{"id":2061,"date":"2022-05-03T16:04:24","date_gmt":"2022-05-03T19:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2061"},"modified":"2022-08-04T16:05:18","modified_gmt":"2022-08-04T19:05:18","slug":"estudo-aponta-probabilidade-de-novas-variantes-mais-perigosas-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/05\/03\/estudo-aponta-probabilidade-de-novas-variantes-mais-perigosas-da-covid-19\/","title":{"rendered":"Estudo aponta probabilidade de novas variantes mais perigosas da covid-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2304201587668391.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1848\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2304201587668391.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"562\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2304201587668391.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2304201587668391-300x169.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2304201587668391-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pesquisadores da USP e do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas preveem que novas variantes do v\u00edrus ser\u00e3o resistentes ao sistema imune e com maior potencial de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Por mais que o momento seja de relaxamento das medidas de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19 em todo o mundo, especialistas preveem que novas variantes do coronav\u00edrus podem estar por vir nos pr\u00f3ximos meses, driblando a capacidade do sistema imune de cont\u00ea-las. Esta \u00e9 a conclus\u00e3o de um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP, em parceria com o Instituto de Qu\u00edmica (IQ) da USP e o Hospital S\u00edrio Liban\u00eas. Publicado na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/1999-4915\/14\/4\/827\">Viruses<\/a>\u00a0no dia 16 de abril, o estudo traz uma revis\u00e3o de mais de 150 artigos sobre o sars-cov-2. Foram analisados diversos aspectos do v\u00edrus, como seu potencial de muta\u00e7\u00e3o, a capacidade de controle do sistema imune, a transmissibilidade e a efic\u00e1cia das vacinas. \u201cA principal conclus\u00e3o a que chegamos \u00e9 que n\u00e3o devemos deixar o v\u00edrus circular, porque n\u00e3o sabemos como ser\u00e3o as variantes nos pr\u00f3ximos meses\u201d, afirma Cristiane Guzzo, professora do departamento de Microbiologia do ICB e pesquisadora principal do artigo.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Segundo ela, \u00e9 um erro acreditar que a pandemia est\u00e1 sob controle e que n\u00e3o se trata mais de uma emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, como anunciou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no \u00faltimo dia 18. \u201cEstamos em uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para os pr\u00f3ximos meses \u2013 quando a imunidade criada pelas doses de refor\u00e7o das vacinas e pelo alto \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o da \u00d4micron permanecer\u00e1 alta. Mas depois a tend\u00eancia \u00e9 que as pessoas comecem a se infectar novamente e a\u00ed ficaremos sujeitos ao surgimento de variantes ainda mais contagiosas e fortes do que as que conhecemos, o que diminui a efic\u00e1cia das vacinas. Como n\u00e3o temos como prever como ser\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia e como as novas variantes v\u00e3o se comportar, todo o cuidado ainda precisa ser feito pela sociedade de forma a evitar a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>MAIS PERIGOSO<\/strong><\/p>\n<p>No estudo, foi observado que o coronav\u00edrus \u00e9 ainda mais mut\u00e1vel do que se imaginava. Isso porque a prote\u00edna Spike, parte superficial do v\u00edrus que faz contato com as c\u00e9lulas humanas, segue evoluindo. \u201cIdentificamos em primeira m\u00e3o que 9,5% das muta\u00e7\u00f5es produzidas pelas variantes est\u00e3o localizadas na regi\u00e3o N Terminal (NTD) da prote\u00edna. Isso mostra que estas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o diretamente associadas \u00e0 intera\u00e7\u00e3o ao receptor humano ACE2, mas afeta principalmente a capacidade dos anticorpos humanos reconhecerem o v\u00edrus\u201d, afirma Cristiane.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m constataram um n\u00famero expressivo de muta\u00e7\u00f5es (7,7%) localizadas na regi\u00e3o RDB, regi\u00e3o que promove a intera\u00e7\u00e3o com a ACE2. O que faz com que o contato entre v\u00edrus e c\u00e9lula humana seja maior e assim as contamina\u00e7\u00f5es aumentem. \u201cA hip\u00f3tese encontrada \u00e9 de que a maioria das vacinas tem como princ\u00edpio o est\u00edmulo da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos que inibam a intera\u00e7\u00e3o entre a prote\u00edna Spike ao ACE2, de forma a diminuir a infec\u00e7\u00e3o viral. E uma das formas que o v\u00edrus encontrou para burlar essa inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 modificar a regi\u00e3o de intera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus com a c\u00e9lula humana\u201d, enfatiza.\u00a0 \u201cO v\u00edrus vem evoluindo com o objetivo de se manter vivo e para isso ele est\u00e1 se modificando principalmente para burlar a a\u00e7\u00e3o dos anticorpos e conseguir infectar o ser humano\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Foram identificados seis mecanismos que a prote\u00edna Spike adquiriu de forma a aumentar a efici\u00eancia de transmiss\u00e3o do sars-cov-2. Um deles \u00e9 o aumento da afinidade do Spike ao ACE2. Um outro \u00e9 o aumento significativo da quantidade de prote\u00ednas Spike na superf\u00edcie de cada part\u00edcula viral.<\/p>\n<p>No artigo, os pesquisadores destacam que outras prote\u00ednas do v\u00edrus tamb\u00e9m est\u00e3o se modificando. Isso ocasiona, por exemplo, o aumento da taxa com que o v\u00edrus consegue se multiplicar nas c\u00e9lulas humanas. \u201cPor esses e outros fatores, o v\u00edrus vai aprendendo a driblar a a\u00e7\u00e3o dos anticorpos e se adaptar ao ser humano\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O conjunto de muta\u00e7\u00f5es sendo observadas na prote\u00edna Spike pode sugerir que o sars-cov-2 possa evoluir para infectar outras c\u00e9lulas, al\u00e9m das c\u00e9lulas pulmonares. \u201cO grande medo seria a infec\u00e7\u00e3o, por exemplo, de c\u00e9lulas neurol\u00f3gicas\u201d, afirma Cristiane.<\/p>\n<p><strong>AUMENTO DA TRANSMISS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi observado que o per\u00edodo em que as pessoas come\u00e7am a transmitir o v\u00edrus tem se iniciado cada vez mais cedo conforme as variantes surgem. Antes ainda do in\u00edcio dos sintomas.<\/p>\n<p>\u201cVimos que 74% das transmiss\u00f5es pela variante Delta foram feitas por assintom\u00e1ticos. Na variante original, as pessoas come\u00e7avam a transmitir o v\u00edrus um dia antes do in\u00edcio dos sintomas. J\u00e1 na Delta, isso passou a acontecer com dois dias de anteced\u00eancia. S\u00e3o detalhes que mostram que o v\u00edrus est\u00e1 evoluindo na sua capacidade de se esconder em nosso organismo. O que tamb\u00e9m pode estar relacionado com o aumento na gravidade dos casos e na taxa de transmiss\u00e3o\u201d, detalha.<\/p>\n<p>\u201cIsso explica por que cada pessoa contaminada com a variante original transmitia o v\u00edrus, em m\u00e9dia, para duas pessoas. J\u00e1 na Delta esse n\u00famero aumentou para cinco e, na \u00f4micron, a taxa varia entre sete e dez contamina\u00e7\u00f5es. Portanto, vale lembrar que as vacinas que temos hoje impedem a mortalidade e os casos graves da doen\u00e7a, mas n\u00e3o conseguem impedir que o v\u00edrus circule\u201d, complementa.<\/p>\n<p>\u201cNosso estudo vai ao encontro daquilo que apontou a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recentemente, que o coronav\u00edrus ainda segue com o status de emerg\u00eancia \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica por conta de sua evolu\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel\u201d, afirma Cristiane. \u201cPrecisamos tomar as doses de refor\u00e7o da vacina, evitar aglomera\u00e7\u00f5es, manter a utiliza\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras, a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os e manter os ambientes ventilados\u201d, enfatiza. \u201cAssim, evitamos uma nova onda, postergando o surgimento de novas variantes de preocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que possamos descobrir medicamentos eficazes contra a covid-19 e imunizantes, que possam bloquear a infec\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o viral, al\u00e9m de ativarem a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos que permane\u00e7am por um per\u00edodo mais longo de tempo no corpo humano.\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da USP \/ Texto: assessoria de comunica\u00e7\u00e3o do ICB<\/p>\n<p>Foto: Jornal da USP \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Unsplash<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da USP e do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas preveem que novas variantes do v\u00edrus ser\u00e3o resistentes ao sistema imune e com maior potencial de transmiss\u00e3o. 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