{"id":2010,"date":"2022-04-12T15:43:30","date_gmt":"2022-04-12T18:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=2010"},"modified":"2022-08-04T15:44:56","modified_gmt":"2022-08-04T18:44:56","slug":"emergencia-climatica-solucoes-existem-mas-e-preciso-agir-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/04\/12\/emergencia-climatica-solucoes-existem-mas-e-preciso-agir-agora\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancia clim\u00e1tica: solu\u00e7\u00f5es existem, mas \u00e9 preciso agir agora"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1004221649600217.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2011\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1004221649600217.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1004221649600217.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1004221649600217-300x179.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_1004221649600217-768x459.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Emiss\u00f5es globais precisam cair 43% at\u00e9 2030 para evitar aumento acima de 1,5 \u00baC, segundo o IPCC.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">\u201cAinda h\u00e1 tempo de evitar o pior das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas esse tempo est\u00e1 se esgotando. \u00c9 preciso agir j\u00e1.\u201d Se voc\u00ea acha que j\u00e1 ouviu essa mensagem antes \u2014 muitas vezes at\u00e9, provavelmente \u2014, sim, voc\u00ea est\u00e1 certo. Ela vem sendo repetida h\u00e1 anos, exaustivamente, pelos cientistas, e o problema \u00e9 exatamente esse: o recado n\u00e3o muda porque a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muda (s\u00f3 piora) e o tempo dispon\u00edvel para agir est\u00e1 cada vez mais curto.<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Esse \u00e9 o principal recado, mais uma vez, do sexto Relat\u00f3rio de An\u00e1lise (<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/assessment-report\/ar6\/\">AR6<\/a>) do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7a do Clima (IPCC), que teve seu\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/wg3\/\">terceiro<\/a>\u00a0e \u00faltimo fasc\u00edculo publicado no in\u00edcio desta semana, 4 de abril. Os dois primeiros blocos (divulgados em agosto de 2021 e fevereiro de 2022) trataram das evid\u00eancias cient\u00edficas do aquecimento global, das suas consequ\u00eancias para o clima do planeta e para a esp\u00e9cie humana, e da necessidade urgente de prepara\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o a essas mudan\u00e7as. J\u00e1 este terceiro fasc\u00edculo descreve o que \u00e9 necess\u00e1rio fazer para impedir que a situa\u00e7\u00e3o piore ainda mais daqui para frente \u2014 as chamadas \u201cmedidas de mitiga\u00e7\u00e3o\u201d. E aten\u00e7\u00e3o: o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 nada bom.<\/p>\n<p>Vamos aos n\u00fameros: as emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa (GEEs) na d\u00e9cada de 2010 a 2019 foram as maiores de todos os tempos. Ou seja, a esp\u00e9cie humana nunca jogou tanto g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera como agora, apesar de todos os alertas, desastres e acordos clim\u00e1ticos das \u00faltimas d\u00e9cadas. A m\u00e9dia no per\u00edodo foi de 56 bilh\u00f5es de toneladas lan\u00e7ados na atmosfera por ano; 9 bilh\u00f5es a mais por ano do que na d\u00e9cada anterior (2000-2009) e bem mais do que em qualquer outro per\u00edodo da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>Cerca de dois ter\u00e7os dessas emiss\u00f5es, segundo o relat\u00f3rio, s\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) gerado pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o) na ind\u00fastria, principalmente para a gera\u00e7\u00e3o de energia e transportes. As emiss\u00f5es de CO2 oriundas das chamadas \u201cmudan\u00e7as de uso do solo e florestas\u201d s\u00e3o 11% do total, enquanto que as de metano (CH4) respondem por 18%, segundo o relat\u00f3rio. \u00c9 nessas duas \u00faltimas categorias que o Brasil d\u00e1 sua maior contribui\u00e7\u00e3o para o aquecimento do planeta, por meio do desmatamento (que libera quantidades enormes de CO2 para a atmosfera) e da agropecu\u00e1ria (que \u00e9 uma grande fonte de CH4), como mostra o\u00a0<a href=\"https:\/\/plataforma.seeg.eco.br\/total_emission#\">\u00faltimo relat\u00f3rio<\/a>\u00a0do Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es e Remo\u00e7\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio (que j\u00e1 elevou a temperatura m\u00e9dia do planeta em 1\u00baC), a janela de oportunidade que a humanidade tem para frear as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 mais apertada do que nunca. Ainda n\u00e3o se fechou por completo, mas resta apenas uma fresta \u2014 falta saber se vamos passar por ela.<\/p>\n<p>Para ter uma chance razo\u00e1vel (acima de 50%) de manter o aquecimento abaixo de 1,5\u00baC \u2014 que \u00e9 o \u201climite de seguran\u00e7a\u201d estipulado pela ci\u00eancia e definido como meta pelo Acordo de Paris \u2014 as emiss\u00f5es globais de GEE precisam parar de subir at\u00e9 2025, no m\u00e1ximo, e depois cair 43% at\u00e9 2030, segundo o relat\u00f3rio. Para um limite de 2\u00baC, essa redu\u00e7\u00e3o precisa ser de 25%.<\/p>\n<p>De um jeito ou de outro, os cortes s\u00e3o grandes, e precisam come\u00e7ar imediatamente. Pelo andar da carruagem atual, se nada for feito al\u00e9m do que j\u00e1 est\u00e1 sendo feito agora, segundo o IPCC, o aumento de temperatura ser\u00e1 de 3,2\u00baC em 2100; um cen\u00e1rio desastroso para o planeta. A previs\u00e3o \u00e9 que os eventos clim\u00e1ticos extremos se tornem cada vez mais frequentes \u00e0 medida que a temperatura aumenta, potencializando o risco de falta de alimentos, falta de energia, escassez h\u00eddrica, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, inc\u00eandios, inunda\u00e7\u00f5es, ondas de calor, enchentes e tempestades, como as que arrasaram a cidade de Petr\u00f3polis (RJ) no in\u00edcio deste ano. Entre outras amea\u00e7as. (No gr\u00e1fico ao lado, a linha vermelha representa para onde estamos indo; as linhas verde e azul mostram para onde dever\u00edamos ir para cumprir o Acordo de Paris.)<\/p>\n<p>\u201cMais do que qualquer outro relat\u00f3rio lan\u00e7ado (at\u00e9 agora), este aponta a necessidade da urg\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es\u201d, disse o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de F\u00edsica da USP, em um\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/n42y0A7y1Gc\">webin\u00e1rio<\/a>\u00a0sobre o tema, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp). \u201cO relat\u00f3rio fala que n\u00f3s precisamos agir j\u00e1\u201d, completou ele, ressaltando que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o mais uma preocupa\u00e7\u00e3o do futuro, mas \u201cuma quest\u00e3o do presente\u201d.<\/p>\n<p>Reduzir as emiss\u00f5es rapidamente \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio, mas n\u00e3o suficiente, pois os gases do efeito estufa, ainda que em menor quantidade, continuar\u00e3o se acumulando na atmosfera por longos per\u00edodos. Para frear de vez o aquecimento do planeta, segundo o IPCC, o mundo precisa se tornar \u201ccarbono neutro\u201d por volta de 2050 (para estabilizar o aquecimento em 1,5\u00baC) ou 2070 (para o limite de 2\u00baC). Isso significa que todo o carbono lan\u00e7ado por atividades humanas na atmosfera precisa ser reabsorvido de alguma forma, seja por vias naturais ou tecnol\u00f3gicas. Para cada mol\u00e9cula de carbono que sobe, uma precisa descer.<\/p>\n<p>\u201cPara isso vamos ter que construir uma nova sociedade, muito diferente da que temos hoje; muito mais sustent\u00e1vel e com muito mais igualdade econ\u00f4mica e social\u201d, disse Artaxo \u2014 um dos 21 cientistas brasileiros que participaram diretamente da confec\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio (AR6 completo), produzido por um ex\u00e9rcito cient\u00edfico de quase 800 autores e revisores internacionais, ao longo de sete anos, com base em dezenas de milhares de estudos publicados sobre o tema na literatura cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 agora ou nunca, se quisermos limitar o aquecimento global a 1,5\u00b0C\u201d, disse Jim Skea, especialista em clima e tecnologia do Imperial College London, que foi um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 3 do IPCC (respons\u00e1vel por este \u00faltimo fasc\u00edculo do relat\u00f3rio). \u201cSem redu\u00e7\u00f5es imediatas e profundas de emiss\u00f5es em todos os setores, ser\u00e1 imposs\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p><strong>SOLU\u00c7\u00d5ES LIMPAS, BOAS E BARATAS<\/strong><\/p>\n<p>A boa not\u00edcia, em meio a esse cen\u00e1rio desalentador, \u00e9 que \u201cj\u00e1 temos todas as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que precisam ser implementadas\u201d para dar essa guinada, \u201cem todos os setores\u201d, pontua Artaxo. E a custo relativamente baixo: segundo o IPCC, a ado\u00e7\u00e3o ampla de medidas com custo abaixo de US$ 100 por tonelada de g\u00e1s carb\u00f4nico j\u00e1 seria suficiente para reduzir pela metade as emiss\u00f5es globais de GEE at\u00e9 2030, comparado a 2019. As op\u00e7\u00f5es est\u00e3o a\u00ed, s\u00f3 falta vontade para implement\u00e1-las.<\/p>\n<p>Um dos infogr\u00e1ficos mais interessantes do novo relat\u00f3rio (SPM.7,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/ar6\/wg3\/figures\/summary-for-policymakers\">dispon\u00edvel aqui<\/a>) mostra a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio das v\u00e1rias estrat\u00e9gias atualmente dispon\u00edveis para mitigar o aquecimento global. A op\u00e7\u00e3o que se destaca como a mais barata e eficiente para reduzir emiss\u00f5es no curto prazo \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o de energia f\u00f3ssil por energia solar e e\u00f3lica \u2014 que, al\u00e9m de limpas e renov\u00e1veis, tiveram seu custo de produ\u00e7\u00e3o significativamente reduzido nos \u00faltimos dez anos. Em seguida aparecem estrat\u00e9gias ligadas ao setor de agricultura e florestas: redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, sequestro de carbono pela agricultura, reflorestamento e restaura\u00e7\u00e3o florestal \u2014 tamb\u00e9m com alto potencial de mitiga\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, por\u00e9m a custo maior do que o das energias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Algumas interven\u00e7\u00f5es chegam a ter custo negativo, no sentido de que permitem reduzir gastos ao mesmo tempo que reduzem emiss\u00f5es e melhoram a qualidade de vida das pessoas. Por exemplo: a redu\u00e7\u00e3o de demanda e aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica nos setores de transporte e constru\u00e7\u00e3o, com a ado\u00e7\u00e3o de carros e pr\u00e9dios mais econ\u00f4micos e menos poluentes.<\/p>\n<p>\u201cReduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa em todo o setor de energia requer grandes transi\u00e7\u00f5es, incluindo uma redu\u00e7\u00e3o substancial no uso geral de combust\u00edveis f\u00f3sseis, a implanta\u00e7\u00e3o de fontes de energia de baixa emiss\u00e3o, a mudan\u00e7a para transportadores alternativos de energia e efici\u00eancia e conserva\u00e7\u00e3o de energia\u201d, diz o\u00a0<a href=\"https:\/\/report.ipcc.ch\/ar6wg3\/pdf\/IPCC_AR6_WGIII_SummaryForPolicymakers.pdf\">Sum\u00e1rio para Tomadores de Decis\u00e3o<\/a>, um resum\u00e3o simplificado de todo o conte\u00fado cient\u00edfico do relat\u00f3rio, feito para subsidiar as discuss\u00f5es pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas sobre o tema.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 enorme, mas n\u00e3o inating\u00edvel. Segundo o relat\u00f3rio, com uma combina\u00e7\u00e3o de boas pol\u00edticas, boas tecnologias e bons comportamentos (pautados pela sustentabilidade) \u00e9 poss\u00edvel reduzir as emiss\u00f5es globais de GEE em 40% a 70% at\u00e9 2050, sem precisar inventar nenhuma roda. O que j\u00e1 seria suficiente, segundo os cientistas, para segurar o aquecimento global abaixo de 2\u00baC, pelo menos.<\/p>\n<p>O custo econ\u00f4mico dessa mudan\u00e7a seria alto, claro, mas com uma rela\u00e7\u00e3o de custo-benef\u00edcio excelente. O impacto no PIB mundial seria de apenas alguns pontos porcentuais at\u00e9 2050, segundo o relat\u00f3rio do IPCC. Ou seja, a economia mundial continuaria crescendo, apenas cresceria um pouco menos, com a vantagem nada desprez\u00edvel de evitar o caos clim\u00e1tico no planeta. \u201cO custo da mitiga\u00e7\u00e3o \u00e9 alto, mas o custo de n\u00e3o reduzir emiss\u00f5es \u00e9 pelo menos tr\u00eas vezes mais alto\u201d, pontuou Artaxo. \u201c\u00c9 um pre\u00e7o muito grande que a nossa sociedade vai ter que pagar, e portanto temos que evitar e minimizar os danos o m\u00e1ximo poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p><strong>CAPTURA DE CARBONO<\/strong><\/p>\n<p>Feita essa redu\u00e7\u00e3o emergencial de emiss\u00f5es, a conquista da neutralidade de carbono, necess\u00e1ria para estabilizar a temperatura do planeta a longo prazo, vai exigir um esfor\u00e7o adicional de captura, estocagem e at\u00e9 remo\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera \u2014 um conjunto de a\u00e7\u00f5es descrito pela siglas em ingl\u00eas CCS (de carbon capture and storage) e CDR (de carbon dioxide removal).<\/p>\n<p>\u201cO novo relat\u00f3rio nos alerta para a necessidade de reduzirmos drasticamente as emiss\u00f5es num prazo muito curto e, depois, ainda implementarmos processos de captura do carbono j\u00e1 liberado anteriormente. Neste cen\u00e1rio, tanto tecnologias para captura de CO2 concentrado na fonte quanto disperso na atmosfera ter\u00e3o papel importante, algumas em momentos mais preponderantes que outras\u201d, diz o engenheiro Gustavo Assi, professor da Escola Polit\u00e9cnica da USP e diretor de inova\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conhecimento do Centro de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o em Gases do Efeito Estufa (RCGI).<\/p>\n<p>Inaugurado em 2016 na Poli, com financiamento da Fapesp e da empresa Shell, o RCGI investe fortemente no desenvolvimento de tecnologias de CCS e CDR \u2014 al\u00e9m de CCU, que contempla tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o do carbono capturado como mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de energia e outros materiais.<\/p>\n<p>\u201cO contexto do Brasil \u00e9 muito interessante\u201d, avalia Assi. \u201cRepare que o novo relat\u00f3rio atribuiu um papel important\u00edssimo para a mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es atrav\u00e9s de reflorestamento, agricultura, biocombust\u00edveis, energia e\u00f3lica e energia solar. Estas solu\u00e7\u00f5es aparecem com a melhor rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio para implementa\u00e7\u00e3o urgente, e sabemos que o Brasil tem muito potencial para contribuir nestas \u00e1reas.\u201d<\/p>\n<p>O que n\u00e3o significa, por\u00e9m, que o Brasil deva simplesmente abandonar sua ind\u00fastria de \u00f3leo e g\u00e1s do dia para a noite, diz o professor. \u201cAo mesmo tempo que novas solu\u00e7\u00f5es precisam aparecer no cen\u00e1rio para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, necessitaremos de uma dr\u00e1stica descarboniza\u00e7\u00e3o dos setores alimentados por combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, afirma Assi. \u201cA explora\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos ainda \u00e9 uma necessidade para o desenvolvimento dos pa\u00edses, mas a transi\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica deve ser mais que um discurso bonito. Como solucionar estas duas demandas que parecem conflitantes? A resposta est\u00e1 na transforma\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de \u00f3leo e g\u00e1s, na sua integra\u00e7\u00e3o com novas fontes de energia, na sua integra\u00e7\u00e3o com a nova matriz energ\u00e9tica do hidrog\u00eanio e na busca por uma ind\u00fastria de hidrocarbonetos neutra em emiss\u00f5es. Este movimento, que parece ut\u00f3pico \u2014 extrair \u00f3leo e g\u00e1s sem emitir carbono \u2014 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no setor.\u201d<\/p>\n<p><strong>PEDALADA CLIM\u00c1TICA<\/strong><\/p>\n<p>Na contram\u00e3o de todos esses alertas da ci\u00eancia, o governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (7 de abril) a nova vers\u00e3o da sua Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC) \u2014 o conjunto de a\u00e7\u00f5es que o pa\u00eds se compromete a realizar, de forma volunt\u00e1ria, em contribui\u00e7\u00e3o ao esfor\u00e7o internacional de enfrentamento da mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, norteado pelo Acordo de Paris, da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>A nova NDC traz uma atualiza\u00e7\u00e3o dos compromissos assumidos pelo Brasil em 2015, na gest\u00e3o da presidente Dilma Rousseff, que previam uma redu\u00e7\u00e3o de 37% das emiss\u00f5es nacionais de GEEs at\u00e9 2025 e de 43%, possivelmente, at\u00e9 2030, em rela\u00e7\u00e3o ao que o Pa\u00eds emitia em 2005. Em 2020, j\u00e1 na gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil enviou \u00e0 ONU uma atualiza\u00e7\u00e3o dessa NDC, que basicamente mantinha as mesmas metas de redu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m utilizando uma nova base de c\u00e1lculo (a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/acompanhe-o-mcti\/sirene\/publicacoes\/comunicacoes-nacionais-do-brasil-a-unfccc\/arquivos\/mcti_tcn_3sumario_executivo_port.pdf\">Terceira Comunica\u00e7\u00e3o Nacional<\/a>, de 2016), que revisava para cima as emiss\u00f5es do Pa\u00eds em 2005 e, consequentemente, reduzia o tamanho das redu\u00e7\u00f5es que precisavam ser feitas proporcionalmente at\u00e9 2025 e 2030. Uma manobra cont\u00e1bil de carbono que ficou conhecida na comunidade cient\u00edfica e ambiental como \u201cpedalada clim\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>A nova NDC, apresentada agora, eleva a meta de corte de emiss\u00f5es de 43% para 50% at\u00e9 2030, mas segue permitindo que o Pa\u00eds emita mais carbono at\u00e9 esta data do que estava previsto na NDC original, de 2015, segundo uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/brasil-segue-violando-acordo-de-paris-com-nova-meta-do-clima\/\">an\u00e1lise\u00a0<\/a>divulgada pelo Observat\u00f3rio do Clima. Em suma: o novo compromisso reduz o tamanho da pedalada, mas continua pedalando. \u201c\u00c9 como ter uma d\u00edvida no cart\u00e3o de cr\u00e9dito e pagar s\u00f3 uma parte da fatura. Continua sendo um retrocesso, num momento em que as Na\u00e7\u00f5es Unidas fazem um chamado para os pa\u00edses aumentarem suas ambi\u00e7\u00f5es. O Brasil n\u00e3o responde ao chamado e ainda continua retrocedendo\u201d, afirma Marcio Astrini, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima, em nota da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da USP &#8211; Herton Escobar<\/p>\n<p>Foto: Ag\u00eancia Brasil &#8211; Tomaz Silva<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emiss\u00f5es globais precisam cair 43% at\u00e9 2030 para evitar aumento acima de 1,5 \u00baC, segundo o IPCC. \u201cAinda h\u00e1 tempo de evitar o pior das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas esse tempo est\u00e1 se esgotando. \u00c9 preciso agir j\u00e1.\u201d Se voc\u00ea acha que j\u00e1 ouviu essa mensagem antes \u2014 muitas vezes at\u00e9, provavelmente \u2014, sim, voc\u00ea est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2011,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2010","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2010"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2010\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2013,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2010\/revisions\/2013"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}