{"id":2657,"date":"2022-10-24T02:46:35","date_gmt":"2022-10-24T05:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2657"},"modified":"2022-10-25T14:48:53","modified_gmt":"2022-10-25T17:48:53","slug":"pesquisadora-analisa-o-consumo-de-moda-rapida-a-partir-da-economia-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/10\/24\/pesquisadora-analisa-o-consumo-de-moda-rapida-a-partir-da-economia-da-cultura\/","title":{"rendered":"Pesquisadora analisa o consumo de moda r\u00e1pida a partir da economia da cultura"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2658\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-300x200.jpeg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-768x512.jpeg 768w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Sara-IEA-USP-2048x1366.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Estudo da USP traz uma an\u00e1lise do surgimento e as particularidades, no contexto brasileiro, do fast fashion, modelo em que a produ\u00e7\u00e3o, o consumo e o descarte da moda ocorrem de forma acelerada. A pesquisa teve orienta\u00e7\u00e3o da professora Sara Albieri (foto) e foi realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP como doutorado direto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mais do que uma forma de expressividade corporal, a moda \u00e9 uma relevante manifesta\u00e7\u00e3o cultural que perpassa fatores ambientais, sociais e econ\u00f4micos. Em 2020, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil (Abit), o setor t\u00eaxtil e de confec\u00e7\u00e3o obteve um faturamento de R$ 161 bilh\u00f5es, tendo produzido 7,93 bilh\u00f5es de pe\u00e7as, empregado 1,36 milh\u00e3o de trabalhadores diretamente e oito milh\u00f5es de forma indireta. \u00c9 dentro desse contexto que se insere o fast fashion, modelo caracterizado por um ritmo acelerado do fluxo de pe\u00e7as de vestu\u00e1rio, que abrange desde a coleta de mat\u00e9ria-prima para a fabrica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o descarte das roupas. A partir de uma perspectiva da Economia da Cultura, \u00e1rea do conhecimento que estuda os fen\u00f4menos culturais atrav\u00e9s da \u00f3tica econ\u00f4mica, a pesquisadora Ana Paula Nobile Toni analisou o hist\u00f3rico e as particularidades desse modelo de moda no Brasil, al\u00e9m de fazer um levantamento da contribui\u00e7\u00e3o do fast fashion para a economia brasileira. A pesquisa teve orienta\u00e7\u00e3o da professora Sara Albieri e foi realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP como doutorado direto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">De acordo com Ana Paula, o consumo da moda carrega um significado da pessoa, lugar, tempo e contexto social em que est\u00e1 inserido. E \u00e9 durante a d\u00e9cada de 1990 que um novo conceito \u00e9 criado para nomear o modelo da ind\u00fastria da moda que transformou as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, consumo e descarte. Adotado por marcas brasileiras de varejo, o fast fashion se consolidou a partir da globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 processo de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e cultural entre os pa\u00edses gra\u00e7as ao desenvolvimento das tecnologias de transporte e comunica\u00e7\u00e3o. Ocorre o barateamento da produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil nos pa\u00edses industrializados, sobretudo com as rela\u00e7\u00f5es comerciais com pa\u00edses asi\u00e1ticos envolvendo as mat\u00e9rias-primas. Isso permitiu que marcas investissem na confec\u00e7\u00e3o de roupas que remetessem \u00e0 alta costura e tivessem pre\u00e7o final e tempo de uso reduzidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Apesar de o modelo ter surgido j\u00e1 nos anos 1970, o conceito de fast fashion foi cunhado durante a d\u00e9cada de 1990. Com o surgimento da internet e de novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a mundializa\u00e7\u00e3o da economia permitiu que o acesso a realidades e costumes de outros pa\u00edses se tornasse mais tang\u00edvel. \u00c9 quando a ind\u00fastria da moda se adapta para incentivar o consumo de massa. \u201cO fast fashion s\u00f3 foi consolidado a partir da globaliza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Ana Paula ao Jornal da USP. \u201cA maior velocidade com que as informa\u00e7\u00f5es foram transmitidas atrav\u00e9s da internet e tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o fez com que as tend\u00eancias fossem espalhadas de forma muito mais r\u00e1pida.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para realizar o estudo, a pesquisadora fez entrevistas com diversos profissionais das diferentes etapas produtivas da ind\u00fastria da moda, desde a tecelagem ao varejo. Foi utilizada uma t\u00e9cnica de entrevistas da historiadora Verena Alberti que consiste em perguntas n\u00e3o estruturadas que deixam o entrevistado livre para dar respostas extensas. A pesquisa ainda contou com a colabora\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ind\u00fastria T\u00eaxtil (Abit), membros de redes de varejo e da ind\u00fastria t\u00eaxtil.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Ana Paula, \u201ca principal fun\u00e7\u00e3o do fast fashion \u00e9 a democratiza\u00e7\u00e3o da moda, no sentido de ampliar o acesso dos consumidores \u00e0s tend\u00eancias que circulam nas principais capitais do mundo\u201d. Ela conta que as marcas tra\u00e7am suas estrat\u00e9gias de venda a partir dos estilos de vida que buscam atender, de forma que o volume de pe\u00e7as produzidas forne\u00e7a uma gama de op\u00e7\u00f5es para os consumidores. \u201cA cria\u00e7\u00e3o \u00e9 carregada de limita\u00e7\u00f5es e \u00e9 pensada por estrat\u00e9gias de mercado predefinidas\u201d, conta. Isso acarreta a defini\u00e7\u00e3o de elementos como cores e estampas com cerca de 24 meses de anteced\u00eancia, muito antes que as pe\u00e7as tornem-se dispon\u00edveis para compra no varejo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O modelo de neg\u00f3cio \u00e9 <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-modelo-fast-fashion-de-producao-de-vestuario-causa-danos-ambientais-e-trabalho-escravo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-modelo-fast-fashion-de-producao-de-vestuario-causa-danos-ambientais-e-trabalho-escravo\/&amp;source=gmail&amp;ust=1666676394178000&amp;usg=AOvVaw1f3AhDZS4QdldoCCflz3uw\">alvo de cr\u00edticas<\/a> por conta dos impactos ambientais que promove e das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho \u00e0s quais muitos funcion\u00e1rios s\u00e3o submetidos. \u201cO que eu tenho percebido, no entanto, \u00e9 que existe cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o em estreitar a rela\u00e7\u00e3o entre marcas e fornecedores e uma atua\u00e7\u00e3o maior de vistorias para garantir que a lei seja cumprida e haja condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de trabalho\u201d, afirma Ana Paula.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A RESPOSTA DO SLOW FASHION<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em contraponto ao modelo de neg\u00f3cio consolidado na ind\u00fastria, as pr\u00e1ticas de slow fashion visam a desacelerar o consumo, a produ\u00e7\u00e3o e, principalmente, o descarte. Para isso, as iniciativas investem em pe\u00e7as mais duradouras, com tingimento natural e tecidos de material menos biodegrad\u00e1vel, e que possam ser reaproveitadas ap\u00f3s o descarte. Al\u00e9m disso, h\u00e1 o incentivo ao consumo em brech\u00f3s para a reutiliza\u00e7\u00e3o de roupas e materiais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Ana Paula, uma mudan\u00e7a integral para o modelo do slow fashion ainda pode levar muitos anos, apesar das iniciativas individuais de consumo consciente. \u201cSe os instrumentos da Economia da Cultura fossem aplicados \u00e0 ind\u00fastria, isso seria muito interessante para a \u00e1rea de cria\u00e7\u00e3o e viabilizaria uma produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail <a href=\"mailto:nobile.anapaula@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nobile.anapaula@gmail.com<\/a>, com Ana Paula Nobile Toniol<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fonte: Jornal da USP &#8211; por Pedro Ferreira<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Foto: IEA \/ USP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da USP traz uma an\u00e1lise do surgimento e as particularidades, no contexto brasileiro, do fast fashion, modelo em que a produ\u00e7\u00e3o, o consumo e o descarte da moda ocorrem de forma acelerada. 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