{"id":2039,"date":"2022-04-24T15:55:33","date_gmt":"2022-04-24T18:55:33","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2039"},"modified":"2022-08-04T15:56:38","modified_gmt":"2022-08-04T18:56:38","slug":"musicalidade-do-ogan-vai-alem-do-candomble-e-carece-de-maior-reconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/04\/24\/musicalidade-do-ogan-vai-alem-do-candomble-e-carece-de-maior-reconhecimento\/","title":{"rendered":"Musicalidade do Ogan vai al\u00e9m do Candombl\u00e9 e carece de maior reconhecimento"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2104221650572542.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2040\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2104221650572542.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2104221650572542.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2104221650572542-300x158.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2104221650572542-768x404.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estudo apresentado na USP defende que Ogans do Candombl\u00e9 s\u00e3o fundamentais para a m\u00fasica brasileira, e deveriam ter mais espa\u00e7o para atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e na cultura.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Na m\u00fasica brasileira e universal, o toque de um tambor \u00e9 facilmente identificado! Seja na bateria de uma escola de samba, onde instrumentos (tambores) de diferentes timbres, formas e sons s\u00e3o respons\u00e1veis pelo ritmo. Seja pela arte de um m\u00fasico percussionista, que pode atuar em diferentes ritmos musicais, l\u00e1 est\u00e1 o \u201ctambor\u201d e seus diferentes \u201ctoques\u201d. \u201cPor isso defendo que a musicalidade de um mestre Ogan de Candombl\u00e9 \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a m\u00fasica brasileira\u201d, diz o m\u00fasico e pesquisador V\u00edtor Israel Trindade de Souza. Ele \u00e9 autor de uma pesquisa de mestrado apresentada na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da USP intitulada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/27\/27157\/tde-15022022-151901\/publico\/VitorIsraelTrindadedeSouzaCorrigida.pdf\">O Ogan Otum Alab\u00ea: sacerdote e m\u00fasico percussionista da Na\u00e7\u00e3o Ketu no Il\u00ea Ax\u00e9 Jagun<\/a>.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Alberto Tsuyoshi Ikeda, docente colaborador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica da ECA e da Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (Unesp), Trindade analisa e destaca a import\u00e2ncia do Ogan do Candombl\u00e9 no que ele chama de um \u201creposicionamento necess\u00e1rio\u201d dentro da m\u00fasica brasileira. \u201cAl\u00e9m disso, o Ogan merece ser devidamente reconhecido pela cultura de um modo geral e pela sociedade como um todo\u201d, enfatiza. E ser reconhecido numa sociedade, como defende Trindade, passa tamb\u00e9m pela profissionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cOgan j\u00e1 \u00e9 uma profiss\u00e3o devidamente reconhecida pelo Minist\u00e9rio do Trabalho. Assim, um mestre Ogan pode atuar, al\u00e9m da m\u00fasica, em diversos campos, como na educa\u00e7\u00e3o e na cultura, por exemplo\u201d, destaca o pesquisador ao Jornal da USP.<\/p>\n<p><strong>OGAN CIDAD\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Trindade como Ogan \u00e9 um dos motivos pelo qual ele passou a empreender seu estudo. H\u00e1 cerca de 30 anos, durante visita a uma casa de Candombl\u00e9, o m\u00fasico foi, como ele diz, \u201cdesignado pelo santo\u201d a exercer a atividade de Ogan. E assim o fez na Casa de Candombl\u00e9 Il\u00ea Ax\u00e9 Jagun, onde cumpriu e seguiu todos os rituais necess\u00e1rios para se tornar um Ogan e, ao mesmo tempo, exercendo suas atividades de m\u00fasico profissional e arte-educador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do reconhecimento da musicalidade do Ogan dentro da m\u00fasica brasileira, Trindade tamb\u00e9m mostra em sua pesquisa o quanto o trabalho de um Ogan est\u00e1 ligado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, principalmente no que diz respeito \u00e0 Lei 10.639\/03 de diretrizes da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m de sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, Trindade resolveu descrever em sua pesquisa a trajet\u00f3ria de um outro Ogan da mesma casa, chamado \u201cOtum Alab\u00ea\u201d William Eduardo dos Santos, conhecido como Opotum Bicudo. \u201cDe certa forma, pude acompanhar o trabalho dele enquanto Ogan da casa e sua dificuldade para ganhar seu sustento\u201d, conta Trindade. Ele ressalta que um Ogan na casa de Candombl\u00e9 \u00e9 o respons\u00e1vel por quase tudo, desde manuten\u00e7\u00f5es diversas das instala\u00e7\u00f5es at\u00e9 a sua principal fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 tocar e comandar os rituais. \u201cO Ogan Otum Alab\u00ea \u00e9 um sacerdote e um m\u00fasico que se tornou profissional, porque na maioria das vezes ele vive exclusivamente do que recebe como honor\u00e1rios por seus servi\u00e7os no tambor\u201d, descreve o pesquisador. Mas nem sempre tais honor\u00e1rios s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da trajet\u00f3ria de William Eduardo dos Santos, Trindade apresenta em sua pesquisa um recorte sobre a Na\u00e7\u00e3o Ketu, uma das na\u00e7\u00f5es referenciais do culto aos Orix\u00e1s. Como relata Trindade em seu estudo, \u201co Ogan Otum Alab\u00ea, ou William Eduardo dos Santos, \u00e9 o principal Ogan da Casa do Candombl\u00e9. Ele \u00e9 o \u2018faz-tudo\u2019 no mundo da Na\u00e7\u00e3o Ketu. E? o que conhece os preceitos de inicia\u00e7\u00e3o com todos os detalhes que o ritual exige, como as cantigas, os movimentos pertencentes a cada Orix\u00e1 e as muitas outras importantes fun\u00e7\u00f5es no cotidiano da Religi\u00e3o dos Orix\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p><strong>NA EDUCA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do reconhecimento da musicalidade do Ogan dentro da m\u00fasica brasileira, Trindade tamb\u00e9m mostra no estudo o quanto o trabalho de um Ogan est\u00e1 ligado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, principalmente no que diz respeito \u00e0 Lei 10.639\/03 de diretrizes da educa\u00e7\u00e3o, que inclui no curr\u00edculo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da presen\u00e7a da tem\u00e1tica \u201cHist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana\u201d nas disciplinas dos ensinos fundamental e m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Todo o meu trabalho se direciona \u00e0 cultura afro-brasileira, e \u00e9 imposs\u00edvel falar de m\u00fasica afrodescendente sem falar do Ogan, seja ele de qualquer na\u00e7\u00e3o ou religiosidade, como os m\u00fasicos cubanos ou do reggae jamaicano ou haitiano que tem as mesmas ra\u00edzes&#8221;, descreve Trindade.<\/p>\n<p>\u201cO meu trabalho mostra que a atividade do Ogan pode ser inserida na educa\u00e7\u00e3o\u201d, enfatiza o pesquisador. O pr\u00f3prio trabalho de Trindade, por exemplo, se fortaleceu por interm\u00e9dio de projetos desenvolvidos na cidade de Embu das Artes, em S\u00e3o Paulo, em que foram atendidos mais de mil professores que tiveram acesso a ferramentas de aplica\u00e7\u00e3o da lei. \u201c\u00c9 onde surgia o trabalho do Ogan, por exemplo\u201d, cita o m\u00fasico, lembrando que nesses projetos houve participa\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, Raquel Trindade, e de seu filho, Marcelo Tom\u00e9.<\/p>\n<p><strong>DA TRADI\u00c7\u00c3O DO CANDOMBL\u00c9<\/strong><\/p>\n<p>O papel do Ogan, como conta Trindade, surge com a funda\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio do s\u00e9culo 19, de uma casa de Candombl\u00e9 no bairro da Barroquinha, na cidade de Salvador, Bahia. \u201cA casa foi fundada por tr\u00eas mulheres que frequentavam uma comunidade cat\u00f3lica chamada Ordem da Irmandade da Boa Morte. As africanas Adet\u00e1 ou I\u00e1 Det\u00e1, I\u00e1 Cal\u00e1, I\u00e1 Nass\u00f4\u201d, relata, destacando que, por ser um culto mais direcionado \u00e0s mulheres, foi criado o cargo de Ogan. \u201cAfinal, os homens teriam de ter uma fun\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Um Ogan, como descreve o pesquisador, geralmente nasce espiritualmente como abian (iniciante no Candombl\u00e9) e cresce como \u201chomem tambor\u201d. Ele vive o cotidiano do Candombl\u00e9, come a comida da casa desde crian\u00e7a: o acaraj\u00e9, o acar\u00e1, o omal\u00e1 ou o caruru fazem parte do seu menu trivial. \u201cQuando ele assume seu cargo na Casa, \u00e9 um homem que tem todas as refer\u00eancias de um militar de alta patente e muito condecorado ou, mesmo, de um mestre ou doutor em sua profiss\u00e3o\u201d, explica Trindade.<\/p>\n<p><strong>DA TRADI\u00c7\u00c3O FAMILIAR<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador e m\u00fasico Vitor Trindade se considera um Ogan \u201ctardio\u201d, pois se iniciou na atividade por volta dos 30 anos. \u201cEm geral, a maioria dos Ogans est\u00e1 na fun\u00e7\u00e3o desde pequeno, como \u00e9 o caso de William\u201d, diz. Al\u00e9m de m\u00fasico e arte-educador, Trindade dirige o Teatro Popular Solano Trindade, localizado na cidade de Embu, na Grande S\u00e3o Paulo. Filho de Raquel Trindade, escritora, artista pl\u00e1stica e folclorista, Vitor Trindade \u00e9 neto de Solano Trindade (pai de Raquel), que tamb\u00e9m foi poeta, folclorista, pintor, ator, teatr\u00f3logo, cineasta e militante do Movimento Negro.<\/p>\n<p>Enquanto m\u00fasico, Trindade j\u00e1 gravou sete discos: Ayr\u00e1 Ot\u00e1, Vitor da Trindade e Carlos Ca\u00e7apava (2000, S\u00e3o Paulo), Revista do Samba (2001, Alemanha), Outras Bossas (2003, Alemanha), Revista Bixiga Oficina do Samba (2005, S\u00e3o Paulo), Hortensia du Samba (Fran\u00e7a, 2011), Samba do Revista (2011, S\u00e3o Paulo), Oss\u00e9, Vitor da Trindade (2015, S\u00e3o Paulo). Trindade orgulha-se em ressaltar que sua pesquisa \u00e9 o \u201cprimeiro projeto de m\u00fasica negra na ECA\u201d. Ele tamb\u00e9m \u00e9 autor do livro Oganilu, O Caminho do Alab\u00ea, publicado em 2019 de forma independente.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail\u00a0<a href=\"mailto:vitordatrindade@lwmail.com.br\">vitordatrindade@lwmail.com.br<\/a><\/p>\n<p>Fonte: Antonio Carlos Quinto &#8211; Jornal da USP<\/p>\n<p>Foto Jornal da USP &#8211; Flickr<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo apresentado na USP defende que Ogans do Candombl\u00e9 s\u00e3o fundamentais para a m\u00fasica brasileira, e deveriam ter mais espa\u00e7o para atua\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o e na cultura. Na m\u00fasica brasileira e universal, o toque de um tambor \u00e9 facilmente identificado! 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