{"id":2259,"date":"2022-07-05T15:08:16","date_gmt":"2022-07-05T18:08:16","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2259"},"modified":"2022-08-29T15:09:39","modified_gmt":"2022-08-29T18:09:39","slug":"cidacs-fiocruz-ba-lanca-indice-de-desigualdades-sociais-para-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/07\/05\/cidacs-fiocruz-ba-lanca-indice-de-desigualdades-sociais-para-covid-19\/","title":{"rendered":"Cidacs\/Fiocruz Ba lan\u00e7a \u00cdndice de Desigualdades Sociais para Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0307221656881771.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2260\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0307221656881771.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0307221656881771.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0307221656881771-300x200.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0307221656881771-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><strong>O estudo mostra um Brasil mais desigual, com uma taxa de mortalidade superior em munic\u00edpios classificados no pior n\u00edvel de desigualdade social em sa\u00fade.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Uma nova maneira de analisar os efeitos das desigualdades sociais em sa\u00fade na pandemia de Covid-19 foi apresentada por pesquisadores do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia) no \u00faltimo dia 30 de junho, com o lan\u00e7amento do \u00cdndice de Desigualdades Sociais para Covid-19 (IDS-COVID-19). Atrav\u00e9s do estudo foi poss\u00edvel visualizar que as diferen\u00e7as entre os munic\u00edpios das regi\u00f5es Norte e Nordeste em compara\u00e7\u00e3o com os do Sul e Sudeste foram aprofundadas desde o in\u00edcio da pandemia, inclusive com uma taxa de mortalidade superior em munic\u00edpios classificados no pior n\u00edvel de desigualdade social em sa\u00fade.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>\u201cAs desigualdades que j\u00e1 existiam previamente foram agu\u00e7adas. \u00c9 muito importante que a gente consiga mensurar as desigualdades, aprender, criar solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o repetirmos os mesmos erros\u201d, destaca Claude Pirmez, pesquisadora titular da Fiocruz e gerente do Programa Grand Challenges Brazil.<\/p>\n<p>Segundo o IDS-COVID-19, o Brasil entrou no per\u00edodo da pandemia j\u00e1 com uma ampla desigualdade entre as regi\u00f5es. Na primeira medida, com dados de fevereiro de 2020, antes da pandemia, 98% dos munic\u00edpios da regi\u00e3o Norte estavam nos agrupamentos 4 e 5, os dois piores grupos classificados pelo IDS-COVID-19. Na regi\u00e3o Sudeste, eram 35% dos munic\u00edpios e no Sul, apenas 7%.<\/p>\n<p>A diretora do Instituto Gon\u00e7alo Moniz (IGM\/Fiocruz Bahia), Marilda Gon\u00e7alves, destacou o grande volume de contaminados e de \u00f3bitos di\u00e1rios e ressaltou a import\u00e2ncia do IDS-COVID-19. \u201cEstamos em uma situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica que se acentuou nesse per\u00edodo. A libera\u00e7\u00e3o desse \u00edndice deve ajudar para cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas importantes para que possamos tomar medidas sobre o que est\u00e1 acontecendo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Outro tema que foi um consenso entre as pessoas convidadas para o evento \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o atual da pandemia no Brasil. \u201cA pandemia n\u00e3o acabou. Estamos morrendo muito de Covid-19. \u00c9 muito importante caracterizar as popula\u00e7\u00f5es, identificar quais os territ\u00f3rios est\u00e3o acontecendo isso\u201d, defende Felipe Ferr\u00e9, assessor t\u00e9cnico do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade (Conass).<\/p>\n<p>Para Maria Yury Ichihara, coordenadora do projeto de pesquisa que construiu o IDS-COVID-19, um dos diferenciais da nova medida \u00e9 o seu ineditismo. \u201cOutros pa\u00edses desenvolveram algumas medidas de vulnerabilidade social para Covid-19, como o Qu\u00eania e a \u00cdndia. Mas n\u00e3o existe uma medida que avalie a desigualdade social em sa\u00fade para Covid-19 no Brasil\u201d, contextualiza. Ainda de acordo com ela falta um estudo em analise como a Covid-19 afetou mais fortemente diferentes subgrupos populacionais.<\/p>\n<p>\u201cEste tem sido o grande movimento do Cidacs, no sentido de entender os efeitos perversos das desigualdades em sa\u00fade em toda sua adversidade e como a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas amenizam essas dificuldades\u201d, explicou Mauricio Barreto, coordenador do Cidacs.<\/p>\n<p><strong>COMO O \u00cdNDICE FOI CONSTRU\u00cdDO?<\/strong><\/p>\n<p>O IDS-COVID-19 foi calculado com base em dados socioecon\u00f4micos, sociodemogr\u00e1ficos e de acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade. Os pesquisadores exploraram bases de dados do Censo Demogr\u00e1fico do IBGE de 2010, bem como do Cadastro Nacional dos Equipamentos de Sa\u00fade (CNES) e do \u00cdndice Brasileiro de Priva\u00e7\u00e3o (IBP), que leva em considera\u00e7\u00e3o a renda, educa\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de domic\u00edlio.<\/p>\n<p>Foram definidas vari\u00e1veis que mais se relacionavam com as desigualdades sociais em sa\u00fade na Covid-19, entre 51 indicadores que foram avaliados pela equipe de pesquisadores. Os dom\u00ednios que comp\u00f5em o IDS-COVID-19, al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es do IBP, s\u00e3o o percentual de popula\u00e7\u00e3o residente em domic\u00edlios com densidade domiciliar maior que 2, o percentual de idosos em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e o percentual de pretos, pardos e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que o IDS-COVID-19 possibilite compreender a situa\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais em sa\u00fade pr\u00e9-existentes e sua evolu\u00e7\u00e3o em tr\u00eas momentos da pandemia identificando as popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas\u201d, sentenciou Maria Yury.<\/p>\n<p><strong>DESIGUALDADES SOCIAIS EM SA\u00daDE SE APROFUNDAM NA PANDEMIA<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a primeira onda da pandemia de Covid-19, somente 3% dos munic\u00edpios da regi\u00e3o Norte conseguiram reduzir as condi\u00e7\u00f5es de desigualdades em sa\u00fade, segundo dados do IDS-COVID-19. Em uma compara\u00e7\u00e3o com munic\u00edpios da regi\u00e3o Sul, por exemplo, 8% deles apresentaram redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. \u201cHouve uma pequena redu\u00e7\u00e3o nos diferentes momentos calculados, mas os munic\u00edpios do Norte e Nordeste j\u00e1 estavam em uma posi\u00e7\u00e3o de alta e muita desigualdade\u201d, explica Rosemeire Fiaccone, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e membro da equipe que construiu o IDS-COVID-19.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Nordeste, a realidade medida pelo IDS-COVID-19 n\u00e3o foi diferente. Em fevereiro de 2020, quase todos os munic\u00edpios, 99%, estavam nos dois piores grupos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de desigualdades sociais em sa\u00fade. Ao longo da pandemia, a regi\u00e3o apresentou uma ligeira redu\u00e7\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o com 95% em julho de 2020, 93% em mar\u00e7o de 2021 e 92% em janeiro de 2022. \u201cOs investimentos talvez n\u00e3o tenham sido suficientes para reduzir essas desigualdades que j\u00e1 existiam no per\u00edodo anterior a pandemia\u201d, demonstrou Rosemeire.<\/p>\n<p>No Sudeste, h\u00e1 mais munic\u00edpios na condi\u00e7\u00e3o de menor desigualdade. Segundo o IDS-COVID-19, cerca de 35% estavam nos dois grupos com a pior desigualdade antes da pandemia. No Sul, n\u00e3o existia nenhum munic\u00edpio no grupo com a maior desigualdade. O IDS-COVID-19 permite an\u00e1lises macrorregionais, estaduais, por microrregi\u00f5es e por regi\u00f5es de sa\u00fade. \u00c9 poss\u00edvel navegar em um painel de visualiza\u00e7\u00e3o para explorar os dados e baixar uma planilha com dados simplificados do \u00cdndice em\u00a0<a href=\"https:\/\/cidacs.bahia.fiocruz.br\/idscovid19\/\">https:\/\/cidacs.bahia.fiocruz.br\/idscovid19\/<\/a><\/p>\n<p>Outra an\u00e1lise importante foi a rela\u00e7\u00e3o entre o IDS-COVID-19 e a taxa de mortalidade acumulada em agrupamentos de munic\u00edpios com perfis semelhantes. \u201cA gente tem uma evid\u00eancia entre maior desigualdade em sa\u00fade medida pelo IDS-COVID-19 e o aumento da mortalidade medida na primeira onda\u201d, explicou Rosemeire.<\/p>\n<p>Envolvimento de p\u00fablicos na pesquisa \u00e9 um marco do IDS-COVID-19<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas do processo de constru\u00e7\u00e3o do IDS-COVID-19 foi a participa\u00e7\u00e3o de diferentes segmentos sociais ao longo da pesquisa, um movimento guiado pelo conceito de engajamento p\u00fablico da ci\u00eancia. \u201cEste esfor\u00e7o do \u00cdndice \u00e9 a pr\u00f3pria cara do SUS. Ele tamb\u00e9m \u00e9 gerido pelos Secret\u00e1rios de Sa\u00fade, mas tem a figura do Conselho Nacional de Sa\u00fade, da participa\u00e7\u00e3o do controle social, que \u00e9 muito importante e a sociedade civil est\u00e1 junto conosco\u201d, destacou Felipe.<\/p>\n<p>Para Sally Boylan, gerente de programas e projetos no Health Data Research UK (HDR UK), a participa\u00e7\u00e3o de diferentes p\u00fablicos foi importante para modelar o projeto em v\u00e1rios est\u00e1gios. \u201cA quest\u00e3o de pesquisa em si tem o tema da equidade em seu cerne e o trabalho levou a inova\u00e7\u00f5es e resultados com potencial para um impacto claro e positivo na pol\u00edtica e interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade direcionadas para proteger os mais vulnerabilizados\u201d, declarou.<\/p>\n<p>D\u00e9bora Ol\u00edmpio, que representou o grupo de membros de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que participa do projeto, falou sobre como o IDS-COVID-19 poder\u00e1 ser \u00fatil para este p\u00fablico. \u201cO projeto \u00e9 uma grande oportunidade para que a gente tenha um marcador em que para que possamos incidir em pol\u00edticas p\u00fablicas e nas gest\u00f5es para saber quais foram as popula\u00e7\u00f5es que foram mais atingidas pela Covid-19\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O coordenador do Cidacs, Mauricio Barreto, tamb\u00e9m destacou a import\u00e2ncia do envolvimento na pesquisa que desenvolveu o IDS-COVID-19. \u201cO \u00edndice nasce na conversa n\u00e3o apenas t\u00e9cnica, mas tamb\u00e9m na intera\u00e7\u00e3o com importantes membros de diferentes setores da sociedade, que participaram e influenciaram na cria\u00e7\u00e3o dele\u201d, disse.<\/p>\n<p>O processo de engajamento p\u00fablico no IDS-COVID-19 est\u00e1 sendo registrado em uma s\u00e9rie documental com quatro epis\u00f3dios. A s\u00e9rie Al\u00e9m do distanciamento: Di\u00e1logos para entender as desigualdades na pandemia de Covid-19 ser\u00e1 lan\u00e7ado em novembro de 2022.<\/p>\n<p>Fonte: Cidasc\/Fiocruz Bahia<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo mostra um Brasil mais desigual, com uma taxa de mortalidade superior em munic\u00edpios classificados no pior n\u00edvel de desigualdade social em sa\u00fade. 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