{"id":2424,"date":"2022-09-01T16:36:44","date_gmt":"2022-09-01T19:36:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2424"},"modified":"2022-09-13T16:37:52","modified_gmt":"2022-09-13T19:37:52","slug":"pesquisadora-da-ufba-recebe-premio-internacional-em-geoquimica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/09\/01\/pesquisadora-da-ufba-recebe-premio-internacional-em-geoquimica\/","title":{"rendered":"Pesquisadora da UFBA recebe pr\u00eamio internacional em geoqu\u00edmica"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_0109221662057399.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2425\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_0109221662057399.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_0109221662057399.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_0109221662057399-300x199.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_0109221662057399-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><strong>O estudo \u00e9 da ocean\u00f3grafa Vanessa Hatje, professora do Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">A ocean\u00f3grafa Vanessa Hatje, professora do Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA, recebeu neste ano o pr\u00eamio Paul Gast, importante premia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de geoqu\u00edmica conferida conjuntamente pela Geochemical Society (USA) e pela European Association of Geochemistry. Esse pr\u00eamio \u00e9 concedido a cientistas em meio de carreira por sua contribui\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u2013 o que, no caso especifico da pesquisadora, diz respeito ao trabalho que desenvolve com os chamados \u201celementos terras raras\u201d \u2013 grupo de elementos qu\u00edmicos empregado para estudar a circula\u00e7\u00e3o dos oceanos, o fluxo de part\u00edculas, a origem de sedimentos, al\u00e9m de processos antr\u00f3picos, como a dispers\u00e3o de efluentes hospitalares e dom\u00e9sticos em corpos d\u2019\u00e1gua \u2013 em particular o elemento gadol\u00ednio (Gd).<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>\u201cReceber este pr\u00eamio no momento em que vivemos uma crise t\u00e3o aguda, com falta de recursos, precariza\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas e obscurantismo torna-se ainda mais significativo e, certamente, renovou meu \u00e2nimo para continuar trabalhando e minha esperan\u00e7a que tempos melhores vir\u00e3o\u201d, declarou Vanessa Hatje ao Edgardigital.<\/p>\n<p>Os elementos terras raras (REE- rare earth elements) s\u00e3o um grupo de 17 elementos qu\u00edmicos composto pelos lantan\u00eddeos (que incluem os elementos que v\u00e3o desde o lant\u00e2nio (La) at\u00e9 o lut\u00e9cio (Lu)), al\u00e9m do esc\u00e2ndio (Sc) e \u00edtrio (Y). Este grupo de elementos apresenta\u00a0 propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas similares e, portanto, s\u00e3o analisados em conjunto.<\/p>\n<p>O gadol\u00ednio \u00e9 um elemento utilizado como agente de contraste em exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, que por ser injetado no organismo em uma forma complexada, e \u00e9 eliminado rapidamente pela urina. Este composto n\u00e3o \u00e9 retido nos sistemas de tratamento de esgoto e hoje \u00e9 encontrado contaminando \u00e1guas fluviais, subterr\u00e2neas, marinhas e at\u00e9 \u00e1gua de torneira. O trabalho da cientista paulista come\u00e7ou na Ba\u00eda de S\u00e3o Francisco na Calif\u00f3rnia e, posteriormente, ela veio realizar seus estudos na Ba\u00eda de Todos os Santos e no mar adjacente, al\u00e9m de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A PREMIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A entrega do pr\u00eamio Paul Gast foi feita durante a sess\u00e3o de abertura da Confer\u00eancia Goldschmidt, em julho de 2022, no Hava\u00ed, onde a ocean\u00f3grafa ministrou a palestra plen\u00e1ria de abertura. Ela conta que esse pr\u00eamio foi particularmente simb\u00f3lico. pois Paul Gast, que d\u00e1 o\u00a0 nome ao pr\u00eamio, foi um dos pesquisadores pioneiros a trabalhar com os elementos\u00a0 terras raras.<\/p>\n<p>\u201cPaul Gast usou os elementos terras raras para entender a origem de forma\u00e7\u00e3o do nosso planeta e o fluxo do manto no seu interior. Desde sua primeira utiliza\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o de terras raras cresceu substancialmente, e esse grupo de elementos qu\u00edmicos \u00e9 empregado para estudar a circula\u00e7\u00e3o dos oceanos, o fluxo de part\u00edculas, a origem de sedimentos, al\u00e9m de processos antr\u00f3picos, como a dispers\u00e3o de efluentes hospitalares e dom\u00e9sticos em corpos d\u2019\u00e1gua\u201d, explicou a professora da UFBA.<\/p>\n<p>Tais processos, resultam em impactos antr\u00f3picos, que s\u00e3o todos os impactos positivos ou negativos\u00a0 causados pela a\u00e7\u00e3o do homem, na natureza.<\/p>\n<p><strong>A PALESTRA<\/strong><\/p>\n<p>A palestrante em Goldschmidt faz uma viagem do continente ao oceano, apresentando os padr\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o dos elementos terras raras e os processos que controlam a distribui\u00e7\u00e3o destes elementos nos oceanos.<\/p>\n<p>\u201cUma parte grande da fala foi dedicada a explicar os processos que ocorrem em ecossistemas na interface continente-oceano, que \u00e9 uma regi\u00e3o extremamente din\u00e2mica do ponto de vista qu\u00edmico. Os ecossistemas desta regi\u00e3o s\u00e3o bastante sens\u00edveis e altamente vulner\u00e1veis \u00e0s atividades antr\u00f3picas e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Entre estes ecossistemas est\u00e3o os estu\u00e1rios, manguezais e as gramas marinhas, os quais s\u00e3o ambientes altamente produtivos e diversos\u201d, explica Hatje.<\/p>\n<p>Na palestra, a cientista exemplificou com os estudos que realizou na Ba\u00eda de Todos os Santos para ilustrar uma s\u00e9rie de processos, como por exemplo, como variou o fluxo de deposi\u00e7\u00e3o de terras raras ao longo do tempo no estu\u00e1rio do Rio Jaguaripe. Em outro exemplo, ela apresentou a rela\u00e7\u00e3o e taxa de transfer\u00eancia de terras raras entre os solos e plantas, como as gramas marinhas na regi\u00e3o de Itaparica. Al\u00e9m disso tamb\u00e9m mostrou um estudo in\u00e9dito que revela o comportamento de terras raras ao longo do estu\u00e1rio do Rio Suba\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cDurante a plen\u00e1ria, disse ainda, tamb\u00e9m comparei o comportamento de gadol\u00ednio de origem natural (que ocorre na natureza em uma grande diversidade de minerais, por exemplo, a gadolinita, a monazita e a bastnasita), em rela\u00e7\u00e3o ao Gd de origem antr\u00f3pica, empregado como contraste em exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Para ilustrar este ultimo aspecto, mostrei dados que geramos em regi\u00f5es marinhas pr\u00f3ximas a desembocadura dos emiss\u00e1rios do Rio Vermelho e Boca do Rio\u201d, resumiu a ocean\u00f3grafa.<\/p>\n<p>Entre os estudos que a professora Vanessa Hatje est\u00e1 desenvolvendo no momento est\u00e3o a avalia\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o de gadol\u00ednio em \u00e1guas de torneira em v\u00e1rias regi\u00f5es incluindo o Brasil, Chile, Fran\u00e7a, Espanha, Cro\u00e1cia, entre outros pa\u00edses e o emprego de elementos terras raras e is\u00f3topos de neod\u00edmio como tra\u00e7adores de \u00e1gua no \u00c1rtico e na Ant\u00e1rtica. Elementos terras raras e is\u00f3topos de neod\u00edmio (que \u00e9 um elemento terra rara) s\u00e3o usados como tra\u00e7adores de muitos processos naturais (e.g., circula\u00e7\u00e3o do oceano, fluxos de part\u00edculas, origem de sedimentos) e antr\u00f3picos (dispers\u00e3o de efluentes, como o emiss\u00e1rio do Rio Vermelho, da Embasa).<\/p>\n<p><strong>QUEM \u00c9<\/strong><\/p>\n<p>A professora Vanessa Hatje \u00e9 ocean\u00f3grafa formada pela Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Rio Grande, RS (1993), tendo mestrado em Geoci\u00eancias (Geoqu\u00edmica) pela Universidade Federal Fluminense, RJ (1996) e doutorado em Oceanografia Qu\u00edmica pela Universidade de Sidnei, Austr\u00e1lia (2002). Entre 2003 e 2006, fez p\u00f3s-doutorado por meio do programa PRODOC-CAPES, no Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA. Em fevereiro de 2006, foi contratada como professora do Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA, onde ensina oceanografia qu\u00edmica, polui\u00e7\u00e3o marinha e impactos antr\u00f3picos para alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Orienta alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o nos programas de Ecologia, Qu\u00edmica e Energia e Ambiente da UFBA e coordena os laborat\u00f3rios do Instituto Kirimur\u00ea\/Oceanografia Qu\u00edmica no Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente (CIEnAm), onde desenvolve suas pesquisas,\u00a0 juntamente com alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Grande parte de seus projetos s\u00e3o desenvolvidos nos estu\u00e1rios e manguezais da Ba\u00eda de Todos os Santos, mas tem tamb\u00e9m projetos em mar aberto, tanto no Atl\u00e2ntico (programas de pesquisa Geotraces, Sambar e Pirata), como no \u00c1rtico e Ant\u00e1rtica (Programas\u00a0 de pesquisa Geotraces e Provoccar), onde mapeia processos naturais e antr\u00f3picos. Mais recentemente, tem desenvolvido estudos para avaliar a intera\u00e7\u00e3o entre a biodisponibilidade, bioacumula\u00e7\u00e3o, toxicidade e especia\u00e7\u00e3o de poluentes e estressores associados a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2013 por exemplo, aumento de temperatura, desoxigena\u00e7\u00e3o dos oceanos, aumento de ocorr\u00eancia de eventos extremos, entre outros.<\/p>\n<p>Fonte: UFBA \/ Edgardigital &#8211; Carlos Ribas<\/p>\n<p>Foto: UFBA \/ Edgardigital &#8211;\u00a0 Keith Uehara<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo \u00e9 da ocean\u00f3grafa Vanessa Hatje, professora do Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA. A ocean\u00f3grafa Vanessa Hatje, professora do Departamento de Qu\u00edmica Anal\u00edtica da UFBA, recebeu neste ano o pr\u00eamio Paul Gast, importante premia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de geoqu\u00edmica conferida conjuntamente pela Geochemical Society (USA) e pela European Association of Geochemistry. 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