{"id":2448,"date":"2022-09-14T09:28:29","date_gmt":"2022-09-14T12:28:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2448"},"modified":"2022-09-19T19:22:28","modified_gmt":"2022-09-19T22:22:28","slug":"quais-sao-os-desafios-do-proximo-governo-na-area-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/09\/14\/quais-sao-os-desafios-do-proximo-governo-na-area-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Quais s\u00e3o os desafios do pr\u00f3ximo governo na \u00e1rea da ci\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1409221663125840.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2449\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1409221663125840.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"697\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1409221663125840.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1409221663125840-300x209.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1409221663125840-768x535.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"post-description\"><strong>Leia entrevista dos cientistas Helena Nader (presidente da ABC) e Alexander Kellner (foto) para o TecMundo.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Confira <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/246258-eleicoes-2022-desafios-proximo-governo-ciencia.htm\">mat\u00e9ria do TecMundo<\/a>\u00a0sobre os cortes or\u00e7ament\u00e1rios na ci\u00eancia brasileira. A presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/helena-bonciani-nader\/\">Helena Bonciani Nader<\/a>, e o Acad\u00eamico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Alexander Kellner<\/a>\u00a0foram entrevistados.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>A ci\u00eancia brasileira precisa de a\u00e7\u00f5es emergenciais. A redu\u00e7\u00e3o do investimento na \u00e1rea nos \u00faltimos anos est\u00e1 levando mais cientistas brasileiros a buscarem uma carreira de pesquisador em outros pa\u00edses, e a falta de dinheiro para manuten\u00e7\u00e3o de universidades p\u00fablicas e outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa faz com que laborat\u00f3rios e equipamentos parem de funcionar ou tenham sua capacidade reduzida.<\/p>\n<p>Segundo um levantamento divulgado em julho deste ano, feito pelo SoU_Ci\u00eancia (Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ci\u00eancia) e o Instituto Serrapilheira, entre 2018 e 2022, 19 de 22 Unidades Or\u00e7ament\u00e1rias que administram recursos na \u00e1rea da ci\u00eancia tiveram queda no or\u00e7amento l\u00edquido.<\/p>\n<p>De acordo com o mesmo levantamento, entre 2018 e 2021, o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es (MCTI) teve um corte de 42,19% nos recursos; o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico), entidade federal de incentivo \u00e0 pesquisa, teve uma queda no or\u00e7amento de 64,92% entre os anos de 2013 e 2021.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro, cientistas defendem que um pr\u00f3ximo governo fa\u00e7a a retomada dos investimentos e o aumento nos valores das bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u2014 sem reajuste h\u00e1 cerca de dez anos \u2014 como maneira de manter jovens cientistas na carreira e no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTemos um d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio grande. Nas universidades federais, teve queda no dinheiro para pagar as contas do dia a dia, como as contas de \u00e1gua e luz e a manuten\u00e7\u00e3o. Os recursos para reformas ca\u00edram 96% nos \u00faltimos cinco anos; os pr\u00e9dios est\u00e3o se deteriorando e surgem riscos de seguran\u00e7a\u201d, diz Soraya Smaili, coordenadora do SoU_Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo Smaili, que \u00e9 farmac\u00eautica e cientista, a falta de financiamento faz com que laborat\u00f3rios de pesquisa n\u00e3o produzam tanto quanto poderiam, ou precisem at\u00e9 ser fechados, pelo menos temporariamente.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma situa\u00e7\u00e3o de muito abandono da \u00e1rea cient\u00edfica. A ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 devidamente valorizada, e a situa\u00e7\u00e3o emergencial \u00e9 generalizada\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Alexander Kellner<\/a>, diretor do Museu Nacional, ligado \u00e0 UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>Para\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Kellner<\/a>, um dos paleont\u00f3logos de maior destaque do Brasil, a\u00e7\u00f5es urgentes s\u00e3o necess\u00e1rias para estancar a fuga de c\u00e9rebros (termo que diz respeito \u00e0 evas\u00e3o de cientistas brasileiros, que v\u00e3o buscar carreira de pesquisador no exterior).<\/p>\n<p>O cientista refor\u00e7a que \u00e9 preciso fazer um aumento substancial nos valores pagos pelas bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o stricto sensu (programas de mestrado e doutorado), \u00e9 a principal maneira de se formar novos cientistas no Brasil. Nesses cursos, feitos na maior parte em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como as universidades federais, os estudantes colocam o m\u00e9todo cient\u00edfico em a\u00e7\u00e3o \u2014 planejam uma pesquisa para resolver um problema, fazem os experimentos e registram os resultados, que podem gerar novos conhecimentos e at\u00e9 produtos inovadores.<\/p>\n<p>Dados de um relat\u00f3rio publicado em 2021 pelo Observat\u00f3rio em Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (OCTI) e pelo Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE) mostram que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira, a 13\u00aa maior do mundo, cresceu 32,2% entre os anos de 2015 e 2021 \u2014 j\u00e1 em um cen\u00e1rio de corte de gastos na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Mesmo com uma produ\u00e7\u00e3o crescente em panorama adverso, as bolsas que s\u00e3o pagas pelo CNPq (principal institui\u00e7\u00e3o de incentivo \u00e0 pesquisa no pa\u00eds) aos estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o t\u00eam reajuste no Brasil h\u00e1 cerca de 10 anos. Segundo a tabela, o valor pago a um aluno do mestrado \u00e9 de R$ 1.500, e a bolsa de um estudante de doutorado \u00e9 de R$ 2.200.<\/p>\n<p>O investimento na infraestrutura, com a recupera\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios e outros espa\u00e7os que promovem a pesquisa cient\u00edfica, tamb\u00e9m \u00e9 apontado como prioridade por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Kellner<\/a>\u00a0e outros cientistas ouvidos pelo TecMundo.<\/p>\n<p>Em setembro de 2018, um inc\u00eandio destruiu boa parte do acervo e do pr\u00e9dio do Museu Nacional, uma das institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mais antigas do pa\u00eds. \u201c\u00c9 fato que o Museu Nacional ficou abandonado por muito tempo, pegou fogo e perdemos muitas coisas que n\u00e3o conseguimos recuperar\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Kellner<\/a>.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que haja o entendimento de que nosso patrim\u00f4nio cient\u00edfico e cultural n\u00e3o pode ser abandonado. \u00c9 preciso pensar seriamente em proteger o que tem valor cient\u00edfico. O Museu Nacional deve ser olhado com carinho; ele pertence \u00e0 sociedade brasileira\u201d, acrescenta o cientista.<\/p>\n<p>O QUE OS CIENTISTAS ESPERAM DO PR\u00d3XIMO GOVERNO?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/helena-bonciani-nader\/\">Helena Nader<\/a>, presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC), afirma que \u00e9 urgente respeitar a constitui\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s temos legisla\u00e7\u00f5es que garantem que a ci\u00eancia e a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o prioridades\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para a biom\u00e9dica e cientista, a pesquisa ocupa papel estrat\u00e9gico no desenvolvimento de um pa\u00eds, e o Brasil est\u00e1 ficando para tr\u00e1s ao deixar de investir na \u00e1rea. \u201cFalta uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de na\u00e7\u00e3o. Sem ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vamos sair da crise\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Nader, o desenvolvimento cient\u00edfico pode tirar o Brasil da depend\u00eancia extrema da tecnologia estrangeira. Setores como sa\u00fade, energia, agricultura e pecu\u00e1ria se beneficiariam de maiores investimentos em ci\u00eancia. \u201cN\u00e3o vamos ser autossuficientes em tudo, mas podemos ser em algumas coisas\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que o novo governo tenha o entendimento de que ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 gasto, \u00e9 investimento. Sem ci\u00eancia, n\u00e3o tem futuro para o pa\u00eds; \u00e9 preciso gerar ci\u00eancia e agregar valor ao que produzimos\u201d, afirma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/alexander-wilhelm-armin-kellner\/\">Kellner<\/a>, do Museu Nacional.<\/p>\n<p>Soraya Smaili, do SoU_Ci\u00eancia, diz que a pandemia do coronav\u00edrus evidenciou a import\u00e2ncia do que a ci\u00eancia pode produzir, desde vacinas a tecidos especiais para m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o facial.<\/p>\n<p>Para que essas solu\u00e7\u00f5es continuem sendo apresentadas \u00e0 sociedade, por\u00e9m, os investimentos precisam ser feitos, diz a cientista. \u201cEu vejo, no futuro, um governo que valoriza a ci\u00eancia e o ensino superior para retomar os investimentos e recuperar uma capacidade que j\u00e1 existe, em um sistema que j\u00e1 mostrou ser capaz de produzir conhecimento e solu\u00e7\u00f5es\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n<p>O QUE DIZEM OS PLANOS DE GOVERNO DOS CANDIDATOS \u00c0 PRESID\u00caNCIA?<\/p>\n<p>Embora os planos de governo dos principais candidatos na corrida presidencial citem a import\u00e2ncia dos investimentos em ci\u00eancia, faltam propostas mais concretas para a \u00e1rea nos documentos. O reajuste das bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, uma das principais demandas dos pesquisadores, por exemplo, n\u00e3o aparece em nenhum momento.<\/p>\n<p>O primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es para presidente acontece no dia 2 de outubro. Caso haja um segundo turno, ser\u00e1 realizado no dia 30 de outubro. No primeiro turno, os eleitores tamb\u00e9m devem escolher seus candidatos para os cargos de governador, senador, deputado estadual e deputado federal \u2014 os tr\u00eas \u00faltimos parte do poder legislativo, que faz as leis.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/link\/helena-bonciani-nader\/\">Helena Nader<\/a>, da ABC, afirma que esse voto tamb\u00e9m define os rumos que a ci\u00eancia do pa\u00eds vai tomar. \u201cAs pessoas precisam entender que quando votam para o cargo de deputado, est\u00e3o dando uma procura\u00e7\u00e3o para que o candidato fale em nome delas. Precisamos cobrar as a\u00e7\u00f5es porque o dinheiro que ser\u00e1 usado \u00e9 nosso\u201d, diz a cientista.<\/p>\n<p>Fonte: Academia Brasileira de Ci\u00eancias \/ TecMundo<\/p>\n<p>Foto:Alexander Kellner &#8211; Ag\u00eanciaSenado<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia entrevista dos cientistas Helena Nader (presidente da ABC) e Alexander Kellner (foto) para o TecMundo. Confira mat\u00e9ria do TecMundo\u00a0sobre os cortes or\u00e7ament\u00e1rios na ci\u00eancia brasileira. A presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC),\u00a0Helena Bonciani Nader, e o Acad\u00eamico\u00a0Alexander Kellner\u00a0foram entrevistados. A ci\u00eancia brasileira precisa de a\u00e7\u00f5es emergenciais. 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