{"id":2724,"date":"2022-11-13T15:45:46","date_gmt":"2022-11-13T18:45:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2724"},"modified":"2022-11-20T14:22:32","modified_gmt":"2022-11-20T17:22:32","slug":"jailson-bittencourt-de-andrade-alerta-para-a-necessidade-de-enfrentar-o-problema-do-mercurio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/11\/13\/jailson-bittencourt-de-andrade-alerta-para-a-necessidade-de-enfrentar-o-problema-do-mercurio\/","title":{"rendered":"Jailson Bittencourt de Andrade alerta para a necessidade de enfrentar o problema do merc\u00fario\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2733\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jailson_TV_Senado_destaque-1-300x195.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jailson_TV_Senado_destaque-1-300x195.png 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Jailson_TV_Senado_destaque-1.png 367w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em outubro deste ano, a Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) lan\u00e7ou o documento <\/span><a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Revista-GT-Mercurio-pag-simples-site-da-ABC.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">Contamina\u00e7\u00e3o por Merc\u00fario: por que precisamos de um plano de a\u00e7\u00e3o?<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 um alerta para a necessidade urgente de o pa\u00eds voltar a enfrentar o problema do merc\u00fario. Para repercutir o documento, o vice-presidente da ABC e coordenador do estudo, <\/span><a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/jailson-bittencourt-de-andrade\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Jailson Bittencourt de Andrade<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, concedeu entrevista para a TV Senado e abordou as principais quest\u00f5es levantadas. Segundo ele, \u201ca contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario representa uma grave amea\u00e7a a todo o ecossistema do nosso Pa\u00eds, de Norte a Sul e de Leste a Oeste\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A principal fonte de contamina\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 o garimpo, que, segundo dados de 2016, \u00e9 respons\u00e1vel por entre 28 e 64% da utiliza\u00e7\u00e3o do metal. Essa grande varia\u00e7\u00e3o ocorre pela falta de informa\u00e7\u00f5es robustas sobre essa atividade, que ocorre, principalmente, na Amaz\u00f4nia e de forma ilegal. Desde 2016, o problema se acentuou com o sucateamento das entidades fiscalizat\u00f3rias, e \u00e9 prov\u00e1vel que levantamentos futuros encontrem uma situa\u00e7\u00e3o ainda mais alarmante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e tradicionais da Amaz\u00f4nia, cujo sustento se d\u00e1 diretamente dos rios contaminados, s\u00e3o as mais afetadas por essa atividade. Estudos recentes mostraram que <\/span><a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/1660-4601\/18\/17\/9222\"><span style=\"font-weight: 400;\">todos os ind\u00edgenas de tr\u00eas aldeias Munduruku, no Par\u00e1, estavam contaminados pelo metal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Mesmo centros urbanos est\u00e3o sendo afetados, outro trabalho mostrou que <\/span><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/35270508\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">75,6% da popula\u00e7\u00e3o de Santar\u00e9m, tamb\u00e9m no Par\u00e1, apresentavam taxas mais altas de merc\u00fario no sangue do que o recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outros fontes de merc\u00fario s\u00e3o: produ\u00e7\u00e3o de pilhas e baterias alcalinas (1 a 15,3%); produ\u00e7\u00e3o de cimento (4,1 a 5,7%); usos odontol\u00f3gicos (4,7 a 15,5%); lan\u00e7amento de res\u00edduos s\u00f3lidos e l\u00edquidos urbanos (10,3 a 14,9%), entre outros usos. \u201cTendo em vista que j\u00e1 existem alternativas para todos esses usos, o mais respons\u00e1vel a se fazer \u00e9 uma morat\u00f3ria que elimine a utiliza\u00e7\u00e3o do metal, a n\u00e3o ser em ambientes extremamente controlados. \u00c9 o que a ABC prop\u00f5e\u201d, disse Jailson a TV Senado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma vez no ambiente, o merc\u00fario permanece indefinidamente nos ecossistemas e nos organismos, com consequ\u00eancias graves \u00e0 sa\u00fade humana. A circula\u00e7\u00e3o desse metal se d\u00e1 sobretudo por vias atmosf\u00e9ricas, fazendo com que altas concentra\u00e7\u00f5es sejam encontradas no Brasil inteiro, mesmo em regi\u00f5es sem uma fonte significativa de contamina\u00e7\u00e3o. Uma vez no corpo humano, o merc\u00fario se associa \u00e0 enzimas importantes do metabolismo celular, podendo causas complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e, inclusive, ser transmitido de m\u00e3es para beb\u00eas no ventre. \u201cConhecemos in\u00fameros mecanismos de entrada, mas quase nenhum de sa\u00edda\u201d, resumiu o Acad\u00eamico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas erradicar a utiliza\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o \u00e9 suficiente. Considerando a facilidade com que o merc\u00fario se alastra, o problema persistir\u00e1 se n\u00e3o for combatido tamb\u00e9m nos pa\u00edses vizinhos. Nesse sentido, a ABC pede que o Brasil retome imediatamente sua participa\u00e7\u00e3o na Conven\u00e7\u00e3o de Minamata \u2013 tratado de 2013 entre 128 pa\u00edses para restringir e eliminar de produtos com merc\u00fario adicionado \u2013 e estimule o resto da Am\u00e9rica do Sul a fazer o mesmo. \u201cO objetivo do documento \u00e9 fazer um primeiro alerta contundente, mas j\u00e1 estamos trabalhando em relat\u00f3rios mais espec\u00edficos para as diversas camadas do problema\u201d, finalizou Jailson.<\/span><\/p>\n<p><b>Confira as principais recomenda\u00e7\u00f5es da ABC:<\/b><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Retomar a participa\u00e7\u00e3o ativa do Brasil na Conven\u00e7\u00e3o de Minamata, participando significativamente da reda\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o das Avalia\u00e7\u00f5es Globais sobre o Merc\u00fario, bem como da presta\u00e7\u00e3o de contas sobre as a\u00e7\u00f5es realizadas no pa\u00eds.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Atualizar os invent\u00e1rios de emiss\u00e3o de merc\u00fario.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Eliminar e substituir os produtos que cont\u00eam merc\u00fario e para os quais j\u00e1 existem tecnologias alternativas independentes do uso do metal \u2014 realidade de praticamente toda a instrumenta\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e odontologia e de fontes industriais, como a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcalis de tintas.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Banir o garimpo ilegal, tanto por seus impactos sobre o meio ambiente e sa\u00fade como pelos desafios que imp\u00f5e \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Refor\u00e7ar as a\u00e7\u00f5es e medidas punitivas referentes \u00e0 importa\u00e7\u00e3o ilegal do metal \u2014 uma vez que o Brasil n\u00e3o produz merc\u00fario, torna-se mais f\u00e1cil o controle eficiente das importa\u00e7\u00f5es, o que pode ser efetivo na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Incentivar o desenvolvimento e a implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias e inova\u00e7\u00e3o voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de fontes incidentais, onde o merc\u00fario ocorre como impureza.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Desenvolver projetos de pesquisa multidisciplinares voltados \u00e0 sa\u00fade, incluindo toxicologistas ambientais que conhe\u00e7am a bioqu\u00edmica do metal, ec\u00f3logos que tracem seu destino na cadeia alimentar, m\u00e9dicos que abordem os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e aguda, especialistas em sa\u00fade p\u00fablica que analisem padr\u00f5es de grandes popula\u00e7\u00f5es e soci\u00f3logos e antrop\u00f3logos que estudem os impactos da principal fonte de merc\u00fario no planeta (prospec\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o de ouro).<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Formular cen\u00e1rios futuros isentos de exposi\u00e7\u00e3o e subsidiar medidas para melhorar a sustentabilidade do setor pesqueiro quanto \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Em curto prazo, aprimorar as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o setor e governo em consequ\u00eancia das auditorias de qualidade do pescado, como a conduzida mais recente pela Comunidade Europeia. \u00c9 fundamental um cont\u00ednuo monitoramento da contamina\u00e7\u00e3o dos produtos da pesca e da aquicultura e a an\u00e1lise de risco humano \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a metais pelo consumo de produtos da pesca e aquicultura.<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">Articular mecanismos previstos nas organiza\u00e7\u00f5es governamentais regionais, como a Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul) e a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nica (OTCA), e n\u00e3o-governamentais, como a Rede Interamericana de Academias de Ci\u00eancias (Ianas) e a Parceria InterAcademias (IAP), a participar deste esfor\u00e7o e ampliar seu alcance.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><b>Assista a entrevista \u00e0 TV Senado:<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/tRYWp2_LzX4\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/youtu.be\/tRYWp2_LzX4<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Marcos Torres para Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Jos\u00e9 Cruz &#8211; Ag\u00eancia Brasil <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro deste ano, a Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) lan\u00e7ou o documento Contamina\u00e7\u00e3o por Merc\u00fario: por que precisamos de um plano de a\u00e7\u00e3o? \u2013 um alerta para a necessidade urgente de o pa\u00eds voltar a enfrentar o problema do merc\u00fario. 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