{"id":2690,"date":"2022-10-31T14:48:46","date_gmt":"2022-10-31T17:48:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2690"},"modified":"2022-11-03T14:52:03","modified_gmt":"2022-11-03T17:52:03","slug":"estudo-indica-formas-de-produzir-mais-soja-sem-intensificar-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/10\/31\/estudo-indica-formas-de-produzir-mais-soja-sem-intensificar-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Estudo indica formas de produzir mais soja sem intensificar desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2691\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/MilhoSoja-JornalUSP-300x158.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/MilhoSoja-JornalUSP-300x158.webp 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/MilhoSoja-JornalUSP-1024x538.webp 1024w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/MilhoSoja-JornalUSP-768x403.webp 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/MilhoSoja-JornalUSP.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trabalho de professor da USP une conhecimentos de agronomia, bot\u00e2nica e modelos matem\u00e1ticos para propor diferentes maneiras para atingir este objetivo; outros pesquisadores chamam a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da diversidade agr\u00edcola e dos aspectos sociais envolvidos na produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das formas de se diminuir o desmatamento relacionado \u00e0 cultura da soja na Amaz\u00f4nia \u00e9 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de soja por hectare, juntamente com a produ\u00e7\u00e3o de milho, cultivada como uma segunda colheita. A proposta vem calcada em dados de um estudo do professor Fabio Marin, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. No artigo <\/span><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41893-022-00968-8\"><span style=\"font-weight: 400;\">Protecting the Amazon forest and reducing global warming via agricultural intensification<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, publicado na revista Nature Sustainability, o autor traz modelos matem\u00e1ticos que calculam o quanto \u00e9 poss\u00edvel ampliar o rendimento da produ\u00e7\u00e3o a partir do uso de tecnologia no campo e, com isso, diminuir a expans\u00e3o de \u00e1reas cultivadas na regi\u00e3o do Amazonas. Seu trabalho consistiu em avaliar os potenciais de rendimento, isto \u00e9, a quantidade de produ\u00e7\u00e3o de um vegetal por hectare em situa\u00e7\u00f5es \u00f3timas, sem perdas devido a ervas daninhas, insetos e pat\u00f3genos de diversas regi\u00f5es do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fabio Marin trabalha h\u00e1 mais de vinte anos com modelos matem\u00e1ticos aplicados \u00e0 agricultura, principalmente na lavoura de cana de a\u00e7\u00facar, um tipo de monocultura comum no interior do Estado de S\u00e3o Paulo. \u201cMuitas empresas agr\u00edcolas se interessam e aplicam os conceitos e resultados desses estudos. Eles s\u00e3o reconhecidos e validados de diversas formas\u201d, explica o professor. \u201cOs dados de entrada t\u00eam a ver com o clima e o solo. Tamb\u00e9m realizamos experimentos onde observamos as planta\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es \u00f3timas de cultivo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A aplica\u00e7\u00e3o dos modelos para a soja \u00e9 um novo desdobramento de suas pesquisas. Para isso, ele ainda contou com a ajuda de bot\u00e2nicos para compreender a fisiologia da soja e levantou dados de diversos locais de cultivo. Seus c\u00e1lculos mostraram que a regi\u00e3o Sul, tamb\u00e9m chamada de Pampas, j\u00e1 atingiu quase todo seu potencial produtivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O professor Benjamin Os\u00f3rio Filho, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, d\u00e1 alguns detalhes: \u201cNo norte do Estado temos grandes produtividades devido \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o, \u00e0s sementes selecionadas e a um rigoroso controle de pragas. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade de todos os agricultores, somente das grandes fazendas que t\u00eam acesso \u00e0 tecnologia\u201d, diz. O Cerrado e as regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia, por sua vez, apresentam o maior potencial de crescimento, al\u00e9m de possibilitar uma colheita anual dupla, por conta do regime de chuvas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho do professor Fabio Marin explora tr\u00eas cen\u00e1rios diferentes em rela\u00e7\u00e3o ao cultivo de soja e milho durante um per\u00edodo de 15 anos, tempo \u201clongo o suficiente para facilitar a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, investimentos e tecnologias de longo prazo para fechar as lacunas de rendimento, e curto o suficiente para minimizar os efeitos de longo prazo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d,\u00a0 afirma o artigo em quest\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com isso, os resultados obtidos nas tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es para a Amaz\u00f4nia s\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2694\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Gra\u0301fico-JornalUSP-300x158.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Gra\u0301fico-JornalUSP-300x158.webp 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Gra\u0301fico-JornalUSP-1024x538.webp 1024w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Gra\u0301fico-JornalUSP-768x403.webp 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Gra\u0301fico-JornalUSP.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A intensifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, do ponto de vista te\u00f3rico, \u00e9 capaz de aumentar a produtividade de forma significativa sem que seja necess\u00e1rio o aumento do desmatamento. Para Os\u00f3rio Filho, entretanto, alguns pontos do modelo matem\u00e1tico talvez tenham que ser revistos. Por exemplo, a produtividade j\u00e1 \u00e9 afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como ele ressalta sobre a regi\u00e3o Sul: \u201cEm ano de La Ni\u00f1a, como este \u00faltimo ano, a seca foi intensa. A produtividade das \u00e1reas n\u00e3o irrigadas caiu e os reservat\u00f3rios de \u00e1gua dispon\u00edveis para a irriga\u00e7\u00e3o baixaram. Sem \u00e1gua, a produtividade cai. J\u00e1 estamos vivendo a realidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MUDANDO PARADIGMAS<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m da produtividade, outras quest\u00f5es pol\u00edticas urgentes se imp\u00f5em ao pensar na atividade agr\u00edcola na Amaz\u00f4nia, como aponta o professor de Geografia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Fernando Sobrinho: \u201cEstive h\u00e1 uns dias no Acre por conta de meu trabalho de campo e fiquei impressionado porque, em alguns momentos do dia, o c\u00e9u ficava escuro por causa das queimadas. Eles est\u00e3o botando fogo em tudo, sem nenhum controle. Houve um controle da expans\u00e3o agr\u00edcola h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s, mas isso foi deixado de lado neste \u00faltimo governo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, Fernando Sobrinho aponta outra quest\u00e3o sobre a pol\u00edtica internacional no com\u00e9rcio da soja: \u201cEstamos numa mudan\u00e7a de paradigma de consumo. Em alguns anos, a Comunidade Europeia n\u00e3o vai querer a soja que venha da Amaz\u00f4nia, s\u00f3 vai querer soja com certificado. Tem a China, claro, mas sempre \u00e9 um risco vender para um \u00fanico mercado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">DIVERSIDADE AGR\u00cdCOLA E ASPECTOS SOCIAIS<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma outra considera\u00e7\u00e3o pode ser feita a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre monoculturas e sustentabilidade. Para o antrop\u00f3logo da USP Guilherme Moura Fernandes, esses dois termos permanecem contradit\u00f3rios. Ele diz que um dos imperativos para a sobreviv\u00eancia dos ecossistemas, inclusive agr\u00edcolas, \u00e9 a constante promo\u00e7\u00e3o da diversidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apenas sistemas agr\u00edcolas diversos disp\u00f5em de resili\u00eancia frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ao passo que a reprodu\u00e7\u00e3o de sistemas pobres em diversidade, tais como as monoculturas, \u00e9 condicionada ao uso de herbicidas, pesticidas, corre\u00e7\u00f5es do solo e outros insumos externos, cuja produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m depende de elevado consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na contram\u00e3o das monoculturas agr\u00edcolas e florestais est\u00e1 a agrobiodiversidade ou diversidade agr\u00edcola. Essa \u00faltima se relaciona com a sociobiodiversidade, ou seja, a diversidade de modos de vida, saberes e t\u00e9cnicas de cultivo e cria\u00e7\u00e3o desenvolvidos por povos ind\u00edgenas, quilombolas, camponeses e comunidades tradicionais. \u00c9 por isso que ecologia e justi\u00e7a social s\u00e3o fatores indissoci\u00e1veis na busca pela sustentabilidade\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail fabio.marin@usp.br, com o professor F\u00e1bio Marin<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: Jornal da USP &#8211; Ana Fukui, bolsista M\u00eddia Ci\u00eancia Fapesp\/FMUSP<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Edi\u00e7\u00e3o de Jornal da USP &#8211; com imagens de Unsplash<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho de professor da USP une conhecimentos de agronomia, bot\u00e2nica e modelos matem\u00e1ticos para propor diferentes maneiras para atingir este objetivo; outros pesquisadores chamam a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da diversidade agr\u00edcola e dos aspectos sociais envolvidos na produ\u00e7\u00e3o. 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