{"id":2017,"date":"2022-04-21T15:45:54","date_gmt":"2022-04-21T18:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2017"},"modified":"2022-08-04T15:46:52","modified_gmt":"2022-08-04T18:46:52","slug":"apenas-a-oms-pode-decretar-o-fim-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/04\/21\/apenas-a-oms-pode-decretar-o-fim-da-pandemia\/","title":{"rendered":"Apenas a OMS pode decretar o fim da pandemia!"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1904221650401397.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2018\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1904221650401397.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1904221650401397.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1904221650401397-300x199.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1904221650401397-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Leia artigo do cientista Luiz Carlos Dias (foto) para o Jornal da Unicamp.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Confira o artigo escrito pelo membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, <a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/luiz-carlos-dias\/\">Luiz Carlos Dias<\/a>, publicado no Jornal da Unicamp em 19\/4. Em novo texto sobre a pandemia de Covid-19, o acad\u00eamico comenta a recente decis\u00e3o do Ministro da Sa\u00fade do governo brasileiro, que anunciou que ir\u00e1 estabelecer o fim ao estado de emerg\u00eancia por conta da pandemia de covid-19. Dias \u00e9 professor titular do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e bolsista 1A do CNPq.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>\u201cNo \u00faltimo dia 13 de abril, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) comunicou que a pandemia de covid-19 continua a ser uma \u201cEmerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Internacional\u201d (<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news\/item\/13-04-2022-statement-on-the-eleventh-meeting-of-the-international-health-regulations-(2005)-emergency-committee-regarding-the-coronavirus-disease-(Covid-19)-pandemic\">PHEIC, Public Health Emergency of International Concern<\/a><a href=\"https:\/\/www.who.int\/news\/item\/13-04-2022-statement-on-the-eleventh-meeting-of-the-international-health-regulations-(2005)-emergency-committee-regarding-the-coronavirus-disease-(Covid-19)-pandemic)\">)<\/a>. Neste domingo de P\u00e1scoa (17\/04), destoando da decis\u00e3o da OMS, o Ministro da Sa\u00fade Marcelo Queiroga, anunciou em cadeia nacional de r\u00e1dio e TV, que ir\u00e1 editar um ato normativo para encerrar a ESPIN (Emerg\u00eancia em Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Nacional), pondo fim ao estado de emerg\u00eancia devido \u00e0 pandemia de covid-19. Queiroga justificou a decis\u00e3o com base na situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica favor\u00e1vel, na boa cobertura vacinal da popula\u00e7\u00e3o e na capacidade de assist\u00eancia do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). No entanto, a justificativa para esta medida \u00e9 outra: 2022 \u00e9 ano eleitoral!<\/p>\n<p>A retirada da condi\u00e7\u00e3o de ESPIN pode impactar diversas a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a como o controle das fronteiras, estabelecimento de quarentena, ado\u00e7\u00e3o de passaporte vacinal e de m\u00e1scaras em locais fechados, realiza\u00e7\u00e3o de testes para diagn\u00f3stico de covid-19 em farm\u00e1cias, teletrabalho e telemedicina. Tamb\u00e9m pode afetar medidas de controle da doen\u00e7a, como por exemplo, amplia\u00e7\u00e3o de leitos de hospital, compra de insumos e materiais hospitalares em car\u00e1ter emergencial, mobiliza\u00e7\u00e3o de servidores, aplica\u00e7\u00e3o de vacinas aprovadas pela Anvisa em car\u00e1ter emergencial e tempor\u00e1rio, como a CoronaVac (apenas as vacinas da Pfizer\/BioNTech, AstraZeneca\/Oxford e Janssen\/Cilag possuem registro definitivo), uso de medicamentos como sotrovimab, evusheld e o paxlovid, que contam apenas com autoriza\u00e7\u00e3o de uso emergencial aprovado pela Anvisa.<\/p>\n<p>Para que as vacinas e medicamentos contra covid-19 possam continuar a ser usados, a Anvisa teria que prorrogar a autoriza\u00e7\u00e3o do seu uso emergencial quando da publica\u00e7\u00e3o do ato normativo. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/noticias-anvisa\/2022\/nota-anvisa-vigencia-do-uso-emergencial-de-vacinas-e-medicamentos\">nota\u00a0<\/a>publicada no dia 18 de abril, a Ag\u00eancia informou que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade j\u00e1 solicitou a prorroga\u00e7\u00e3o do uso emergencial por um ano. A aprova\u00e7\u00e3o da solicita\u00e7\u00e3o ainda depende de an\u00e1lise da Diretoria Colegiada da Anvisa. Muito provavelmente, a ESPIN n\u00e3o ser\u00e1 revogada de imediato e teremos um prazo de algumas semanas entre a edi\u00e7\u00e3o da portaria e a data real para marcar o fim da Emerg\u00eancia em Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n<p>Vacina\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia \u2013 Gra\u00e7as ao avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico \u00e9 favor\u00e1vel, por\u00e9m estamos longe do fim da pandemia. O Brasil registrou 65 \u00f3bitos causados pela covid-19 nas \u00faltimas 24 horas, atingindo m\u00e9dia m\u00f3vel de 98 mortes nos \u00faltimos sete dias. Desde o in\u00edcio da pandemia, a doen\u00e7a j\u00e1 tirou a vida de pouco mais de 662 mil brasileiros e brasileiras (n\u00famero que n\u00e3o leva em conta a subnotifica\u00e7\u00e3o). Conforme dados dos cart\u00f3rios de registro civil, a covid-19 \u00e9 a doen\u00e7a que mais mata no pa\u00eds. O n\u00famero de casos vem caindo, mas ainda registramos 10.393 novos casos nas \u00faltimas 24 horas, com m\u00e9dia m\u00f3vel de 14.252 casos nos \u00faltimos sete dias.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, 88,3% da popula\u00e7\u00e3o vacin\u00e1vel, com cinco anos ou mais, tomou a 1\u00aa dose da vacina e 81,4% da popula\u00e7\u00e3o com cinco anos ou mais tomou a 2\u00aa dose ou a dose \u00fanica. No entanto, a cobertura vacinal de pessoas com 18 anos ou mais que tomaram a dose de refor\u00e7o \u00e9 de pouco mais de 51,8%. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o infantil, desde o in\u00edcio da campanha em janeiro de 2022, apenas 56,2% das crian\u00e7as na faixa et\u00e1ria 5 a 11 anos tomaram a primeira dose e pouco mais de 28,9% tomaram a segunda dose. O pa\u00eds precisa avan\u00e7ar na vacina\u00e7\u00e3o infantil e na aplica\u00e7\u00e3o da dose de refor\u00e7o em pessoas com 18 anos ou mais, em programas de testagem da popula\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica, o que permitir\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o das rotas de espalhamento e transmiss\u00e3o do v\u00edrus e de novas variantes de preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante que a CoronaVac seja aprovada pela Anvisa para vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de 3 a 5 anos. Ap\u00f3s parecer das sociedades m\u00e9dicas e dos estudos enviados pelo Instituto Butantan, a Anvisa solicitou novos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/noticias-anvisa\/2022\/coronavac-para-criancas-de-3-a-5-anos-processo-de-analise-na-anvisa-entra-em-exigencia\">dados\u00a0<\/a>sobre a CoronaVac para crian\u00e7as de 3 a 5 anos:<\/p>\n<p>1. Dados que demonstrem qual \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o conferida pela vacina CoronaVac em popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica ap\u00f3s no m\u00ednimo 2 meses, idealmente ap\u00f3s 3 meses, da vacina\u00e7\u00e3o completa com o esquema prim\u00e1rio de 2 doses, em cen\u00e1rio de predomin\u00e2ncia da variante \u00d4micron;<\/p>\n<p>2. Protocolo de estudo de efetividade da vacina CoronaVac em popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica no Brasil que inclua a avalia\u00e7\u00e3o da dura\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o conferida pela vacina em popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica;<\/p>\n<p>3. Protocolo de estudo cl\u00ednico para avalia\u00e7\u00e3o de imunogenicidade e seguran\u00e7a da terceira dose ou dose de refor\u00e7o da vacina CoronaVac em popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica (todas as faixas et\u00e1rias);<\/p>\n<p>4. Dados integrados de seguran\u00e7a apresentados como suporte para esta solicita\u00e7\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o de uso, em um formato de um relat\u00f3rio \u00fanico com a vis\u00e3o geral de seguran\u00e7a da vacina CoronaVac para crian\u00e7as de 3 a 5 anos;<\/p>\n<p>5. Relat\u00f3rio cl\u00ednico com os dados atualizados do estudo cl\u00ednico de fase III (PRO-nCOV-3002-1), conduzido na China para avalia\u00e7\u00e3o comparativa de imunogenicidade em crian\u00e7as e adultos;<\/p>\n<p>6. Relat\u00f3rio cl\u00ednico com os dados atualizados de efic\u00e1cia, seguran\u00e7a e imunogenicidade, do estudo multic\u00eantrico de fase III, conduzido na \u00c1frica do Sul, Chile, Mal\u00e1sia e Filipinas, para avaliar a imunogenicidade, seguran\u00e7a e efic\u00e1cia da vacina covid-19 (Vero Cell), inativada (CoronaVac\u00ae) em crian\u00e7as e adolescentes de 6 meses a 17 anos.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/Covid-19-pesquisa-avalia-resposta-gerada-por-vacinas-ao-longo-de-um-ano\">estudo<\/a>\u00a0de fase 4 da Fiocruz Minas, envolvendo 1.587 pessoas vacinadas, mostrou a import\u00e2ncia de uma dose de refor\u00e7o com a vacina da Pfizer\/BioNTech para quem tomou duas doses da CoronaVac, em esquema de vacina\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga. Os dados indicam a import\u00e2ncia da resposta de prote\u00e7\u00e3o induzida pela CoronaVac ap\u00f3s duas doses e como esta resposta se torna ainda mais robusta ap\u00f3s aplica\u00e7\u00e3o de uma dose de refor\u00e7o com a vacina da Pfizer\/BioNTech, protegendo contra as variantes Delta e \u00d4micron. Mesmo para idosos acima de 60 anos, onde os n\u00edveis de anticorpos entre o quinto e o s\u00e9timo m\u00eas ap\u00f3s a segunda dose foram menores que em pessoas entre 18 e 30 anos, a dose de refor\u00e7o da Pfizer\/BioNTech restabelece a resposta imune.<\/p>\n<p>O estudo da Fiocruz tamb\u00e9m destaca o valor da imunidade h\u00edbrida, visto que participantes que tiveram covid-19 e depois foram vacinados, mostraram \u00edndices de anticorpos superiores ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o, quando comparados com os volunt\u00e1rios que n\u00e3o foram infectados. Outro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/laninf\/article\/PIIS1473-3099(22)00140-2\/fulltext\">estudo<\/a>\u00a0do projeto VigiVac da Fiocruz, publicado na revista Lancet Infectious Diseases, mostra a efetividade das quatro vacinas contra a covid-19 em uso no Brasil (Coronavac, AstraZeneca, Janssen e Pfizer-BioNTech) em aumentar a prote\u00e7\u00e3o contra desfechos graves em pessoas previamente infectadas pelo Sars-CoV-2.<\/p>\n<p>Embora em queda consistente, ainda temos um n\u00famero alto de casos e de \u00f3bitos. Que fique claro: apenas a OMS pode decretar o fim da pandemia. Nenhum pa\u00eds pode rebaixar a classifica\u00e7\u00e3o da covid-19 e determinar a mudan\u00e7a de status de pandemia para endemia, seja por meio de decretos, atos normativos ou portarias. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 numa redoma, isolado do resto do mundo.<\/p>\n<p>Para a entidade, o v\u00edrus Sars-CoV-2 segue em evolu\u00e7\u00e3o considerada imprevis\u00edvel, com ampla circula\u00e7\u00e3o e alta taxa de transmiss\u00e3o em humanos, causando altos n\u00edveis de morbidade e de mortalidade em popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis nos pa\u00edses de baixa renda, com baixa taxa de cobertura vacinal e que ainda h\u00e1 risco de dissemina\u00e7\u00e3o internacional. A OMS mant\u00e9m a meta de vacinar 70% das popula\u00e7\u00f5es de todos os pa\u00edses at\u00e9 julho de 2022, com prioridade para profissionais de sa\u00fade, idosos e grupos de risco. At\u00e9 o momento, 65% da popula\u00e7\u00e3o mundial recebeu pelo menos uma dose, o que representa 11,47 bilh\u00f5es de doses de vacinas aplicadas. Ainda segundo a OMS, 64 pa\u00edses, incluindo o Brasil, atingiram 70% de vacinados. No entanto, apenas 15,2% das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis em pa\u00edses de baixa renda receberam pelo menos uma dose e h\u00e1 21 pa\u00edses com cobertura vacinal abaixo de 10%, incluindo pa\u00edses em zonas de conflito.<\/p>\n<p>Cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico atual \u2013 Em virtude do avan\u00e7o na cobertura vacinal, o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico vem melhorando significativamente no Brasil, com redu\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o das unidades de terapia intensiva (UTIs) para Covid. Dados do\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/observatorio-Covid-19-aponta-fase-de-extincao-da-terceira-onda-no-brasil\">Boletim do Observat\u00f3rio Covid-19 Fiocruz<\/a>, divulgados no dia 08\/04\/2022, mostram tend\u00eancia de queda de indicadores de novos casos graves, interna\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos por covid-19, destacando que, pela primeira vez desde maio de 2020, nenhum estado brasileiro superou a marca de 0,3 \u00f3bitos por 100 mil habitantes. Sem d\u00favida, estamos vivendo o melhor momento desde o in\u00edcio da pandemia, em 11 de mar\u00e7o de 2020, mas n\u00e3o podemos deixar o excesso de otimismo contribuir para um relaxamento ainda maior.<\/p>\n<p>Nova subvariante XE da \u00d4micron \u2013 Aparentemente, a antes temida recombina\u00e7\u00e3o entre as sublinhagens BA.1 e BA.2 da variante \u00d4micron (variante XE) parece ser mais transmiss\u00edvel, mas n\u00e3o suficientemente perigosa para ser considerada pela OMS uma variante de preocupa\u00e7\u00e3o (VOC), assim como aconteceu com a Deltacron, que consistia em uma mistura das variantes Delta e \u00d4micron. Segundo a\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fiocruz.br\/Covid-19-rede-genomica-aponta-aumento-da-linhagem-ba2\">Rede Gen\u00f4mica Fiocruz<\/a>, a sublinhagem BA.2, respons\u00e1vel pelo aumento de casos na Europa e no leste da \u00c1sia, est\u00e1 se tornando mais frequente no Brasil. A tend\u00eancia \u00e9 a variante XE desaparecer, embora seja necess\u00e1rio constante monitoramento e vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica. A vacina\u00e7\u00e3o deve continuar, pois n\u00f3s n\u00e3o podemos ignorar o risco de novos surtos e ondas de covid-19.<\/p>\n<p>Kit covid \u2013 Cloroquina, ivermectina, nitazoxanida e azitromicina, medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19, continuam na\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/04\/venda-de-remedios-do-kit-Covid-se-manteve-alta-em-2021-mais-do-que-o-dobro-da-pre-pandemia.shtml\">lista dos mais vendidos<\/a>\u00a0no Brasil. Considerando apenas os medicamentos vendidos em farm\u00e1cias, foram 97 milh\u00f5es de unidades comercializadas em 2021 e 102 milh\u00f5es em 2020, comparados com apenas 40 milh\u00f5es de unidades em 2019. Ou seja, a farsa do kit Covid d\u00e1 lucro!<\/p>\n<p>Definitivamente, charlatanismo e trapa\u00e7a n\u00e3o t\u00eam limites no Brasil e o discurso negacionista dos picaretas antivacinas e defensores do kit Covid virou um discurso de poder. E essa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o vai continuar defendendo o kit Covid, pois s\u00e3o muitos os interesses financeiros e os dividendos pol\u00edticos. Isso parece o que psic\u00f3logos chamam de efeito da verdade ilus\u00f3ria: uma mentira contada mil vezes, n\u00e3o vira verdade, apenas parece confi\u00e1vel para algumas pessoas em virtude da intensa repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diversos estudos cl\u00ednicos s\u00e9rios, padr\u00e3o ouro, randomizados, com grupo placebo, mostram a inefic\u00e1cia da ivermectina. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2115869\">estudo brasileiro<\/a>\u00a0recente muito robusto, publicado no The New England Journal of Medicine (30\/03\/2022) mostrou que pessoas que tomaram ivermectina e depois testaram positivo para covid-19, tiveram um desempenho pior do que o grupo que recebeu apenas o placebo. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/377\/bmj.o917\">editorial<\/a>\u00a0recente na revista British Medical Journal (BMJ) salienta os esc\u00e2ndalos \u00e9ticos e as fraudes por tr\u00e1s de estudos que mostravam algum poss\u00edvel benef\u00edcio com a ivermectina.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando vai durar essa trapa\u00e7a?\u201d<\/p>\n<p>Fonte: Academia Brasileira de Ci\u00eancias \/ Luiz Carlos Dias &#8211; Jornal da Unicamp<\/p>\n<p>Foto: Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia artigo do cientista Luiz Carlos Dias (foto) para o Jornal da Unicamp. Confira o artigo escrito pelo membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, Luiz Carlos Dias, publicado no Jornal da Unicamp em 19\/4. Em novo texto sobre a pandemia de Covid-19, o acad\u00eamico comenta a recente decis\u00e3o do Ministro da Sa\u00fade do governo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2018,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2017","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2017"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2019,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2017\/revisions\/2019"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}