{"id":2344,"date":"2022-08-02T17:13:11","date_gmt":"2022-08-02T20:13:11","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2344"},"modified":"2022-08-29T17:14:22","modified_gmt":"2022-08-29T20:14:22","slug":"linguas-e-as-formas-de-comunicacao-revelam-tracos-unicos-de-cada-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/08\/02\/linguas-e-as-formas-de-comunicacao-revelam-tracos-unicos-de-cada-comunidade\/","title":{"rendered":"L\u00ednguas e as formas de comunica\u00e7\u00e3o revelam tra\u00e7os \u00fanicos de cada comunidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_3107221659304608.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2345\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_3107221659304608.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_3107221659304608.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_3107221659304608-300x158.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_3107221659304608-768x404.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"post-description\"><strong>Paulo Chagas de Souza explica como surgem as l\u00ednguas e sua forte rela\u00e7\u00e3o com as viv\u00eancias de um povo.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Nas Ilhas Can\u00e1rias, o silbo gomero, uma l\u00edngua assobiada e criada por abor\u00edgenes, chama a aten\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o \u00e9 familiarizado com essa forma de se comunicar. A l\u00edngua era muito utilizada em uma \u00e9poca em que a ilha n\u00e3o tinha nem estradas. Assim, os moradores assobiavam para conversar com os vizinhos entre os penhascos. O professor da USP, Paulo Chagas de Souza, explica como surgem as l\u00ednguas e sua forte rela\u00e7\u00e3o com as viv\u00eancias de um povo.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p><strong>COMO SURGEM AS L\u00cdNGUAS?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Paulo Chagas de Souza, professor do Departamento de Lingu\u00edstica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP, a constru\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua est\u00e1 associada ao contexto geogr\u00e1fico de uma popula\u00e7\u00e3o. Para que ela surja, \u00e9 necess\u00e1rio haver um isolamento entre integrantes de uma mesma comunidade: \u201cSe esse isolamento for mais prolongado, como toda l\u00edngua muda, esses dois grupos que tinham contato e deixam de ter contato v\u00e3o acabar mudando de forma diferente [\u2026], a l\u00edngua deles acaba se desenvolvendo de uma forma diferente\u201d.<\/p>\n<p>Com o isolamento geogr\u00e1fico, as l\u00ednguas se comp\u00f5em com suas pr\u00f3prias particularidades. \u201cCada l\u00edngua carrega o conhecimento de mundo do povo que fala essa l\u00edngua. Por exemplo, conhecimento geogr\u00e1fico na \u00e1rea em que ele mora, conhecimento da fauna, da flora etc.\u201d, explica de Souza.<\/p>\n<p><strong>L\u00cdNGUA \u00c9 CULTURA<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m um exemplo de que a linguagem se reflete diretamente da viv\u00eancia de um povo \u00e9 a l\u00edngua pirah\u00e3, falada pelos ind\u00edgenas pirah\u00e3, no Amazonas, a qual n\u00e3o possui vocabul\u00e1rio para cores. Os n\u00fameros tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam grande utilidade nas aldeias e os objetos s\u00e3o contados entre \u201cpoucos\u201d ou \u201cmuitos\u201d.<\/p>\n<p>O linguista americano Daniel Everett, estudioso da l\u00edngua pirah\u00e3, defende que a gram\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 inata e biol\u00f3gica, e sim uma ferramenta cultural, que muda a partir das necessidades de cada sociedade.<\/p>\n<p>Outra forma de linguagem, dessa vez mais presente no cotidiano de v\u00e1rias pessoas, \u00e9 a linguagem de sinais. E mesmo ela varia entre diferentes regi\u00f5es do globo, dificultando, por exemplo, que brasileiros e americanos se entendam completamente com os sinais. \u201cOs leigos tendem a imaginar que s\u00e3o gestos simplesmente que a gente faz, mas n\u00e3o, s\u00e3o l\u00ednguas, com a gram\u00e1tica pr\u00f3pria, mas que, em vez de usar o ve\u00edculo sonoro, usa esse ve\u00edculo visual que s\u00e3o os gestos\u201d, diz o professor. Ele complementa: \u201cCada pa\u00eds, ou cada regi\u00e3o, vai ter sua pr\u00f3pria l\u00edngua de sinais. N\u00e3o s\u00e3o gestos universais\u201d.<\/p>\n<p><strong>IMPORTANTE PRESERVAR<\/strong><\/p>\n<p>Souza ainda chama a aten\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas, principalmente as que est\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/o-desaparecimento-de-um-idioma-e-o-comeco-do-fim-de-um-povo\/\">amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/a>. De acordo com ele, \u00e9 estimado que aproximadamente metade das l\u00ednguas estejam amea\u00e7adas de deixar de serem faladas at\u00e9 o fim do s\u00e9culo 21, fazendo com que todo o conhecimento de mundo que essas l\u00ednguas carregam sejam perdidos: \u201cPreservar a l\u00edngua \u00e9 preservar a cultura e o conhecimento que as pessoas t\u00eam do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Ana Paula Medeiros &#8211; Jornal da USP<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Chagas de Souza explica como surgem as l\u00ednguas e sua forte rela\u00e7\u00e3o com as viv\u00eancias de um povo. Nas Ilhas Can\u00e1rias, o silbo gomero, uma l\u00edngua assobiada e criada por abor\u00edgenes, chama a aten\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o \u00e9 familiarizado com essa forma de se comunicar. 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