{"id":2298,"date":"2022-07-12T16:52:08","date_gmt":"2022-07-12T19:52:08","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2298"},"modified":"2022-08-29T16:53:14","modified_gmt":"2022-08-29T19:53:14","slug":"peixes-recem-descobertos-na-bacia-amazonica-ja-estao-ameacados-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/07\/12\/peixes-recem-descobertos-na-bacia-amazonica-ja-estao-ameacados-de-extincao\/","title":{"rendered":"Peixes rec\u00e9m-descobertos na Bacia Amaz\u00f4nica j\u00e1 est\u00e3o amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1007221657488555.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2299\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1007221657488555.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1007221657488555.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1007221657488555-300x148.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1007221657488555-768x379.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"post-description\"><strong>A descoberta \u00e9 resultado do empenho de tr\u00eas pesquisadores brasileiros.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Uma aventura cient\u00edfica em rios da Amaz\u00f4nia resultou na descoberta de duas esp\u00e9cies de peixes at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o descritas pela literatura. O achado ganhou as p\u00e1ginas do <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/zoolinnean\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/zoolinnean\/zlac026\/6582520?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\">Zoological Journal of the Linnean Society\u00a0<\/a>e apresenta as novas esp\u00e9cies Poecilocharax callipterus e Poecilocharax rhizophilus. No entanto, o que deveria ser apenas motivo de celebra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m traz uma triste constata\u00e7\u00e3o: as duas novas esp\u00e9cies j\u00e1 se encontram amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o.A descoberta \u00e9 resultado do empenho de tr\u00eas pesquisadores: Priscila Camelier, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Murilo Pastana, p\u00f3s-doutorando pelo Museu Nacional de Hist\u00f3ria Natural, em Washington, nos Estados Unidos; e Willian Ohara, docente da Universidade Federal de Rond\u00f4nia (UNIR). Apesar de hoje estarem em institui\u00e7\u00f5es diferentes, no momento que desenvolveram a pesquisa, entre 2016 e 2017, os tr\u00eas eram doutorandos do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sistem\u00e1tica, Taxonomia Animal e Biodiversidade do Museu de Zoologia da USP.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>O estudo relata que as duas esp\u00e9cies encontradas pertencem a subfam\u00edlia Crenuchinae \u2013 um grupo de peixes de \u00e1gua doce cujos representantes s\u00f3 ocorrem na Bacia Amaz\u00f4nica. \u201cAt\u00e9 publicarmos este trabalho, s\u00f3 havia duas esp\u00e9cies conhecidas para esta subfam\u00edlia, sendo que a \u00faltima foi descrita em 1965. Ou seja, em quase 60 anos, este \u00e9 o primeiro estudo de descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies do grupo\u201d, observa Priscila Camelier, professora do Instituto de Biologia da UFBA.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m conta que, at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o do trabalho, apenas duas esp\u00e9cies do g\u00eanero Poecilocharax eram conhecidas. Com a descoberta, esse n\u00famero foi ampliado para quatro, com um importante destaque: \u201cS\u00e3o as primeiras (e \u00fanicas at\u00e9 o momento) a serem registradas para afluentes da margem direita do Rio Amazonas, que drenam o Escudo Cristalino Brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho tamb\u00e9m se destaca pela combina\u00e7\u00e3o de uso de dados morfol\u00f3gicos \u2013 respons\u00e1veis por descrever, por exemplo, padr\u00e3o de colorido, contagem de escamas e raios de nadadeiras, dados morfom\u00e9tricos \u2013 e dados moleculares \u2013 que re\u00fanem informa\u00e7\u00f5es do genoma. Da\u00ed que a descoberta das novas esp\u00e9cies tamb\u00e9m \u00e9 acompanhada de outros achados. Com essas ferramentas, os pesquisadores viram que ambas as esp\u00e9cies apresentam dimorfismo sexual, ou seja, \u201cmachos e f\u00eameas possuem caracter\u00edsticas f\u00edsicas, al\u00e9m dos \u00f3rg\u00e3os reprodutivos, que nos permitem diferenci\u00e1-los\u201d, explica Camelier.<\/p>\n<p>Outras caracter\u00edsticas tamb\u00e9m ganharam destaque, a exemplo da percep\u00e7\u00e3o que o Poecilocharax callipterus tem machos mais alaranjados que as f\u00eameas, possuindo uma colora\u00e7\u00e3o mais escura, al\u00e9m de nadadeiras dorsais e anais mais alongadas. J\u00e1 em Poecilocharax rhizophilus, os machos t\u00eam listras escuras nas nadadeiras dorsal e anal, que est\u00e3o ausentes nas f\u00eameas.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o tamanho de Poecilocharax rhizophilus nos surpreendeu! Quando vimos a esp\u00e9cie, achamos que t\u00ednhamos coletado apenas indiv\u00edduos jovens, mas quando analisamos o material na lupa observamos que eles j\u00e1 tinham atingido maturidade sexual e se tratavam de adultos, que n\u00e3o chegam a 3 cm de comprimento nesta esp\u00e9cie. Podemos afirmar que Poecilocharax rhizophilus \u00e9 uma esp\u00e9cie de peixe miniatura\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>EXPEDI\u00c7\u00c3O CIENT\u00cdFICA<\/strong><\/p>\n<p>O trabalho de campo que resultou na descoberta das novas esp\u00e9cies envolve uma s\u00e9rie de desafios, desde os mais burocr\u00e1ticos como licen\u00e7as para coletas e de log\u00edsticas, \u00e0 falta de conforto e conex\u00f5es com rede telef\u00f4nica ou de internet, bastante comuns em expedi\u00e7\u00f5es para bacia Amaz\u00f4nica \u2013 o que tamb\u00e9m ocorreu no estudo. Priscila Camelier relembra detalhes do trabalho cient\u00edfico:<\/p>\n<p>\u201cOs eventos de coleta que resultaram na descoberta das esp\u00e9cies que descrevemos s\u00f3 foram poss\u00edveis gra\u00e7as ao apoio financeiro de um importante projeto ao qual est\u00e1vamos vinculados na \u00e9poca, o projeto\u00a0<a href=\"http:\/\/ictio.saci.mz.usp.br\/\">South American Characiformes Inventory (SACI)<\/a>, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e coordenado pelo meu orientador de doutorado, Na\u00e9rcio Aquino Menezes, professor titular da USP. O objetivo principal deste projeto foi amostrar peixes de \u00e1gua doce ao longo da Am\u00e9rica do Sul, com foco na ordem Characiformes, que inclui as piabas, pacus, tra\u00edras, piranhas, piaus etc\u201d. O ponto de partida da expedi\u00e7\u00e3o, conta, foi o munic\u00edpio de Porto Velho (RO).<\/p>\n<p>\u201cA equipe amostrou rios, lagoas e riachos ao longo da rodovia BR-230 (Transamaz\u00f4nica), entre os munic\u00edpios de L\u00e1brea (AM) at\u00e9 Jacareacanga (PA), cobrindo um trecho de cerca de 900 Km de rodovia n\u00e3o pavimentada. Essa regi\u00e3o \u00e9 bastante remota e os principais desafios durante os dias em campo foram os de acampar por boa parte do tempo (o acesso a hot\u00e9is e pousadas na regi\u00e3o \u00e9 extremamente limitado), garantir alimenta\u00e7\u00e3o\/bebida e combust\u00edvel para durar os 15 dias em campo (postos de gasolina tamb\u00e9m s\u00e3o raros ao longo de boa parte da BR), e ter aten\u00e7\u00e3o redobrada para n\u00e3o se acidentar em campo, pois o acesso a hospitais tamb\u00e9m \u00e9 muito limitado na regi\u00e3o. Al\u00e9m das quest\u00f5es de log\u00edstica mencionadas, tamb\u00e9m foram expedi\u00e7\u00f5es nas quais as equipes tiveram de trabalhar com aten\u00e7\u00e3o redobrada para tomar notas de tudo o que estava sendo observado e coletado \u2013 anotar coordenadas geogr\u00e1ficas, preencher cautelosamente as fichas de campo, fotografar os locais de coleta e os peixes amostrados, al\u00e9m de anotar dados gerais sobre o ambiente (turbidez da \u00e1gua, tipo de sedimento, profundidade aproximada dos corpos d\u2019\u00e1gua amostrados)\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cA GENTE S\u00d3 PRESERVA AQUILO QUE CONHECE!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTrabalhos de descri\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies como este que publicamos s\u00e3o essenciais para o estudo da biodiversidade. A ci\u00eancia que tem como objetivo conhecer, descrever e catalogar a biodiversidade \u00e9 a taxonomia, \u00e1rea da biologia que muitas vezes n\u00e3o recebe o valor e aten\u00e7\u00e3o que merece (\u2026). Desde a minha gradua\u00e7\u00e3o em biologia, que fiz aqui na UFBA, eu ou\u00e7o a frase \u2018a gente s\u00f3 preserva aquilo que conhece!\u2019 e, hoje, como estudiosa da biodiversidade e especialista em peixes, vejo o quanto ela \u00e9 verdadeira e, cada vez mais, atual\u201d, comenta Camelier.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga observa que, em raz\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o de rios e riachos, tornou-se cada vez mais comum a descoberta de novas esp\u00e9cies j\u00e1 amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. \u201cIsso significa que a gente mal passa a conhecer a esp\u00e9cie e ela j\u00e1 \u00e9 inclu\u00edda em alguma categoria de amea\u00e7a, o que indica que ela pode desaparecer para sempre a qualquer momento. Isso sem falar das esp\u00e9cies que s\u00e3o extintas antes mesmo de serem conhecidas e pelas quais absolutamente nada p\u00f4de ser feito\u201d, observa.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca tamb\u00e9m que \u00e9 preciso apoio da sociedade na luta pela preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Ela lembra que, no Brasil, as pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o baseadas, principalmente, em lista de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Assim, \u201co trabalho do taxonomista \u00e9 essencial para conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Eu penso nisso sempre e, como eu sou uma otimista de carteirinha, sigo fazendo meu trabalho de taxonomista e ajudando a formar pessoas que fa\u00e7am este tipo de trabalho com todo amor e dedica\u00e7\u00e3o que posso; aos trancos e barrancos, mas resistindo, sempre!\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Fernanda Caldas &#8211; UFBA \/ Edgardigital<\/p>\n<p>Foto: Murilo N.L. Pastana e Willian M. Ohara &#8211; Jornal USP<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A descoberta \u00e9 resultado do empenho de tr\u00eas pesquisadores brasileiros. Uma aventura cient\u00edfica em rios da Amaz\u00f4nia resultou na descoberta de duas esp\u00e9cies de peixes at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o descritas pela literatura. O achado ganhou as p\u00e1ginas do Zoological Journal of the Linnean Society\u00a0e apresenta as novas esp\u00e9cies Poecilocharax callipterus e Poecilocharax rhizophilus. 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