardoso-ABC-300x199.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/DomingosCardoso-ABC-300x199.jpeg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/DomingosCardoso-ABC.jpeg 370w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cientista baiano Domingos Cardoso \u00e9 o novo afiliado da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). Reconhecido no pa\u00eds e no exterior por suas pesquisas sobre a flora brasileira, sobretudo da Amaz\u00f4nia e da Caatinga, o acad\u00eamico tem Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias, Mestrado em Bot\u00e2nica e Doutorado em Bot\u00e2nica pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), com est\u00e1gio de doutorado sandu\u00edche em Montana State University, EUA. \u00c9 professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), pesquisador no Instituto de Pesquisas Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro, atuando na Coordena\u00e7\u00e3o do Projeto Flora e Funga do Brasil, e credenciado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Evolu\u00e7\u00e3o da Ufba, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica (PPGBot) da Uefs e tamb\u00e9m no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA). Confira o artigo de Marcos Torres para a ABC sobre o novo acad\u00eamico:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA ci\u00eancia contempor\u00e2nea surgiu como uma atividade da elite econ\u00f4mica e muito dessa origem ainda permanece. Entretanto, essa caracter\u00edstica cria uma contradi\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o social da profiss\u00e3o. Ora, se o objetivo \u00e9 a descoberta, quanto deixamos de conhecer ao ficarmos presos aos mesmos grandes centros e classes econ\u00f4micas? Como vamos classificar toda a fauna e flora brasileira sem adentrarmos o imenso interior do pa\u00eds, por exemplo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A carreira de <\/span><a href=\"http:\/\/www.abc.org.br\/link\/domingos-benicio-oliveira-silva-cardoso\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Domingos Ben\u00edcio Oliveira Silva Cardoso<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> reitera a import\u00e2ncia de se formar pesquisadores em todas as regi\u00f5es do Brasil. Do sert\u00e3o da Bahia para o mundo, sua trajet\u00f3ria mostra a capacidade que a ci\u00eancia tem de transformar vidas enquanto gera conhecimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascido no munic\u00edpio de Tucano, na Bahia, o novo Acad\u00eamico carrega o nome do pai que faleceu antes dele nascer. A m\u00e3e, Josefa Oliveira Silva, teve uma sa\u00fade dif\u00edcil, e por vezes teve de buscar tratamento em Salvador, a 300 km de Tucano. A aus\u00eancia do pai e a dist\u00e2ncia da m\u00e3e poderiam ter deixado uma lacuna na vida de Domingos Cardoso, mas felizmente existiam familiares capazes de preencher esse espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO homem mais s\u00e1bio que conheci n\u00e3o sabia ler nem escrever\u201d. \u00c9 com a famosa frase de Saramago que Domingos descreve o av\u00f4, Olavo Ribeiro Silva. A Caatinga e a lavoura em que Olavo trabalhava eram uma grande sala de aula onde ensinava o neto sobre plantas, esta\u00e7\u00f5es, folclore e hist\u00f3rias daquela terra. A tia Maria da Concei\u00e7\u00e3o Oliveira e Silva, a quem chama carinhosamente de Cei\u00e7a, supria com muita dedica\u00e7\u00e3o a aus\u00eancia da m\u00e3e, e assim foi durante toda sua inf\u00e2ncia. \u201cFui uma crian\u00e7a cheia de sorrisos como qualquer outra, gra\u00e7as a presen\u00e7a constante de meu pai-av\u00f4 e de minha m\u00e3e-tia\u201d, conta o Acad\u00eamico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Domingos Cardoso faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o muito especial de cientistas: aqueles que s\u00e3o os primeiros e \u00fanicos da fam\u00edlia a terem cursado uma faculdade. J\u00e1 no ensino fundamental come\u00e7ou a expandir seus horizontes. Os professores Jadilson Pimentel, Ur\u00e2nia Maia e Ana C\u00e9lia Maia o introduziram nas artes. E foi atrav\u00e9s da m\u00fasica dedilhada ao viol\u00e3o de sua tia Jeane Oliveira de Santana que primeiro ouviu sobre a Guerra de Canudos. A paix\u00e3o pela literatura veio atrav\u00e9s dos ensinamentos e leituras compartilhadas pelo professor Carlos Vagner da Silva Matos, quando o jovem Domingos ainda cursava o ensino m\u00e9dio e arriscava escrever poesias. Mas foi outro mestre, H\u00e9lio Maia, que o colocou no caminho das ci\u00eancias naturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia em que completou 18 anos, Domingos Cardoso se matriculou no curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Foi bastante ativo nos quatro anos de faculdade, participando de congressos, projetos sociais e lecionando em programas para educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos. Fez inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sob orienta\u00e7\u00e3o de Luciano Paganucci de Queiroz, que resultou em um levantamento da diversidade e distribui\u00e7\u00e3o da flora na Serra do Orob\u00f3. \u201cPosso afirmar sem receio que tive uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o educacional e cient\u00edfica durante a gradua\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do compartilhamento de conhecimento com excelentes professores e colegas\u201d, descreveu o cientista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Manteve a parceria com Paganucci em toda a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, sempre na \u00e1rea de sistem\u00e1tica de plantas. Foi nesse per\u00edodo que se casou com Qu\u00e9zia Cavalcante, a quem conhecia desde a adolesc\u00eancia, quando frequentaram as mesmas escolas. Logo depois, por\u00e9m, os dois tiveram de passar um ano separados enquanto Domingos realizava doutorado sandu\u00edche em Bozeman, Montana, nos EUA, sob orienta\u00e7\u00e3o de Matt Lavin, outro grande amigo que a academia lhe deu. Ao retornar ao Brasil, a alegria de rever o sorriso da esposa acabou dando lugar \u00e0 tristeza por perder o sorriso da m\u00e3e, que faleceu em 2012. \u201cQuando defendi meu doutorado, me emocionei ao ver meu av\u00f4 e minha tia sorrindo novamente, depois de tudo\u201d, contou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tese defendida, sobre sistem\u00e1tica filogen\u00e9tica molecular de diferentes grupos de plantas da fam\u00edlia das leguminosas, ganhou o Pr\u00eamio Capes de melhor tese de 2013 na \u00e1rea de biodiversidade. \u201cFoi uma felicidade imensa\u201d, falou sobre o sentimento de ter feito a primeira tese essencialmente em sistem\u00e1tica a levar o pr\u00eamio. \u201cMe senti representando uma gera\u00e7\u00e3o inteira de taxonomistas que h\u00e1 muito se dedicam ao crescimento da bot\u00e2nica brasileira\u201d. Suas pesquisas na \u00e1rea ajudaram na reconstru\u00e7\u00e3o de uma nova filogenia e elabora\u00e7\u00e3o de uma nova classifica\u00e7\u00e3o das leguminosas, da qual foi um dos autores principais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje Domingos trabalha no Instituto de Pesquisas Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro (JBRJ), atuando na Coordena\u00e7\u00e3o do Projeto Flora e Funga do Brasil, \u00e9 credenciado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade e Evolu\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bot\u00e2nica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA). Tem sido Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq desde 2016 e j\u00e1 foi bolsista da The Royal Society atrav\u00e9s do programa Newton Advanced Fellowships (2018-2020), para atuar com pesquisador visitante do Royal Botanic Garden Edinburgh (RBGE) na Esc\u00f3cia. Atrav\u00e9s de an\u00e1lises comparadas da morfologia e da gen\u00f4mica, o pesquisador tem contribu\u00eddo para documentar e desvendar a evolu\u00e7\u00e3o da flora brasileira, sobretudo da Amaz\u00f4nia e da Caatinga. As in\u00fameras expedi\u00e7\u00f5es de coleta j\u00e1 lhe renderam bons frutos: participou da descoberta e descri\u00e7\u00e3o de quatro novos g\u00eaneros e 30 novas esp\u00e9cies que permaneciam at\u00e9 ent\u00e3o completamente desconhecidos pela ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cCatalogar e reconstruir a evolu\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 um dos maiores desafios da bot\u00e2nica no pa\u00eds, principalmente frente \u00e0s amea\u00e7as globais de destrui\u00e7\u00e3o de florestas e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, alerta o Acad\u00eamico. \u201cSe por um lado j\u00e1 avan\u00e7amos muito o nosso entendimento dos processos ecol\u00f3gicos e biogeoqu\u00edmicos em larga escala na Amaz\u00f4nia, pouco ainda conhecemos sobre a biodiversidade de plantas, os principais atores do teatro evolutivo desta majestosa floresta\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Preencher essa lacuna \u00e9 um dos desafios que move o pesquisador, mas n\u00e3o apenas para a Amaz\u00f4nia. A Caatinga, cuja sazonalidade da seca levou ao desenvolvimento de uma flora com caracter\u00edsticas \u00fanicas e peculiares, tamb\u00e9m ainda \u00e9 pouco explorada. \u201cEm minha pesquisa atualmente tenho dedicado bastante esfor\u00e7o com a cataloga\u00e7\u00e3o de plantas nestes dois biomas ecol\u00f3gica e evolutivamente contrastantes\u201d, explicou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Domingos Cardoso \u00e9 agora membro afiliado da Academia Brasileira de Ci\u00eancias e promete ter voz ativa na ABC quando o assunto for biodiversidade. \u201cEsta elei\u00e7\u00e3o representa n\u00e3o apenas uma conquista pessoal, mas tamb\u00e9m de todo o Instituto de Biologia da UFBA e do PPGBot da UEFS, institui\u00e7\u00f5es que tanto me orgulham no cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, social, pol\u00edtica e cultural do pa\u00eds\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de cientista, Domingos tamb\u00e9m \u00e9 um amante das artes. Capoeirista desde muito jovem, aprendeu cedo a valorizar a cultura brasileira. Ouvinte ass\u00edduo de m\u00fasicas de concerto, jazz e MPB, Domingos Cardoso escuta desde os mestres da Tropic\u00e1lia, Chico C\u00e9sar, Elis Regina, Marisa Monte e Z\u00e9lia Duncan, at\u00e9 sons mais recentes, como os do BaianaSystem e Mayra Andrade. Na literatura, \u00e9 apaixonado pelo Grande Sert\u00e3o Veredas, de Guimar\u00e3es Rosa, al\u00e9m de outros mestres das l\u00ednguas latinas, como Jos\u00e9 Saramago e Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. \u201cQuanto mais trabalho com a biodiversidade de plantas, mais me encanto ao descobrir nas flores tanta arte\u201d, finalizou\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Marcos Torres para ABC<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cientista baiano Domingos Cardoso \u00e9 o novo afiliado da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). 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