{"id":2271,"date":"2022-06-28T15:14:12","date_gmt":"2022-06-28T18:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2271"},"modified":"2022-08-29T15:15:53","modified_gmt":"2022-08-29T18:15:53","slug":"estudo-desenvolve-escala-de-humanizacao-na-assistencia-a-saude-de-pessoas-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/06\/28\/estudo-desenvolve-escala-de-humanizacao-na-assistencia-a-saude-de-pessoas-trans\/","title":{"rendered":"Estudo desenvolve escala de humaniza\u00e7\u00e3o na assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade de pessoas trans"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2806221656437269.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2272\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2806221656437269.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2806221656437269.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2806221656437269-300x199.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2806221656437269-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"post-description\"><strong>A Escala THcH \u00e9 resultado de pesquisa de mestrado de Ana Clara Guimar\u00e3es, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina e Sa\u00fade da UFBA.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Desinforma\u00e7\u00e3o, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o s\u00e3o dificuldades enfrentadas pela popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero ao buscar cuidados de sa\u00fade, at\u00e9 mesmo entre os profissionais de sa\u00fade. As barreiras aumentam a vulnerabilidade desse grupo de pessoas, impedindo-as de obter cuidados adequados \u00e0 sa\u00fade de modo geral e, especificamente, \u00e0s infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis. Para combater o estigma, visando ampliar o acesso das pessoas trans aos servi\u00e7os de sa\u00fade, foi desenvolvida e validada a Escala THcH (Escala de Humaniza\u00e7\u00e3o na Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade Transg\u00eanero), como produto da pesquisa de mestrado da discente Ana Clara Guimar\u00e3es, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina e Sa\u00fade da Universidade Federal da Bahia, sob a orienta\u00e7\u00e3o dos professores Carlos Brites e Liliane Lins Kusterer.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Como um question\u00e1rio de autorrelato, a escala de r\u00e1pida aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por 14 perguntas, que podem ser preenchidas em 5 minutos. As quest\u00f5es podem \u201cmensurar o grau de humaniza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade ou at\u00e9 de estudantes em forma\u00e7\u00e3o na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o trans\u201d, segundo a professora Liliane Kusterer.<\/p>\n<p>\u201cA padroniza\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de um instrumento capaz mensurar de modo objetivo essas dificuldades pode ser de fundamental import\u00e2ncia para a revers\u00e3o do cen\u00e1rio, possibilitando o desenho e implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias capazes de reverter este processo\u201d, acredita a professora da Faculdade de Medicina da UFBA (FMB-UFBA).<\/p>\n<p>A Escala de Humaniza\u00e7\u00e3o na Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade Transg\u00eanero faz parte de um projeto mais amplo, coordenado por Brites e Kusterer. Ambos prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade de pessoas Trans no Hospital Universit\u00e1rio Professor Edgard Santos e conhecem as dificuldades de acesso dessa popula\u00e7\u00e3o aos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O trabalho de Guimar\u00e3es resultou no artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/full\/10.1089\/trgh.2021.0176\">Development and Validation of a Transgender Health Care Humanization Scale<\/a>\u00a0(Desenvolvimento e Valida\u00e7\u00e3o de uma Escala de Humaniza\u00e7\u00e3o da Assist\u00eancia \u00e0 Sa\u00fade de Transg\u00eaneros), recentemente publicado no reposit\u00f3rio da \u00e1rea da sa\u00fade Mary Ann Liebert Publishers.<\/p>\n<p><strong>CONCEP\u00c7\u00c3O DA PESQUISA<\/strong><\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o para a pesquisa nasceu a partir das observa\u00e7\u00f5es da mestranda Ana Clara Guimar\u00e3es, que \u00e9 farmac\u00eautica e trabalha no setor de Pesquisa em Infectologia (Lapi) do Hospital Universit\u00e1rio Professor Edgard Santos (Hupes). Ela conta que \u201cestava acostumada a lidar com uma popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e, conversando com alguns pacientes e ouvindo suas hist\u00f3rias e relatos, comecei a entender que uma abordagem que parecia para natural para mim n\u00e3o era exatamente uma realidade nos diversos outros setores e servi\u00e7os de sa\u00fade, e que, de fato, havia uma certa dificuldade de acesso da popula\u00e7\u00e3o trans \u00e0 sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>Ao conversar com os professores Carlos Brites e Liliane Kusterer, juntos come\u00e7aram a \u201cpensar em uma maneira de estruturar um instrumento que se propusesse a mensurar a humaniza\u00e7\u00e3o em sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o trans. E assim nasceu a ideia da Escala THcH\u201d.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es pondera que \u201ccomo n\u00e3o existiam outros instrumentos validados para avaliar a percep\u00e7\u00e3o de humaniza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero, nosso objetivo principal foi construir do zero e fazer a valida\u00e7\u00e3o de uma escala de humaniza\u00e7\u00e3o a partir da avalia\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros psicom\u00e9tricos cab\u00edveis para verificar confiabilidade, reprodutibilidade e validade de conte\u00fado\u201d.<\/p>\n<p><strong>DESENVOLVIMENTO DA ESCALA<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u201cfoi realizada uma revis\u00e3o de literatura, a fim de identificar o referencial te\u00f3rico da \u00e1rea, relacionada \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o em sa\u00fade\u201d, contou a pesquisadora. \u201cCriamos um grupo de trabalho multidisciplinar composto por um advogado da \u00e1rea de direitos humanos, um representante social transg\u00eanero, um m\u00e9dico infectologista, uma psicometrista e outros profissionais de sa\u00fade, para elaborar um question\u00e1rio constitu\u00eddo por itens adequados e relevantes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO desenvolvimento da escala passou por diversas etapas de valida\u00e7\u00e3o. A elabora\u00e7\u00e3o dos itens contou com pessoas de \u00e1reas como direitos humanos, sa\u00fade com experi\u00eancia na aten\u00e7\u00e3o a pessoas trans e psicometria especializada em desenvolvimento de question\u00e1rios e valida\u00e7\u00e3o de escalas, al\u00e9m de contar com a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trans\u201d, explicou a professora Kusterer.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s ser criado, o question\u00e1rio foi submetido a uma an\u00e1lise de ju\u00edzes, especialistas em doen\u00e7as infecciosas envolvidos no atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o transexual, que julgaram os itens do instrumento quanto \u00e0 pertin\u00eancia, ao grau de adequa\u00e7\u00e3o ao construto e an\u00e1lise sem\u00e2ntica, visando ao refinamento da escala\u201d, disse Guimar\u00e3es. \u201cComo um question\u00e1rio piloto, aplicamos essa vers\u00e3o da escala a 20 profissionais de sa\u00fade, para que cheg\u00e1ssemos \u00e0 vers\u00e3o final\u201d, explicou a mestranda.<\/p>\n<p>A Escala THcH foi traduzida do portugu\u00eas para o ingl\u00eas e retrotraduzida para o portugu\u00eas. As respostas se apresentam no formato Likert com cinco op\u00e7\u00f5es: (1) Discordo totalmente; (2) Discordo; (3) N\u00e3o concordo nem discordo; (4) Concordo; (5) Concordo totalmente. A vers\u00e3o final da escala THcH foi respondida por 340 profissionais de sa\u00fade, entre os meses de agosto de 2019 e janeiro de 2020.<\/p>\n<p><strong>POSS\u00cdVEL INTERVEN\u00c7\u00c3O NA EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA validade da escala confirmou a hip\u00f3tese de que os seus itens, realmente, medem a humaniza\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade e que a sua confiabilidade lhe permite ser aplicada nos mais diversos setores de sa\u00fade com a garantia de obten\u00e7\u00e3o de resultados semelhantes\u201d, explicou Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Diante de resultados que demonstraram as boas propriedades da Escala THcH, as perspectivas de Ana Clara s\u00e3o de que \u201co trabalho seja parte de um projeto maior\u201d. Ela diz que o \u201cobjetivo agora \u00e9 aprimorar a escala, para que possamos inseri-la nas ferramentas existentes, visando a ajudar a orientar profissionais de sa\u00fade, a ampliar a Pol\u00edtica de Humaniza\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade e a auxiliar na desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o trans\u201d.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, a professora Liliane Kusterer concorda que o instrumento poder\u00e1 mensurar o grau de humaniza\u00e7\u00e3o dos profissionais e tamb\u00e9m de estudantes em forma\u00e7\u00e3o, o que permitir\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de \u201cinterven\u00e7\u00f5es educacionais, visando melhorias na forma\u00e7\u00e3o de quem prestar\u00e1 assist\u00eancia de sa\u00fade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: UFBA \/\u00a0 Josemara Veloso &#8211; Edgardigital<\/p>\n<p>Foto:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.liberationnews.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Womens_March_Washington_DC_USA_7-scaled-e1607294551447.jpg\">Ted Eytan &#8211; Creative Commons &#8211;\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/deed.pt_BR\">https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/deed.pt_BR<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escala THcH \u00e9 resultado de pesquisa de mestrado de Ana Clara Guimar\u00e3es, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina e Sa\u00fade da UFBA. 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