{"id":2754,"date":"2022-11-20T14:24:07","date_gmt":"2022-11-20T17:24:07","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2754"},"modified":"2022-11-23T01:42:03","modified_gmt":"2022-11-23T04:42:03","slug":"como-inteligencia-artificial-deepfakes-e-agencias-de-checagem-atuam-na-arena-da-desinformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/11\/20\/como-inteligencia-artificial-deepfakes-e-agencias-de-checagem-atuam-na-arena-da-desinformacao\/","title":{"rendered":"Como intelig\u00eancia artificial, deepfakes e ag\u00eancias de checagem atuam na arena da desinforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2755\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/FakeNews-USP-300x158.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/FakeNews-USP-300x158.webp 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/FakeNews-USP-1024x538.webp 1024w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/FakeNews-USP-768x403.webp 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/FakeNews-USP.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Compreender a natureza das fake news, desde seu surgimento at\u00e9 sua dispers\u00e3o pelas diversas redes, assim como o papel das ag\u00eancias de checagem, que procuram desmascar\u00e1-las, \u00e9 o objetivo do trabalho de p\u00f3s-doutorado de <\/span><a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/7192215883585882\"><span style=\"font-weight: 400;\">Magaly Parreira do Prado, <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">em desenvolvimento no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua pesquisa, que est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o, ela chama a aten\u00e7\u00e3o para mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que provocaram uma revolu\u00e7\u00e3o recente na produ\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o. Um dos efeitos mais importantes dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o deepfake, jun\u00e7\u00e3o das palavras deep learning (aprendizagem profunda, em ingl\u00eas) e fake (que significa falso). Trata-se de uma t\u00e9cnica que junta sons ou imagens de modo a produzir, por meio da intelig\u00eancia artificial, uma m\u00eddia falsa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Magaly afirma que \u201cantes, na deepfake, qualquer um que olhasse um pouco mais atentamente percebia que a palavra n\u00e3o batia com o movimento da boca. Era poss\u00edvel notar que era fake\u201d. Mas a tecnologia chegou a tal ponto que, hoje em dia, essas montagens j\u00e1 quase n\u00e3o conseguem se diferenciar de um v\u00eddeo ou \u00e1udio real. Em seu artigo <\/span><a href=\"https:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/teccogs\/article\/view\/55977\"><span style=\"font-weight: 400;\">Deepfake de \u00e1udio: manipula\u00e7\u00e3o simula voz real para retratar algu\u00e9m dizendo algo que n\u00e3o disse<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, a pesquisadora se debru\u00e7a mais detalhadamente sobre esse tipo de conte\u00fado falso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um outro aspecto considerado relevante por Magaly s\u00e3o os bots (de robots, rob\u00f4s em ingl\u00eas) que, basicamente, s\u00e3o programas pensados para executar a\u00e7\u00f5es repetitivas. Nesse contexto, eles se destinam a espalhar fake news pelas redes sociais. A a\u00e7\u00e3o desses dispositivos contribui para a maior rapidez com que se espalham as not\u00edcias falsas, j\u00e1 que seu uso n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio, mas adv\u00e9m de ordens de pessoas, grupos ou organiza\u00e7\u00f5es que se beneficiam das poss\u00edveis consequ\u00eancias, principalmente pol\u00edticas, de uma fake news bem-sucedida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, a pesquisadora nota que os bots j\u00e1 foram utilizados de maneira ainda mais indiscriminada. Nas redes de trocas de mensagens, por exemplo, n\u00e3o havia nenhum tipo de aviso que indicasse que um texto ou m\u00eddia fora encaminhado v\u00e1rias vezes, algo que j\u00e1 est\u00e1 presente nesses aplicativos. Ainda assim, Magaly acredita que \u00e9 preciso uma regula\u00e7\u00e3o legal mais firme em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fake news.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">PAPEL DAS AG\u00caNCIAS DE CHECAGEM<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde que as fake news come\u00e7aram a se proliferar ao redor do mundo, a sua ant\u00edtese, na forma das ag\u00eancias de checagem, tamb\u00e9m ganharam mais espa\u00e7o. Essas entidades, que podem ser independentes ou ligadas aos ve\u00edculos mais tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o, t\u00eam por objetivo fazer uma esp\u00e9cie de vistoria das not\u00edcias que, por alguma raz\u00e3o, aparentam ser duvidosas. E, com seu trabalho, contribuem de maneira decisiva para uma sociedade bem informada, tanto que o <\/span><a href=\"https:\/\/www.tse.jus.br\/comunicacao\/noticias\/2022\/Fevereiro\/tse-formaliza-renovacao-de-parceria-com-agencias-de-checagem-para-combate-a-desinformacao-nas-eleicoes-2022\"><span style=\"font-weight: 400;\">Tribunal Superior Eleitoral (TSE) renovou sua parceria com as ag\u00eancias no come\u00e7o de 2022<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Magaly, contudo, por meio de sua pesquisa, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que as ag\u00eancias de checagem n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a manuten\u00e7\u00e3o da democracia e do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel. De acordo com a pesquisadora, a tecnologia atual n\u00e3o possibilita que as ag\u00eancias sejam as \u00fanicas a desempenharem essa fun\u00e7\u00e3o. \u201cAs ag\u00eancias de checagem n\u00e3o t\u00eam como acompanhar na mesma velocidade [das fake news]. Al\u00e9m disso, elas n\u00e3o est\u00e3o nos mesmos lugares onde os bots mandam as coisas\u201d, diz a p\u00f3s-doutoranda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra quest\u00e3o \u00e9 a abrang\u00eancia da dissemina\u00e7\u00e3o do material das ag\u00eancias. Magaly argumenta que, por mais que a inten\u00e7\u00e3o dessas associa\u00e7\u00f5es seja boa e at\u00e9 cumprida em alguma medida, muitas vezes elas pecam no alcance. Assim, aquele indiv\u00edduo que utiliza apenas o WhatsApp como canal de comunica\u00e7\u00e3o e est\u00e1 em uma rede de pessoas com uma matriz de pensamento muito parecida com a sua dificilmente receber\u00e1 a checagem feita, ap\u00f3s um \u00e1rduo trabalho de apura\u00e7\u00e3o, pelas ag\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A VERDADE DO FAKE<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na opini\u00e3o de Magaly, o termo fake news n\u00e3o \u00e9 adequado, j\u00e1 que n\u00e3o se trata de not\u00edcia alguma, tendo em vista que a not\u00edcia, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o cont\u00e9m inverdades. O que pode acontecer s\u00e3o erros, tal qual acontece em todas as profiss\u00f5es. O of\u00edcio do jornalista pressup\u00f5e a busca, \u00e9tica mas impar\u00e1vel, da verdade. N\u00e3o existe nenhum profissional respeitado que forja mentiras: se algu\u00e9m faz isso, n\u00e3o se trata de um jornalista, mas de um faker, acredita Magaly.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, fake news, not\u00edcia ou informa\u00e7\u00e3o falsa s\u00e3o termos que n\u00e3o se encaixam na realidade do jornalismo. \u00c9 por esse motivo que Magaly n\u00e3o gosta de usar a express\u00e3o fake news. Ela prefere a nomenclatura \u201cmensagem falsa\u201d. Muita gente acredita que os jornalistas s\u00e3o os respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o e pela propaga\u00e7\u00e3o de fake news, quando, na verdade, eles s\u00e3o os que protegem a sociedade delas. Quando se usa \u201cmensagem falsa\u201d como express\u00e3o alternativa, o preconceito em cima desses profissionais pode ser amenizado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De toda essa onda de desinforma\u00e7\u00e3o na qual vivemos, Magaly cr\u00ea que algo de bom pode ser retirado. Afinal, as pessoas j\u00e1 est\u00e3o mais vacinadas contra esse mal do s\u00e9culo 21. Mesmo com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, hoje \u00e9 mais f\u00e1cil perceber quando uma news \u00e9 fake. E a tecnologia que cria intelig\u00eancias artificiais respons\u00e1veis por espalhar a mentira aos quatro cantos do mundo \u00e9 a mesma que faz com que o <\/span><a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Tudo-sobre\/noticia\/2022\/05\/blockchain-o-que-e-como-funciona-e-para-que-serve-entenda-seo22.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">blockchain <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">possa ser usado como uma prote\u00e7\u00e3o contra a altera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias reais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As fake news s\u00e3o um fen\u00f4meno digital que tem origem, antes de tudo, na mentira pura e simples. Aqui no Brasil, por exemplo, o <\/span><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Plano_Cohen\"><span style=\"font-weight: 400;\">Plano Cohen<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, documento forjado pelos militares para justificar a tomada de poder por Get\u00falio Vargas em 1937, pode ser considerado uma fake news de enorme repercuss\u00e3o e efic\u00e1cia.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/eleicoes\/2022\/pesquisa-eleitoral\/noticia\/2022\/09\/06\/ipec-85percent-dos-brasileiros-acreditam-que-fake-news-podem-influenciar-as-eleicoes-deste-ano.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em pesquisa divulgada em setembro<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> pelo Intelig\u00eancia em Pesquisa e Consultoria Estrat\u00e9gica (Ipec), 85% dos brasileiros reconheceram que as fake news podem ter influenciado as elei\u00e7\u00f5es deste ano. \u00c9 um dado preocupante para a manuten\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito, ainda mais quando <\/span><a href=\"https:\/\/www.techtudo.com.br\/noticias\/2022\/08\/44percent-dos-brasileiros-dizem-receber-fake-news-diariamente-veja-pesquisa.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">44% da popula\u00e7\u00e3o diz receber esse tipo de desinforma\u00e7\u00e3o diariamente<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. As fake news se espalham, segundo dados do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), <\/span><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/tecnologia\/2018\/03\/08\/interna_tecnologia,664835\/fake-news-se-espalham-70-mais-rapido-que-noticias-verdadeiras.shtml\"><span style=\"font-weight: 400;\">70% mais r\u00e1pido que not\u00edcias verdadeiras<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2020, o Senado prop\u00f4s o <\/span><a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/propostas-legislativas\/2256735\"><span style=\"font-weight: 400;\">projeto de lei N\u00ba 2630<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, que ficou conhecido como Lei das Fake News. Se ainda h\u00e1 uma lacuna, ela parece estar sendo preenchida, mesmo que a passos morosos. Mas Magaly faz uma ressalva:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Jornal da USP<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Freepik Thiago Campolina de Sousa\/ Laborat\u00f3rio Ag\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o da ECA-USP<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreender a natureza das fake news, desde seu surgimento at\u00e9 sua dispers\u00e3o pelas diversas redes, assim como o papel das ag\u00eancias de checagem, que procuram desmascar\u00e1-las, \u00e9 o objetivo do trabalho de p\u00f3s-doutorado de Magaly Parreira do Prado, em desenvolvimento no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2755,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2754","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2756,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2754\/revisions\/2756"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}