{"id":2408,"date":"2022-09-11T16:29:43","date_gmt":"2022-09-11T19:29:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2408"},"modified":"2022-09-14T09:29:56","modified_gmt":"2022-09-14T12:29:56","slug":"pesquisa-da-ufba-conquista-o-17o-premio-capes-de-tese-2022-em-saude-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/09\/11\/pesquisa-da-ufba-conquista-o-17o-premio-capes-de-tese-2022-em-saude-coletiva\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFBA conquista o 17\u00ba Pr\u00eamio Capes de Tese 2022 em Sa\u00fade Coletiva"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1109221662921735.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2409\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1109221662921735.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1109221662921735.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1109221662921735-300x148.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/imagem_1109221662921735-768x379.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><strong>O estudo v\u00ea rela\u00e7\u00e3o positiva entre transfer\u00eancia de renda e sa\u00fade de gestantes.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">A principal pol\u00edtica p\u00fablica de transfer\u00eancia de renda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ampliou o acesso a consultas pr\u00e9-natais e ajudou a reduzir em 18% o risco de morte materna entre as mulheres mais pobres, se considerado um per\u00edodo de dez anos ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas. As conclus\u00f5es s\u00e3o do estudo \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do efeito de interven\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social e de sa\u00fade na mortalidade materna entre as mulheres de baixa renda do Brasil\u201d, desenvolvido pela pesquisadora Fl\u00e1via J\u00f4se Alves, egressa do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da UFBA. A pesquisa \u00e9 a vencedora do 17\u00ba Pr\u00eamio Capes de Tese, edi\u00e7\u00e3o 2022, na \u00e1rea da Sa\u00fade Coletiva.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>A 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Capes de Tese reconheceu as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil em 2021, distribu\u00eddas em 49 \u00e1reas do conhecimento. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) teve duas teses vencedoras, e outras duas receberam men\u00e7\u00e3o honrosa.<\/p>\n<p>Defendida em agosto do ano passado, a tese \u00e9 constru\u00edda a partir de tr\u00eas estudos elaborados com metodologias e objetivos espec\u00edficos. Todo o trabalho foi orientado pelo professor Maur\u00edcio Barreto (ISC\/UFBA), coordenador do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz), e coorientado pela professora Dandara Ramos (ISC\/UFBA).<\/p>\n<p>A primeira investiga\u00e7\u00e3o da tese buscou avaliar a associa\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e longo prazo entre a cobertura do Programa Bolsa Fam\u00edlia e a raz\u00e3o de mortalidade materna em 2.548 munic\u00edpios brasileiros, entre os anos de 2004 e 2014. Os resultados mostraram que o programa esteve significativamente associado \u00e0 queda da mortalidade materna, com impacto proporcional aos n\u00edveis de cobertura e tempo de implementa\u00e7\u00e3o do programa. O programa \u201ctamb\u00e9m esteve associado ao aumento do n\u00famero de partos em estabelecimentos de sa\u00fade, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de casos de gesta\u00e7\u00f5es sem nenhuma consulta pr\u00e9-natal e \u00e0 queda na taxa de letalidade hospitalar nos munic\u00edpios analisados\u201d, explica a pesquisadora Fl\u00e1via J\u00f4se Alves.<\/p>\n<p>A segunda investiga\u00e7\u00e3o avaliou o impacto do programa sobre a mortalidade materna na chamada Coorte de 100 milh\u00f5es de Brasileiros, plataforma coordenada pelo Cidacs\/Fiocruz, que re\u00fane registros eletr\u00f4nicos de mais de 100 milh\u00f5es de indiv\u00edduos candidatos a programas de prote\u00e7\u00e3o social no Brasil a partir de dados do Cadastro \u00danico.<\/p>\n<p>O levantamento incluiu, aproximadamente, 6,7 milh\u00f5es de mulheres em idade reprodutiva, de 10 a 49 anos, para o per\u00edodo de 2004 a 2015. Dessas, 4.056 morreram por causas maternas. \u201cOs resultados apontaram que as benefici\u00e1rias tiveram uma chance 18% menor de morte materna quando comparadas \u00e0s n\u00e3o benefici\u00e1rias do programa\u201d, destaca a pesquisadora. Ainda de acordo com o estudo, quanto maior o tempo de acesso ao benef\u00edcio, maior tamb\u00e9m foi a redu\u00e7\u00e3o do risco. O programa tamb\u00e9m elevou as consultas pr\u00e9-natais e o intervalo entre os partos, com maior efeito sobre os grupos de mulheres mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>J\u00e1 a terceira investiga\u00e7\u00e3o buscou avaliar a rela\u00e7\u00e3o entre a cesariana e os riscos de mortalidade materna. A amostra contou com registros de 5,2 milh\u00f5es de brasileiras, com idade entre 10 e 49 anos, e que tiveram filhos nascidos vivos no per\u00edodo de 2011 a 2015. Segundo a pesquisa, a cesariana foi associada a um risco crescente de mortalidade materna, mesmo em grupos em que s\u00e3o esperadas menores taxas e com necessidades de ces\u00e1rea. \u201cO estudo sugere que o uso excessivo de cesariana pode ser um fator de risco para mortalidade materna em compara\u00e7\u00e3o ao parto vaginal\u201d, alerta a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>DA SEMENTE \u00c0 INVESTIGA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Nascida no munic\u00edpio de Itaet\u00ea, no interior da Bahia, Fl\u00e1via J\u00f4se Alves \u00e9 graduada em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestra em Sa\u00fade Comunit\u00e1ria pelo Instituto de Sa\u00fade Coletiva (ISC\/UFBA).<\/p>\n<p>O interesse pelo tema da mortalidade materna surgiu h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, quando ainda realizava a Resid\u00eancia Multiprofissional em Sa\u00fade da Fam\u00edlia pela Escola Bahiana de Medicina e Sa\u00fade P\u00fablica. Na \u00e9poca, Fl\u00e1via participava das reuni\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o da Rede Cegonha no Brasil, programa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de cuidados para aten\u00e7\u00e3o \u00e0s gestantes e pu\u00e9rperas.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a experi\u00eancia e o contato com as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade lan\u00e7aram luz sobre a import\u00e2ncia de investigar o impacto de pol\u00edticas sociais, como o Programa Bolsa Fam\u00edlia, na mortalidade materna e nos seus determinantes. \u201cNossos resultados refor\u00e7am como as pol\u00edticas sociais, ao longo do tempo, podem n\u00e3o apenas reduzir a desigualdade social, mas ter impactos importantes na sa\u00fade\u201d, destaca a pesquisadora se referindo aos resultados da tese de doutorado constru\u00edda ao longo de quatro anos.<\/p>\n<p>Entre os diferenciais do estudo, ela chama aten\u00e7\u00e3o para o uso de bases nacionais de dados em sa\u00fade para a produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre os fatores de risco da mortalidade materna, bem como para a avalia\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para a sua redu\u00e7\u00e3o. \u201cOs dados da Coorte de 100 milh\u00f5es de brasileiros garantiram um poder estat\u00edstico sem precedentes para a avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, tendo o potencial de colaborar para o delineamento de estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o para evitar estes \u00f3bitos considerados, em sua maioria, evit\u00e1veis. Al\u00e9m disso, os dados em painel continuam sendo uma ferramenta poderosa para a avalia\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, o que \u00e9 especialmente importante em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, onde o financiamento \u00e9 limitado\u201d, observa.<\/p>\n<p>Para Fl\u00e1via, as altas taxas de mortalidade materna revelam que ainda n\u00e3o superamos esse grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, fortemente relacionado \u00e0 pobreza e com distribui\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea dos riscos no territ\u00f3rio nacional. Ela tamb\u00e9m alerta para os contextos de pandemia de Covid-19 e instabilidade pol\u00edtica, que afetaram de forma significativa a presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade no Brasil nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso intensificar os esfor\u00e7os para manter e implementar pol\u00edticas sociais adequadas em conjunto com a melhoria da qualidade da assist\u00eancia pr\u00e9-natal e obst\u00e9trica. Buscar uma abordagem global para qualidade e igualdade da sa\u00fade materna, apoiando a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades e a implementa\u00e7\u00e3o de cuidados respeitosos e baseados em evid\u00eancias para todas, \u00e9 uma necessidade urgente\u201d, aponta.<\/p>\n<p><strong>MELHOR TESE NA SA\u00daDE COLETIVA<\/strong><\/p>\n<p>Vencedora na \u00e1rea da Sa\u00fade Coletiva, Fl\u00e1via J\u00f4se Alves concorre agora ao Grande Pr\u00eamio Capes de Tese, que ser\u00e1 outorgado para o melhor trabalho selecionado entre os vencedores da premia\u00e7\u00e3o em tr\u00eas grandes \u00e1reas.<\/p>\n<p>O orientador da tese, professor Maur\u00edcio Barreto (ISC\/UFBA), destaca que o trabalho \u00e9 resultado do esfor\u00e7o pessoal de uma doutoranda brilhante e representa o reconhecimento de uma linha de pesquisa sobre os impactos das pol\u00edticas sociais na sa\u00fade, consolidada pelo Instituto de Sa\u00fade Coletiva da UFBA ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas. \u201cO estudo de Fl\u00e1via est\u00e1 inserido nessa linha de pesquisa ao mostrar os efeitos e os benef\u00edcios do Bolsa Fam\u00edlia num aspecto importante da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o: a sa\u00fade materna. \u00c9 uma vit\u00f3ria para todos n\u00f3s\u201d, comemora.<\/p>\n<p>A professora Dandara Ramos, coorientadora da tese, destaca a qualidade do trabalho desenvolvido, especialmente pelo uso de big data e metodologias de avalia\u00e7\u00e3o de impacto bastante rigorosas para fazer infer\u00eancias sobre o risco da mortalidade materna, em n\u00edvel nacional, com representatividade para toda a popula\u00e7\u00e3o do Cadastro \u00danico.<\/p>\n<p>\u201cA tese tem uma contribui\u00e7\u00e3o muito importante para o campo da Sa\u00fade Coletiva, pois mostra o papel da determina\u00e7\u00e3o social sobre a morte materna e como o Estado, o SUS e as pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o social podem ajudar nesse contexto\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Para a professora, o pr\u00eamio da Capes representa um sinal de resist\u00eancia frente ao desfinanciamento da educa\u00e7\u00e3o e ao sucateamento da pesquisa nos \u00faltimos anos. \u201cFl\u00e1via \u00e9 uma pesquisadora jovem, negra, do interior do nordeste. Esse pr\u00eamio \u00e9 um reconhecimento da sua compet\u00eancia e de todas as institui\u00e7\u00f5es envolvidas na forma\u00e7\u00e3o dos nossos pesquisadores\u201d.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3ximos passos acad\u00eamicos de Fl\u00e1via J\u00f4se tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o tra\u00e7ados. P\u00f3s-doutoranda pelo Cidacs\/Fiocruz, ela viaja neste m\u00eas de setembro para passar um ano nos Estados Unidos, na Universidade de Harvard, onde pretende desenvolver a segunda parte da sua pesquisa sobre a avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas na sa\u00fade mental de jovens no Brasil.<\/p>\n<p>Fonte: UFBA \/ Edgardigital<\/p>\n<p>Foto: Edgardigital \/ Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo v\u00ea rela\u00e7\u00e3o positiva entre transfer\u00eancia de renda e sa\u00fade de gestantes. 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