{"id":2274,"date":"2022-07-07T16:38:58","date_gmt":"2022-07-07T19:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2274"},"modified":"2022-08-29T16:40:21","modified_gmt":"2022-08-29T19:40:21","slug":"estudo-alerta-para-aumento-na-temperatura-da-amazonia-e-riscos-a-saude-da-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/07\/07\/estudo-alerta-para-aumento-na-temperatura-da-amazonia-e-riscos-a-saude-da-populacao\/","title":{"rendered":"Estudo alerta para aumento na temperatura da Amaz\u00f4nia e riscos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><strong><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0807221657287063.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2275\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0807221657287063.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0807221657287063.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0807221657287063-300x200.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0807221657287063-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p class=\"post-description\"><strong>Participam do estudo pesquisadores da Ufba e de v\u00e1rias universidades do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">A temperatura do ar na Amaz\u00f4nia registrou aumento m\u00e9dio de 1\u00b0C nos \u00faltimos 30 anos, com impacto mais significativo para as cidades mais populosas da regi\u00e3o. \u00c9 o que revela <a href=\"http:\/\/www.isc.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Boletim-NECS-01.pdf\">um estudo desenvolvido pelo N\u00facleo de Estudos sobre Clima e Sa\u00fade<\/a>, formado por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Fiocruz.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram as m\u00e9dias climatol\u00f3gicas mensais da temperatura do ar para toda a Amaz\u00f4nia Legal (\u00e1rea que engloba nove estados do Brasil pertencentes \u00e0 bacia Amaz\u00f4nica) e para os munic\u00edpios da regi\u00e3o com mais de 100 mil habitantes, em dois per\u00edodos distintos: de 1961 a 1990 e de 1990 a 2020. As informa\u00e7\u00f5es foram coletadas a partir dos registros hist\u00f3ricos do Banco de Dados Meteorol\u00f3gicos do Instituto Nacional de Meteorologia (BDMEP\/INMET).<\/p>\n<p>O comparativo mostrou um aumento m\u00e9dio de 3,4% da temperatura do ar, o que equivale a uma eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1\u00b0C entre os dois per\u00edodos. Apesar de aparentemente pequeno, o aumento da temperatura pode trazer riscos \u00e0 sa\u00fade, como a morbimortalidade por doen\u00e7as cardiovasculares e respirat\u00f3rias, doen\u00e7as renais, desidrata\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de expandir a \u00e1rea de circula\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cCabe ressaltar que esse aumento \u00e9 um valor m\u00e9dio, mas alguns locais certamente experimentaram aumentos acima de 1\u00b0C. Al\u00e9m disso, o aumento foi maior nos per\u00edodos mais secos, que \u00e9 justamente quando ocorrem as queimadas, impactando ainda mais a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o\u201d, explica o pesquisador Ismael Silveira, professor do Instituto de Sa\u00fade Coletiva da UFBA e coordenador do projeto \u201cClima e Sa\u00fade na Amaz\u00f4nia Legal\u201d.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es que registraram maior eleva\u00e7\u00e3o da temperatura foram aquelas localizadas no sentido noroeste da Amaz\u00f4nia Legal, com destaque para o oeste de Roraima e a regi\u00e3o conhecida como Cabe\u00e7a do Cachorro, no Amazonas. Tamb\u00e9m houve aumento de temperatura pr\u00f3ximo \u00e0 costa atl\u00e2ntica, incluindo o estado do Amap\u00e1, Ilha do Maraj\u00f3 e regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m, no nordeste do Par\u00e1. A m\u00e9dia para o per\u00edodo de 1961-1990 mostra ainda um n\u00facleo de temperaturas elevadas na regi\u00e3o metropolitana de Cuiab\u00e1, que avan\u00e7ou significativamente no per\u00edodo de 1991-2020 para mais da metade do estado do Mato Grosso e sudoeste do Tocantins.<\/p>\n<p><strong>ONDAS DE CALOR<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m avaliou a ocorr\u00eancia das ondas de calor nos munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia Legal com mais de 100 mil habitantes. O INMET define ondas de calor quando a temperatura m\u00e1xima di\u00e1ria atinge o valor de 5\u00b0C acima da m\u00e9dia climatol\u00f3gica di\u00e1ria para o per\u00edodo e local de refer\u00eancia, e por, no m\u00ednimo, seis dias consecutivos.<\/p>\n<p>Os dados indicam tend\u00eancia de crescimento ao longo da s\u00e9rie hist\u00f3rica, com ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes, chegando a 690 ondas em 2015, considerado um dos anos mais quentes em todo o per\u00edodo analisado. \u201cEm nossas an\u00e1lises mais recentes, temos percebido que os efeitos das ondas de calor s\u00e3o ainda mais superiores que os efeitos apenas das temperaturas elevadas. Sem o arrefecimento da temperatura, h\u00e1 uma sobrecarga ainda maior sobre o organismo para exercer os mecanismos termorregulat\u00f3rios. Logo, temos um efeito ainda mais elevado sobre a sa\u00fade\u201d, destaca Silveira.<\/p>\n<p>Segundo o professor, o principal fator para o aumento da temperatura e da frequ\u00eancia de ondas de calor \u00e9 o aquecimento global ocasionado pela emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Entretanto, outras quest\u00f5es mais localizadas podem estar contribuindo para esse crescimento, a exemplo do desmatamento, das mudan\u00e7as na cobertura do solo e do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, elevando a temperatura das cidades e a forma\u00e7\u00e3o de ilhas de calor.<\/p>\n<p>\u201cO Painel Intergovernamental sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), \u00f3rg\u00e3o ligado \u00e0 ONU, por meio de relat\u00f3rios publicados periodicamente, tem apontado que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pela humanidade s\u00e3o irrevers\u00edveis, mas ressalta que, se adotadas as medidas necess\u00e1rias para a neutraliza\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, ainda \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar a estabiliza\u00e7\u00e3o da temperatura, evitando consequ\u00eancias ainda maiores sobre diversas dimens\u00f5es da vida\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>OUTROS DESDOBRAMENTOS<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do crescente n\u00famero de estudos sobre os impactos das ondas de calor na sa\u00fade, o professor Ismael Silveira observa que ainda h\u00e1 poucas evid\u00eancias cient\u00edficas direcionadas a pa\u00edses de m\u00e9dia e baixa renda, regi\u00f5es tropicais, com elevada densidade populacional, m\u00faltiplas vulnerabilidades e onde se espera um aumento mais elevado da temperatura e das ondas de calor.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a Amaz\u00f4nia esteja no centro dos debates sobre a crise clim\u00e1tica, principalmente pelo seu papel na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na reten\u00e7\u00e3o de carbono, h\u00e1 pouca discuss\u00e3o sobre os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade de suas popula\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma regi\u00e3o que enfrenta uma sobreposi\u00e7\u00e3o de desafios clim\u00e1ticos, socioambientais e sanit\u00e1rios\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio investir mais em pesquisas que possam contribuir para a promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cPrecisamos ampliar o debate sobre os riscos \u00e0 sa\u00fade relacionados \u00e0 crise clim\u00e1tica para todos os setores da sociedade\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O projeto \u201cClima e Sa\u00fade na Amaz\u00f4nia Legal\u201d est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o e, em breve, outros estudos devem ser publicados pela equipe de pesquisadores. Entre os desdobramentos previstos, est\u00e1 a investiga\u00e7\u00e3o do efeito das ondas de calor com base nas causas de \u00f3bito e em popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, a an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade na regi\u00e3o e os impactos da exposi\u00e7\u00e3o a poluentes atmosf\u00e9ricos decorrentes de queimadas e inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos aprofundar a an\u00e1lise da vulnerabilidade \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas relacionadas a determinantes socioambientais da sa\u00fade, examinar melhor o efeito sobre algumas popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, al\u00e9m da intera\u00e7\u00e3o com outros fatores, como a polui\u00e7\u00e3o do ar e o papel de algumas pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, conclui Silveira.<\/p>\n<p>Fonte: Egberto Siqueira &#8211; UFBA \/ Edgardigital<\/p>\n<p>Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participam do estudo pesquisadores da Ufba e de v\u00e1rias universidades do pa\u00eds. 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