{"id":2777,"date":"2022-11-30T02:41:44","date_gmt":"2022-11-30T05:41:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2777"},"modified":"2022-12-01T17:10:50","modified_gmt":"2022-12-01T20:10:50","slug":"o-futebol-na-academia-esporte-contemplado-a-luz-de-diversas-areas-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/11\/30\/o-futebol-na-academia-esporte-contemplado-a-luz-de-diversas-areas-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"O Futebol na Academia: esporte contemplado \u00e0 luz de diversas \u00e1reas do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2778\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pele-Jairzinho-DivulgacaoFifa-300x197.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pele-Jairzinho-DivulgacaoFifa-300x197.png 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pele-Jairzinho-DivulgacaoFifa-768x505.png 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Pele-Jairzinho-DivulgacaoFifa.png 953w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisadores falam sobre a hist\u00f3ria do futebol e v\u00e1rias quest\u00f5es que emergem dessa paix\u00e3o nacional: \u00eddolos, her\u00f3is, racismo, homofobia, machismo e pol\u00edtica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerado por muitos como paix\u00e3o nacional, o futebol volta a ocupar o centro das aten\u00e7\u00f5es, com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Qatar, emirado do Oriente M\u00e9dio localizado na costa nordeste da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Enquanto os meios de comunica\u00e7\u00e3o noticiam a escala\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira; os m\u00e9todos usados pelo t\u00e9cnico Tite e outras informa\u00e7\u00f5es que podem ser consideradas valiosas por seus espectadores, pesquisadores de diversas \u00e1reas do conhecimento acompanham essa movimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 como torcedores, mas tamb\u00e9m como estudiosos desse fen\u00f4meno em que o futebol se transformou, buscando compreender a paix\u00e3o pela modalidade e a sele\u00e7\u00e3o brasileira, o surgimento dos seus \u00eddolos e as quest\u00f5es pol\u00eamicas que rondam a tem\u00e1tica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para eles, n\u00e3o se trata de debater as partidas protagonizadas por dois grupos de jogadores, mas de discutir um espectro de quest\u00f5es que emergem do contexto em que o futebol se insere e que ultrapassam as dimens\u00f5es do campo e at\u00e9 do est\u00e1dio em que o jogo se desenrola. \u201cQuando a gente pensa em futebol, a gente pensa de fato na nossa identidade nacional, no que \u00e9 ser brasileiro e em como n\u00f3s nos identificamos como brasileiros. E muitas vezes se constroem ideias a partir dessa identidade e do que seria essa brasilidade a partir do futebol\u201d, diz a professora do Instituto de Hist\u00f3ria da Universidade Federal Fluminense (UFF), <\/span><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4736929D8&amp;tokenCaptchar=03AEkXODAGT_51oQJa-yKV9H_2l1tCD2HUuVaYgwwiXhwwSy-vcEFDqueivjMMZ7Xjk1KSA-NXmitbM5_EgBhE982nk-LRaQ63_WXaeFlcd2kmrQn-AhOfnvZubKj1siZFQlUNma07HnoQc_dMrLxoECV8bqcEwibbx3uWARMfxXDzoY2ZpqnMxB406otIF7jzAAAxAIoI8kPhEWTPU_b7Toz-QtxxpELEW3bsrHSTY6XCfPphBPeMvIVEUldll_YRf_5WtZGFRALdlDZrdlqu3smkt6edWjnoGbyyflJG0U7-mcifLeUOoNWKOlX25NkSLP9LxDEF3m280D9VZS_bjmrRvW9GwJlTEoVp55L1ljULK7dGrpA5qJAs1ozOkRQRZHX74mVuCrU3nRRMw6vcB6cs1NJdBiSMZFKsdmkKB1_QP6N4NZm6Gy516vx03YazcAcTIuRQlOlbJ5Hzfz1RqbdGnQimug8BCACIRvHg7LY9IjyOsE91-9Du0RIEa2P2wWzA6pIiZBai4kj_o3Ow7cw4E89uWHRLLA\"><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00edvia Gon\u00e7alves Magalh\u00e3es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que organizou, em parceria com <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6614478744956706\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rosana da C\u00e2mara Teixeira<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, docente do Centro de\u00a0 Estudos Sociais Aplicados da UFF e pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o e Patrim\u00f4nio Cultural da mesma institui\u00e7\u00e3o, o livro <\/span><a href=\"https:\/\/www.eduff.com.br\/produto\/futebol-na-sala-de-aula-676\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Futebol na sala de aula: jogadas, dribles, passes, esquemas t\u00e1ticos e atua\u00e7\u00f5es para o ensino de Ci\u00eancias Sociais e de Hist\u00f3ria,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> lan\u00e7ado julho deste ano pela Eduff. A obra organizada pelas pesquisadoras ex-bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), trata de uma gama de fen\u00f4menos e processos sociais aos quais o futebol est\u00e1 associado, como literatura, g\u00eanero, profissionaliza\u00e7\u00e3o, legados das copas e repercuss\u00f5es sobre a cidadania, pol\u00edtica internacional e a rela\u00e7\u00e3o do futebol com a pol\u00edtica em v\u00e1rios momentos hist\u00f3ricos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O racismo, tema relevante e frequente no contexto do futebol, que tamb\u00e9m \u00e9 discutido no livro organizado pelas professoras L\u00edvia Magalh\u00e3es e Rosana Teixeira, merece uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, em especial por a Copa do Mundo ter iniciado justo em 20 de novembro, Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra. Como em outros pontos da nossa cultura popular, o futebol \u00e9 um reflexo da sociedade e \u00e9 pontuado por quest\u00f5es raciais, assunto que precisa ser discutido, tamb\u00e9m como forma de alertar a sociedade para a sua import\u00e2ncia e como meio de educ\u00e1-la. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds que teve mais de trezentos anos de escravid\u00e3o. A escravid\u00e3o foi uma institui\u00e7\u00e3o e ela acabou h\u00e1 pouqu\u00edssimo tempo, se a gente pensar em termos hist\u00f3ricos. E foi finalizada de uma forma que n\u00e3o houve uma inclus\u00e3o, n\u00e3o houve um projeto de integra\u00e7\u00e3o dos ex-escravizados ao novo projeto de pa\u00eds e de nacionalidade que come\u00e7ava a ser constru\u00eddo com a Rep\u00fablica\u201d, afirma a professora L\u00edvia Magalh\u00e3es, lembrando o curto per\u00edodo entre a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, em 1888, e a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889. Al\u00e9m de apresentar as vis\u00f5es de pesquisadores acerca do racismo no futebol, dessa forma, esta mat\u00e9ria trata das diversas \u00f3ticas sobre como o futebol \u00e9 estudado na Academia. Partindo da hist\u00f3ria sobre o estabelecimento do futebol no Brasil e da proje\u00e7\u00e3o dada ao esporte pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a mat\u00e9ria apresenta\u00e7\u00e3o pontos de vista de pesquisadores sobre a constru\u00e7\u00e3o de \u00eddolos no futebol, o papel das torcidas, as discuss\u00f5es raciais e de g\u00eanero, a rela\u00e7\u00e3o do futebol com a pol\u00edtica e sobre como o esporte se afigura uma arena para as quest\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">COMO O FUTEBOL SE TORNOU PAIX\u00c3O NACIONAL E A HIST\u00d3RIA DA TRANSMISS\u00c3O DAS PARTIDAS\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Criado na Inglaterra, na metade do s\u00e9culo XIX, o futebol chegou ao Brasil por volta de 1894, trazido pelo anglo-brasileiro Charles Miller. Aqui, \u00e0 semelhan\u00e7a do pa\u00eds de origem, o esporte come\u00e7ou a ser praticado pela elite, enquanto n\u00e3o ca\u00eda na gra\u00e7a popular, tornando-se parte caracter\u00edstica da cultura brasileira. O motivo para o futebol ser jogado apenas por uma parcela privilegiada da popula\u00e7\u00e3o era simples: somente os que tinham condi\u00e7\u00f5es de praticar o esporte eram quem podia se deslocar entre uma regi\u00e3o e outra para disputar as partidas.\u00a0 Mas, enquanto na Inglaterra o futebol tornou-se um esporte de massa, em face da industrializa\u00e7\u00e3o crescente, que favoreceu o acesso ao esporte de membros de classes sociais menos favorecidas, como os oper\u00e1rios das f\u00e1bricas inglesas, no Brasil o futebol permaneceu elitizado por muitos anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o livro lan\u00e7ado pela Editora Contexto, <\/span><a href=\"https:\/\/www.editoracontexto.com.br\/produto\/o-futebol-explica-o-brasil-uma-historia-da-maior-expressao-popular-do-pais\/1496657\"><span style=\"font-weight: 400;\">O futebol explica o Brasil: uma hist\u00f3ria da maior express\u00e3o popular do pa\u00eds<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do historiador <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4366111279439659\"><span style=\"font-weight: 400;\">Marcos Guterman<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, no Brasil a elitiza\u00e7\u00e3o do futebol permeou, inclusive, a estrutura do esporte. Praticado por brasileiros e estrangeiros de v\u00e1rias partes do mundo, que moravam em cidades como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, uma elite que impunha severas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular, o futebol n\u00e3o era considerado profissional, nem tinha rivalidades acirradas como as de hoje em dia. Era comum a aristocracia brasileira estar presente aos jogos. Os campos de futebol de ent\u00e3o eram locais onde damas e cavalheiros elegantes faziam banquetes regados a champanhe ap\u00f3s cada partida, segundo Guterman.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A populariza\u00e7\u00e3o do esporte no Brasil apenas aconteceu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com a cria\u00e7\u00e3o de regras mais claras para o futebol e de clubes com estatuto. Alguns jogadores tamb\u00e9m come\u00e7aram a receber pr\u00eamios para disputar partidas. No mesmo per\u00edodo, a massa pobre da sociedade adotou o esporte importado da Inglaterra, que ganhava tra\u00e7os de competi\u00e7\u00e3o. O alto custo da bola de futebol original, importada, fez com que, no Brasil, membros das classes sociais mais baixas utilizassem bolas feitas com bexigas de boi. Em S\u00e3o Paulo, jogava-se futebol na regi\u00e3o da V\u00e1rzea do Carmo, o que deu origem ao termo \u201cfutebol de v\u00e1rzea\u201d, utilizado para designar qualquer pr\u00e1tica amadora de futebol. O aparecimento das primeiras torcidas e sua frequ\u00eancia aos est\u00e1dios trouxe \u00e0 cena vaias a jogadores e a \u00e1rbitros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1910 aconteceu a funda\u00e7\u00e3o do Sport Club Corintian Paulista, um dos mais importantes clubes da \u00e9poca, formado apenas por populares, excluindo a elite. O The Bangu Athletic Club, fundado em 1904, no Rio de Janeiro, tamb\u00e9m j\u00e1 possu\u00eda oper\u00e1rios entre seus atletas, com a diferen\u00e7a de que o time era financiado pelos industriais da regi\u00e3o. O come\u00e7o do novo s\u00e9culo tamb\u00e9m testemunhou o surgimento da equipe de futebol do Clube de Regatas Flamengo, criada no Rio de Janeiro em 1911. Em 1914, por sua vez, foi fundado em S\u00e3o Paulo o clube Palestra It\u00e1lia, renomeado como Sociedade Esportiva Palmeiras, em 1942. Al\u00e9m disso, nesses anos se organizaram os primeiros campeonatos regulares de futebol, como o Campeonato Paulista, em 1902, e a Liga Metropolitana de Football, no Rio de Janeiro, em 1905.\u00a0 No per\u00edodo, o Vasco da Gama, ent\u00e3o apenas um clube de remo, fundiu-se ao clube Lusit\u00e2nia, formando uma equipe de futebol com o primeiro presidente negro da hist\u00f3ria do futebol brasileiro e com v\u00e1rios jogadores negros na equipe. O jogador Arthur Friedenreich, filho de m\u00e3e negra e de pai branco, nascido na Alemanha, era considerado um dos melhores de sua \u00e9poca e refer\u00eancia no futebol brasileiro.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 enraizado na cultura brasileira, o esporte ganhou destaque ao ser transmitido pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Primeiro pelo r\u00e1dio e, mais tarde, pela televis\u00e3o. De acordo com <\/span><a href=\"https:\/\/comunicacaoeesporte.com\/author\/maryrutilli\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">artigo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> da doutora em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6098464035297595\"><span style=\"font-weight: 400;\">Marizandra Rutilli<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado no blog <\/span><a href=\"https:\/\/comunicacaoeesporte.com\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Comunica\u00e7\u00e3o, Esporte e Cultura<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, do Laborat\u00f3rio de Estudos em M\u00eddia e Esporte (LEME), da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), registros sobre as primeiras transmiss\u00f5es esportivas apontam que as partidas de futebol foram transmitidas pelo r\u00e1dio nos anos 1920. \u00c0 \u00e9poca, por\u00e9m, a veicula\u00e7\u00e3o dos jogos era tarefa quase imposs\u00edvel, dada a tecnologia incipiente e a falta de estrutura dos est\u00e1dios ou de pessoal. Havia, ainda, a resist\u00eancia de clubes, que chegaram a proibir as primeiras emissoras de transmitirem as partidas sob o argumento de que o r\u00e1dio geraria concorr\u00eancia ao espet\u00e1culo previsto para acontecer em campo. Temia-se que o p\u00fablico deixaria de frequentar os est\u00e1dios para ouvir os jogos em casa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 19 de julho de 1931, o jornalista Nicolau Tuma fez hist\u00f3ria ao narrar, de forma oficial e ininterrupta, jogo entre as sele\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo e do Paran\u00e1. At\u00e9 ent\u00e3o, as transmiss\u00f5es dos jogos se limitavam a boletins espor\u00e1dicos, que informavam os principais lances. No Vale do Anhangaba\u00fa, em S\u00e3o Paulo, a transmiss\u00e3o foi reproduzida por alto-falantes dispostos por uma confeitaria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fato mais importante na hist\u00f3ria das transmiss\u00f5es do futebol pelo r\u00e1dio, foi, talvez, ainda nos anos 1930, a forma\u00e7\u00e3o da maior cadeia de esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio at\u00e9 ent\u00e3o conhecida, estabelecida para transmitir em rede a partida da sele\u00e7\u00e3o brasileira contra a sele\u00e7\u00e3o polonesa, v\u00e1lida para a Copa do Mundo, direto da Fran\u00e7a. A Rede Verde-Amarela, que contava com emissoras espalhadas por diversos estados do pa\u00eds e recep\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Club do Brasil, do Rio de Janeiro, durou apenas o tempo necess\u00e1rio para a transmiss\u00e3o dos jogos da Copa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A chegada da televis\u00e3o ao Brasil, em 1950, contribuiu ainda mais para a populariza\u00e7\u00e3o do futebol no pa\u00eds devido \u00e0 transmiss\u00e3o das partidas, ainda que de forma prec\u00e1ria. Embora a primeira emissora do pa\u00eds, a TV Tupi, tenha entrado no ar em 18 de setembro de 1950, o primeiro jogo exibido ao vivo no Brasil foi veiculado apenas cinco anos depois. At\u00e9 1958, os brasileiros acompanharam as Copas do Mundo de futebol pelo r\u00e1dio e apenas viam imagens das partidas por meio de filmes de curta dura\u00e7\u00e3o, exibidos na televis\u00e3o e nos cinemas, nos chamados jornais da tela. A pr\u00f3pria Globo somente transmitiu sua primeira partida em novembro de 1965, ainda que apenas duas horas ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do amistoso Brasil e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, realizado no Maracan\u00e3, e somente com arranjo providenciado pelo jornalista Teixeira Heizer, encarregado de comandar a transmiss\u00e3o. O jogo foi gravado em partes, em filmes, e a emissora montou o material. Heizer fez a narra\u00e7\u00e3o por cima das imagens j\u00e1 editadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, o futebol foi se popularizando na r\u00e1dio e na televis\u00e3o brasileiras, at\u00e9 chegar ao atual formato, em que h\u00e1 dias e hor\u00e1rios fixos nas grades das redes, que possuem direitos dos campeonatos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O come\u00e7o da televis\u00e3o por assinatura, na d\u00e9cada de 1990, aumentou ainda mais a oferta de jogos. Hoje \u00e9 poss\u00edvel assistir a transmiss\u00e3o de partidas do mundo inteiro online e n\u00e3o s\u00f3 ao vivo, como tamb\u00e9m assistir suas reprises, em canais de streaming ou pela internet. Algumas emissoras focadas em esporte tamb\u00e9m disponibilizam a transmiss\u00e3o de jogos por meio de redes sociais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao avaliar a interconex\u00e3o da hist\u00f3ria do futebol com os meios de comunica\u00e7\u00e3o no Brasil, o bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e professor titular da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8912160484639720\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ronaldo Helal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, afirma que o r\u00e1dio foi um grande difusor do futebol e seu papel continua forte, mesmo com o advento da televis\u00e3o e com a internet. \u201cO r\u00e1dio \u00e9 um meio que n\u00e3o termina. A gente acha que a TV matou o r\u00e1dio, n\u00e3o\u201d, diz ele, lembrando que, embora as partidas j\u00e1 fossem transmitidas pela televis\u00e3o, era comum ver torcedores acompanhando os jogos no est\u00e1dio com o radinho de pilha pr\u00f3ximo aos ouvidos. \u201c\u00c9 como se o r\u00e1dio fosse a extens\u00e3o daquilo que voc\u00ea estava vendo em campo\u201d, salienta o professor, que frisa a adapta\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio \u00e0 internet. Hoje h\u00e1 v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es que tem canais na internet.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o professor Helal, a internet tamb\u00e9m n\u00e3o p\u00f4s fim ao status do r\u00e1dio. O que aconteceu, explica ele, foi um maior acesso dos torcedores \u00e0s partidas. \u201cA internet contribuiu para o sujeito ter um acompanhamento em tempo real mais pr\u00f3ximo, acompanhar minuto a minuto, ampliou a capacidade de acompanhar seus times\u201d, diz ele, ressaltando tamb\u00e9m as mudan\u00e7as ocorridas entre os torcedores por causa da internet. \u201cHoje existe uma maior europeiza\u00e7\u00e3o do nosso torcedor.\u00a0 A internet fez uma gera\u00e7\u00e3o de torcedores que hoje em dia acompanha muito o futebol europeu. Voc\u00ea vai encontrar um n\u00famero razo\u00e1vel de torcedores que acompanha os campeonatos europeus e acompanha os jogadores que sa\u00edram do Brasil\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e de transmiss\u00f5es, contudo, ainda n\u00e3o suprimiu uma das caracter\u00edsticas mais marcantes do formato de transmiss\u00e3o de futebol de televis\u00e3o, com grande semelhan\u00e7a ao formato do r\u00e1dio: a presen\u00e7a de um locutor, de comentaristas e de rep\u00f3rteres que, juntos, s\u00e3o respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o esportiva. O narrador explica o que ocorre e como acontece, pede a opini\u00e3o ou a an\u00e1lise do comentarista, e os rep\u00f3rteres de campo apresentam detalhes pontuais ou registros t\u00e9cnicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00cdDOLOS HER\u00d3IS E TORCIDAS \u2013 O PAPEL DE CADA UM\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando se fala em futebol, em geral, \u00e9 quase imposs\u00edvel n\u00e3o associar o calor das partidas \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de \u00eddolos e ao papel das torcidas. Desde Arthur Friedenreich, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, v\u00e1rios foram os \u00eddolos eleitos e outros tantos os despojados desse t\u00edtulo no futebol brasileiro. Pel\u00e9, talvez o nome mais emblem\u00e1tico, virou n\u00e3o s\u00f3 \u00eddolo nacional, mas refer\u00eancia mundial do pa\u00eds quando o assunto \u00e9 futebol. As torcidas exercem papel fundamental nessa escolha desde que o esporte se popularizou no pa\u00eds e podem elevar os jogadores \u00e0s alturas ou lan\u00e7\u00e1-los aos lugares mais obscuros de maneira fugaz, assim que se sentirem decepcionadas com o rendimento dos atletas em campo. Tanto \u00e9 assim que o papel dos torcedores e sua influ\u00eancia no futebol t\u00eam sido objeto de pesquisa de profissionais de diferentes \u00e1reas, como a Psicologia e a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Os estudos investigam como a multid\u00e3o pode ser uma vari\u00e1vel que afeta os jogadores e de que forma times de futebol e seus treinadores obt\u00eam os respectivos resultados, sob a influ\u00eancia da torcida presente em est\u00e1dios ou arquibancadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em geral, esses estudos demonstram que a presen\u00e7a da torcida \u00e9 sentida pela maioria dos atletas, de formas diferentes. Alguns deles confessam que a torcida, seja contra ou a favor, interferiu de forma positiva em suas performances. Outros, por seu turno, afirmam se achar pressionados ou tensos com as manifesta\u00e7\u00f5es dos torcedores. H\u00e1 atletas que dizem ter um aumento da motiva\u00e7\u00e3o com o est\u00edmulo da torcida. A chave para essa situa\u00e7\u00e3o, segundo os especialistas, \u00e9 o atleta crer que pode atender \u00e0s exig\u00eancias do ambiente, sabendo usar o que os f\u00e3s fornecem, desde que essa torcida aja de forma satisfat\u00f3ria. A presen\u00e7a do p\u00fablico pode ser um fator importante para o desempenho dos atletas e a busca da vit\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFalar de torcida \u00e9 contemplar uma experi\u00eancia cultural muito importante na sociedade brasileira, um fen\u00f4meno hist\u00f3rico social multifacetado e complexo\u201d, afirma a doutora em Antropologia Cultural e professora da UFF, <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/6614478744956706\"><span style=\"font-weight: 400;\">Rosana Teixeira<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que estuda as torcidas organizadas desde os anos 1990. Ela diz que, sob a denomina\u00e7\u00e3o \u201ctorcida\u201d, podem ser observados diferentes modos de ades\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o e de engajamento, como charangas e torcidas organizadas, entre outros. As organizadas, segundo a professora, se constitu\u00edram entre finais da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio dos anos 1970 j\u00e1 manifestando um comportamento cr\u00edtico e contestador, e foram se transformando ao longo do tempo, tendo em vista conjunturas sociais e pol\u00edticas. \u201cNos \u00faltimos anos, elas t\u00eam sido um observat\u00f3rio privilegiado para a compreens\u00e3o de uma mir\u00edade de quest\u00f5es e problemas sociais, como preconceito racial e as desigualdades de g\u00eanero no futebol\u201d, ressalta a professora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a professora Rosana Teixeira, a paix\u00e3o pelo futebol possibilita experi\u00eancias associativas, como foi a cria\u00e7\u00e3o da <\/span><a href=\"https:\/\/anatorg.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (ANATORG)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, criada em 2014. \u201cVemos a\u00ed a defini\u00e7\u00e3o de projetos e a constru\u00e7\u00e3o de agendas para defender os direitos de torcer e participar do futebol, do espet\u00e1culo futebol\u00edstico cada vez mais elitizado\u201d, observa a professora, salientando que essa associa\u00e7\u00e3o de torcidas tamb\u00e9m contribui para propostas de redu\u00e7\u00e3o de confrontos violentos e para o estabelecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o desses conflitos. \u201cTodos esses exemplos mostram que o futebol espelha e coloca em destaque uma s\u00e9rie de temas e dilemas sociais ou, como afirmava a antrop\u00f3loga Simone Guedes, o futebol produz uma identifica\u00e7\u00e3o coletiva permanente atrav\u00e9s de derrotas e vit\u00f3rias\u201d, completa a professora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora seja a torcida a respons\u00e1vel pela elei\u00e7\u00e3o dos \u00eddolos, a m\u00eddia \u00e9 a respons\u00e1vel pela edi\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do her\u00f3i. Ele \u00e9 quem vai dar o material para os meios de comunica\u00e7\u00e3o, segundo o professor de Comunica\u00e7\u00e3o Social da UERJ, <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8912160484639720\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ronaldo Helal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Ele diz que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que conta para que o atleta seja al\u00e7ado \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de her\u00f3i \u00e9 o que ele faz em campo. \u201cDesde que extracampo n\u00e3o sejam coisas muito s\u00e9rias\u201d, frisa ele. O professor cita o exemplo do ex-jogador Zico. \u201cO Zico n\u00e3o tem como ser esquecido. Est\u00e1 marcado na hist\u00f3ria, [ele] nunca vai deixar de ser \u00eddolo do Flamengo\u201d, diz o professor, que menciona tamb\u00e9m o caso do ex-jogador e hoje senador reeleito pelo estado do Rio de Janeiro, Rom\u00e1rio. Apesar de suas faltas aos treinos, quando ele fazia gols, torcida e m\u00eddia ignoravam essa atitude. O contr\u00e1rio aconteceu com o ex-jogador Adriano, tamb\u00e9m do Flamengo, que em 2010 parou de fazer gols. Ao n\u00e3o demonstrar mais o rendimento esperado, torcida e meios de comunica\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a prestar aten\u00e7\u00e3o ao que ele fazia fora de campo. Essas atividades j\u00e1 existiam e eram conhecidas, mas foram renegadas a segundo plano quando o jogador estava em seu auge porque ele oferecia \u00e0 torcida o que dele era esperado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTorcedores elegem os \u00eddolos. A M\u00eddia vai acompanhando o sentimento da torcida. \u00c9 uma via de m\u00e3o-dupla. O Neymar tem sido criticado no Brasil, mas se fizer um gol na Copa todo mundo esquece\u201d, diz o professor Helal. \u201cO esporte e o futebol s\u00e3o terrenos f\u00e9rteis para a produ\u00e7\u00e3o de \u00eddolos que s\u00e3o her\u00f3is\u201d, analisa o professor, observando que, para ser elevado \u00e0 categoria de her\u00f3i, o jogador deve provar seu car\u00e1ter de conquista. \u201dHer\u00f3i \u00e9 aquele que tem um chamado, uma miss\u00e3o, que supera obst\u00e1culos intranspon\u00edveis e que retorna para casa, dividindo a conquista com seus semelhantes. Aquele atleta que faz um gol de campeonato est\u00e1 dividindo a conquista com a torcida. Tem de ter alguma coisa no objeto mitificado capaz de exercer fasc\u00ednio\u201d, afirma o professor. Ele d\u00e1 o exemplo do jogador Gabigol, atleta do Flamengo e elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u00eddolo no clube devido aos gols que j\u00e1 fez vestindo a camisa do Flamengo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O FUTEBOL COMO REFLEXO DA SOCIEDADE \u2013 RACISMO, HOMOFOBIA, DISCUSS\u00d5ES SOBRE G\u00caNERO\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O racismo constitui uma discuss\u00e3o relevante, quando se trata de futebol. De acordo com a professora <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2869043796354741\"><span style=\"font-weight: 400;\">L\u00edvia Magalh\u00e3es<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, as quest\u00f5es sociais sempre estar\u00e3o presentes no esporte. \u201cCriou-se um mito da democracia racial brasileira, que \u00e9 um mito da pr\u00f3pria sociedade, a ideia de que n\u00f3s somos uma democracia racial. E que o futebol seria um espelho dessa democracia, de que no futebol n\u00e3o existiria essa ideia de racismo, que \u00e9 um espa\u00e7o de igualdade entre negros e brancos, o que n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, afirma a professora. Segundo ela, o esporte exp\u00f5e a quest\u00e3o do nosso racismo estrutural e do individual de forma clara e \u00e9 preciso que pensemos a quest\u00e3o n\u00e3o somente como assunto exclusivo do futebol, mas tamb\u00e9m como uma quest\u00e3o social. \u201cO racismo vai estar presente em todos os aspectos da sociedade brasileira\u201d, completa a professora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com ela concorda a pesquisadora <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0011188883273196\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fernanda Haag<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, doutoranda em Hist\u00f3ria Social, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que estuda a profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol de mulheres no Brasil. Segundo ela, o esporte estabelece rela\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, culturais e econ\u00f4micas e dessas conex\u00f5es aparecem as quest\u00f5es de ra\u00e7a, de classe e de g\u00eanero. \u201cA primeira coisa que temos de ter em mente \u00e9 que o futebol n\u00e3o paira em um v\u00e1cuo. Ent\u00e3o o futebol \u00e9 um ambiente que vai reproduzir machismo se essa sociedade for machista, vai reproduzir racismo se essa sociedade for racista e por a\u00ed vai\u201d, afirma ela. \u201cPodemos perceber isso de maneira estrutural. Por exemplo, quantos jogadores negros n\u00f3s temos em compara\u00e7\u00e3o com a quantidade de t\u00e9cnicos e dirigentes negros, que s\u00e3o cargos de gest\u00e3o ou de maior poder decis\u00f3rio?\u201d, pergunta ela. A pesquisadora atenta para o modo como as coberturas de jogos tratam quest\u00f5es sociais, como o racismo. \u201cQuantas vezes n\u00e3o vemos comentaristas reproduzindo estere\u00f3tipos sobre jogadores negros ou sobre sele\u00e7\u00f5es africanas, por exemplo?\u201d, pergunta Fernanda Haag. \u201cEles [os coment\u00e1rios] parecem que s\u00e3o sobre o jogo, mas na verdade est\u00e3o reproduzindo estere\u00f3tipos de ra\u00e7a\u201d, conclui a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, se manifesta\u00e7\u00f5es racistas ainda s\u00e3o percebidas no futebol, os movimentos coletivos que denunciam a discrimina\u00e7\u00e3o racial v\u00eam ganhando cada vez mais espa\u00e7o, como \u00e9 o caso do <\/span><a href=\"https:\/\/observatorioracialfutebol.com.br\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Observat\u00f3rio da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial no Futebol<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. O Observat\u00f3rio tem o objetivo de monitorar e de divulgar os casos de racismo no esporte, bem como a\u00e7\u00f5es informativas e educativas que contribuam para a erradica\u00e7\u00e3o da intoler\u00e2ncia. Segundo a p\u00e1gina oficial da entidade, \u201co racismo no futebol precisa ser tratado com extrema seriedade e o Observat\u00f3rio almeja tornar-se uma organiza\u00e7\u00e3o que promova o di\u00e1logo entre clubes, entidades, torcidas e movimentos sociais\u201d. Ao lembrar que o futebol transforma vidas, contribui para a aprendizagem, gera empregos e \u00e9 um fator de inclus\u00e3o social, o texto que revela os objetivos do Observat\u00f3rio lembra que o esporte pode ser um agente mobilizador em prol de diferentes causas da sociedade, entre elas a discrimina\u00e7\u00e3o racial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pr\u00f3pria p\u00e1gina do Observat\u00f3rio, \u00e9 poss\u00edvel encontrar relat\u00f3rios anuais de discrimina\u00e7\u00e3o, realizados a partir de 2014 e onde \u00e9 poss\u00edvel se verificar estat\u00edsticas de ocorr\u00eancias no Brasil, al\u00e9m de casos levantados no exterior e na Copa. Apenas no relat\u00f3rio de 2014, ano do primeiro levantamento, por exemplo, foram registradas de forma oficial vinte ocorr\u00eancias de racismo, em campeonatos regionais e no campeonato brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso das mulheres, a discrimina\u00e7\u00e3o por g\u00eanero no futebol n\u00e3o se refere apenas a jogadoras, mas tamb\u00e9m \u00e0s torcedoras, e constituiu um dos obst\u00e1culos que levou ao atraso da profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol feminino. \u201cExistem in\u00fameros estere\u00f3tipos sobre as jogadoras. Elas t\u00eam de se enquadrar, ou \u00e9 musa, ou \u00e9 a ideia de mulher-macho\u201d, diz a pesquisadora Fernanda Haag. Ela ressalta, ainda, a exist\u00eancia de vis\u00f5es pejorativas sobre a modalidade, como a afirma\u00e7\u00e3o de que futebol feminino n\u00e3o d\u00e1 audi\u00eancia. \u201cO que tem se mostrado mentira, cada vez mais.\u00a0 Obviamente isso \u00e9 fruto de um processo hist\u00f3rico\u201d, conclui a pesquisadora. De fato, no caso do futebol feminino, a diferen\u00e7a na profissionaliza\u00e7\u00e3o de jogadoras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos jogadores incluiu a proibi\u00e7\u00e3o de praticar o esporte, o que afetou o desenvolvimento, a visibilidade e a estrutura\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria modalidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O futebol masculino conta com mais de noventa anos de profissionaliza\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1930, durante o primeiro governo do Presidente Get\u00falio Vargas, que tinha uma forte rela\u00e7\u00e3o com trabalho. Na mesma era Vargas em que os homens se profissionalizavam no futebol, as mulheres eram proibidas de praticar determinados esportes em 1941, futebol inclu\u00eddo. Esse impedimento foi reiterado em 1965 e s\u00f3 revogado em 1979. Contudo, a regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol para as mulheres apenas aconteceu em 1983. \u201cE ainda assim no artigo 3\u00ba dessa delibera\u00e7\u00e3o afirmava-se que era vedada no futebol feminino a pr\u00e1tica do profissionalismo\u201d, ressalta Fernanda Haag.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a pesquisadora Haag, os anos 1980 podem ser considerados como de ascens\u00e3o e de consolida\u00e7\u00e3o do futebol de mulheres. \u201cA gente passa a ter torneios regionais, alguns nacionais e, nos anos 1990, a gente tem a abertura de novas possibilidades para o futebol de mulheres: torneios internacionais, Copas do Mundo para as mulheres, participa\u00e7\u00e3o do futebol feminino nas Olimp\u00edadas, uma maior divulga\u00e7\u00e3o. As jogadoras tamb\u00e9m passam a tirar rendimentos do esporte de maneira mais cont\u00ednua\u201d, afirma ela. A pesquisadora observa que o contexto da d\u00e9cada de 1990, com a chegada do Neoliberalismo ao Brasil, afetou a profissionaliza\u00e7\u00e3o das jogadoras porque o pensamento neoliberal, com seu consequente esgar\u00e7amento de rela\u00e7\u00f5es de trabalho em geral, ia na contram\u00e3o de discuss\u00f5es sobre direitos trabalhistas e de condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalho, requisitos b\u00e1sicos para a profissionaliza\u00e7\u00e3o das jogadoras. \u201cH\u00e1 uma intersec\u00e7\u00e3o clara entre quest\u00f5es de g\u00eanero e de classe, porque a gente est\u00e1 falando de trabalho\u201d, salienta Fernanda Haag. Apenas recentemente a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) igualou as di\u00e1rias das premia\u00e7\u00f5es das sele\u00e7\u00f5es feminina e masculina. Contudo, algumas jogadoras da s\u00e9rie A1 do Campeonato Brasileiro ainda n\u00e3o possuem carteira assinada e continua a existir muita precariedade, al\u00e9m de den\u00fancias de descaso e demiss\u00f5es para aquelas que ousam comentar a situa\u00e7\u00e3o de forma aberta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso das torcedoras, tamb\u00e9m h\u00e1 ass\u00e9dio e outras tentativas de deslegitima\u00e7\u00e3o do torcer dessas mulheres, um problema que, de forma um pouco semelhante, atinge a torcida LGBTQIA+. Na tentativa de combater a discrimina\u00e7\u00e3o, o Movimento Mulheres de Arquibancada reuniu, em 2017, cerca de 350 mulheres representantes de torcidas e de coletivos, que buscavam amplificar suas vozes para fortalecer e ampliar espa\u00e7os nas arquibancadas, denunciando o machismo, a homofobia e o sexismo nesses espa\u00e7os. \u201cO sexismo, assim como a visibilidade de outras masculinidades, tamb\u00e9m est\u00e3o em curso e ganham cada vez mais repercuss\u00e3o nas arenas p\u00fablicas e futebol\u00edsticas\u201d, afirma a professora Rosana Teixeira. Ao atentar para o caso da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ nos est\u00e1dios, a professora L\u00edvia Magalh\u00e3es ressalta o fato de o futebol ser considerado um espa\u00e7o de exacerba\u00e7\u00e3o da masculinidade, muitas vezes violenta, o que contribui, por exemplo, para que muitos jogadores n\u00e3o assumam sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. \u201cPorque sabem que \u00e9 um espa\u00e7o mis\u00f3gino, machista, e que sabem que eles v\u00e3o sofrer diversos preconceitos\u201d, completa ela.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisadora Fernanda Haag, por\u00e9m, acredita que o ambiente do futebol pode se configurar um espa\u00e7o anti-racista, feminista, que seja acolhedor com a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. \u201cEle [o futebol] \u00e9 um espa\u00e7o de disputa e que precisa ser ocupado, para que seja, efetivamente, um espa\u00e7o para todos, para todas e para todes\u201d, diz ela, que atenta para as diferen\u00e7as encontradas no \u00e2mbito das pr\u00f3prias torcidas. \u201cAlgo central que a gente precisa lembrar \u00e9 que as torcidas n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 muitas diferen\u00e7as internas, a gente est\u00e1 falando de milh\u00f5es, milhares de pessoas, Dentro das pr\u00f3prias torcidas, vemos pessoas de diferentes classes, ra\u00e7as, g\u00eanero, faixa et\u00e1ria, ideologias, enfim, e \u00e9 preciso que a gente considere essas clivagens em qualquer an\u00e1lise que a gente fa\u00e7a\u201d, complementa ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FUTEBOL, POL\u00cdTICA E RELA\u00c7\u00d5ES INTERNACIONAIS\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando a sele\u00e7\u00e3o brasileira entra em campo na Copa do Mundo 2022, no Quatar, est\u00e1 em discuss\u00e3o tamb\u00e9m o papel do pr\u00f3prio time como imagem de uma na\u00e7\u00e3o. Para alguns pesquisadores, o campo de futebol tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o de rela\u00e7\u00f5es internacionais, como demonstra a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do esporte. A an\u00e1lise sob essa \u00f3tica nos ajuda a entender os significados das derrotas e das conquistas da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol nas Copas do Mundo para o pa\u00eds. A derrota de 1950 e o tricampeonato alcan\u00e7ado em 1970, por exemplo, foram sentidos, respectivamente, como a derrota e a vit\u00f3ria de projetos de na\u00e7\u00e3o, escrevem o bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Ronaldo Helal, e a professora colaboradora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UERJ, <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/5691447225324794\"><span style=\"font-weight: 400;\">Leda Maria da Costa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, em <\/span><a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/conexoes\/article\/view\/8667716\"><span style=\"font-weight: 400;\">artigo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> publicado este ano na Revista Conex\u00f5es, publica\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), que divulga a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em\u00a0 Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e \u00e1reas correlatas. Segundo Helal e Leda da Costa, a sele\u00e7\u00e3o gerava sentimento de pessimismo e de ufanismo, estabelecendo a equa\u00e7\u00e3o futebol-na\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou a diminuir a partir dos anos 1990. \u201cAs narrativas jornal\u00edsticas j\u00e1 n\u00e3o tratam o futebol como meton\u00edmia da na\u00e7\u00e3o. As conquistas de 1994 e de 2002 e a derrota na final de 1998, n\u00e3o transcenderam o universo esportivo. A derrota por 7 a 1 para a Alemanha em 2014 gerou memes, que evidenciavam que a identidade nacional n\u00e3o tinha sido afetada. Em 2018, a elimina\u00e7\u00e3o para a B\u00e9lgica gerou narrativas de ordem t\u00e9cnica\u201d, escrevem eles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO futebol moderno, dos finais do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX, sempre foi um espa\u00e7o de quest\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es internacionais. \u00c9 muito comum se falar na Europa sobre isso\u201d, diz a professora da UFF, L\u00edvia Magalh\u00e3es. Ela lembra que a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (FIFA), em 1904, em Paris, j\u00e1 trazia uma discuss\u00e3o sobre a geopol\u00edtica europeia. A FIFA foi criada na Fran\u00e7a, e n\u00e3o na Inglaterra, considerada o ber\u00e7o do futebol moderno e onde o futebol moderno foi regulamentado. \u00c0 \u00e9poca, o esporte era praticado em outros locais, inclusive no Brasil, e j\u00e1 era um espa\u00e7o de tens\u00e3o e disputas. L\u00edvia Magalh\u00e3es revela que esse ambiente era evidente, no caso da Am\u00e9rica do Sul. \u201cExistiam competi\u00e7\u00f5es com nomes de importantes pol\u00edticos da Am\u00e9rica do Sul, como, por exemplo, a Copa Julio Argentino Roca, que foi presidente da Argentina e, depois, Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Era simplesmente um jogo entre o Brasil e a Argentina, que acontecia ida e volta. Se tivesse empate, acontecia o terceiro jogo, que era um espa\u00e7o de geopol\u00edtica tamb\u00e9m\u201d, lembra a professora. \u201cIsso n\u00e3o bate com uma ideia que se construiu posteriormente, principalmente, acredito eu, depois da segunda metade do s\u00e9culo XX, de a ideia do futebol como espa\u00e7o apol\u00edtico. O espa\u00e7o futebol\u00edstico sempre foi pol\u00edtico\u201d, completa L\u00edvia Magalh\u00e3es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, as v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas tanto de jogadores, como de dirigentes ou de governos que se apropriaram do esporte, utilizando o futebol como forma de diplomacia, demonstram que o espa\u00e7o do futebol n\u00e3o \u00e9 neutro. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), por exemplo, j\u00e1 utilizou diversas vezes o futebol como uma pr\u00e1tica de diplomacia, organizando jogos ou levando jogadores a determinados espa\u00e7os, para a promo\u00e7\u00e3o da paz. Da mesma forma que nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, o esporte tamb\u00e9m serviu aos interesses de pol\u00edtica interna de regimes de governo ao redor do mundo, em diversos momentos da hist\u00f3ria. A Copa de 1934, disputada na It\u00e1lia sob o governo de Benito Mussolini e vencida pela sele\u00e7\u00e3o local, foi usada como momento de propaganda do regime italiano da \u00e9poca. Situa\u00e7\u00e3o semelhante, e muito comparada \u00e0 italiana, foi o caso da Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina. A sele\u00e7\u00e3o argentina foi sagrada campe\u00e3 da competi\u00e7\u00e3o e, sua vit\u00f3ria, associada ao \u00eaxito do ent\u00e3o regime.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, a utiliza\u00e7\u00e3o do futebol pelo governo Vargas e ainda durante os anos 1970 tamb\u00e9m tem sido evidenciada. Segundo L\u00edvia Magalh\u00e3es, Vargas pode ser considerado um presidente do futebol. \u201cEle percebe a import\u00e2ncia do futebol para a constru\u00e7\u00e3o de um projeto de nacionalidade\u201d, afirma a professora. Coordenadora de projeto de pesquisa contemplado pela <\/span><a href=\"http:\/\/memoria2.cnpq.br\/web\/guest\/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&amp;filtro=encerradas&amp;detalha=chamadaDivulgada&amp;idDivulgacao=10362\"><span style=\"font-weight: 400;\">Chamada CNPq\/MCTI\/FNDCT Universal N\u00ba 18\/2021<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, proposta que estuda a mem\u00f3ria e cidade por meio da constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios de futebol no Rio de Janeiro Niter\u00f3i e S\u00e3o Paulo, entre 1937 e 1950, e que envolve pesquisadores de diversas \u00e1reas do conhecimento &#8211;\u00a0 al\u00e9m da UFF, institui\u00e7\u00e3o de origem da professora, a UNICAMP\u00a0 e a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV-RJ) &#8211; \u00a0 L\u00edvia Magalh\u00e3es ressalta a participa\u00e7\u00e3o do governo Vargas na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios e, devido ao vi\u00e9s trabalhista do regime Vargas, a consequente celebra\u00e7\u00e3o da data do Dia do Trabalho, o primeiro de maio, nos est\u00e1dios de S\u00e3o Janu\u00e1rio e do Pacaembu, em S\u00e3o Paulo. No Brasil, outro caso cl\u00e1ssico foi o da vit\u00f3ria do Brasil, campe\u00e3o da Copa do Mundo de 1970, realizada no M\u00e9xico. O governo brasileiro da \u00e9poca tamb\u00e9m capitalizou a vit\u00f3ria, associando-a ao discurso de que ela seria tamb\u00e9m o triunfo do regime. \u201c\u00c9 importante destacar que a associa\u00e7\u00e3o entre esporte e Estado ou determinado governo tamb\u00e9m acontece em momentos de democracia\u201d, frisa L\u00edvia Magalh\u00e3es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todos esses pontos refor\u00e7am a perspectiva de que o futebol j\u00e1 superou h\u00e1 tempos a import\u00e2ncia apenas como modalidade esportiva. S\u00e3o diversos os simbolismos que envolvem a tem\u00e1tica e que t\u00eam sido estudados pela ci\u00eancia para compreender o fen\u00f4meno no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: CNPQ<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Pel\u00e9 e Jairzinho na Copa de 1970 &#8211; divulga\u00e7\u00e3o Fifa<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores falam sobre a hist\u00f3ria do futebol e v\u00e1rias quest\u00f5es que emergem dessa paix\u00e3o nacional: \u00eddolos, her\u00f3is, racismo, homofobia, machismo e pol\u00edtica.\u00a0 Considerado por muitos como paix\u00e3o nacional, o futebol volta a ocupar o centro das aten\u00e7\u00f5es, com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Qatar, emirado do Oriente M\u00e9dio localizado na costa nordeste da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2778,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2777","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2777"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2779,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2777\/revisions\/2779"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2778"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}