{"id":1951,"date":"2022-03-27T15:13:22","date_gmt":"2022-03-27T18:13:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=1951"},"modified":"2022-08-04T15:15:08","modified_gmt":"2022-08-04T18:15:08","slug":"pesquisadores-criam-maior-banco-de-dados-de-interacoes-entre-morcegos-e-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/03\/27\/pesquisadores-criam-maior-banco-de-dados-de-interacoes-entre-morcegos-e-plantas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores criam maior banco de dados de intera\u00e7\u00f5es entre morcegos e plantas"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2503221648228233.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1952\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2503221648228233.png\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2503221648228233.png 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2503221648228233-300x159.png 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_2503221648228233-768x406.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 2.500 registros de intera\u00e7\u00f5es, oriundos de estudos feitos do sul da Argentina ao sul dos Estados Unidos, incluindo Brasil, Costa Rica, M\u00e9xico e outros pa\u00edses.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">Pesquisadores da USP, em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, criaram o maior banco com informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre intera\u00e7\u00f5es dos morcegos com as plantas, com foco em esp\u00e9cies que se alimentam de frutos e n\u00e9ctar. \u201cEsses animais silvestres, amea\u00e7ados pela perda ou fragmenta\u00e7\u00e3o de seu habitat, t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o crucial na din\u00e2mica da natureza. Interagem com diversos ecossistemas, sendo inclusive respons\u00e1veis pela dispers\u00e3o de sementes e poliniza\u00e7\u00e3o das plantas, servi\u00e7os ambientais que resultam na manuten\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de florestas, restingas e cerrados, al\u00e9m de serem predadores de pragas e vetores de doen\u00e7as\u201d, explica ao Jornal da USP o pesquisador Marco Mello, professor do Departamento de Ecologia, do Instituto de Bioci\u00eancias (IB) da USP e coordenador do <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3640\">NeoBat Interactions.\u00a0<\/a><\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>Direcionado a pesquisadores da \u00e1rea, o banco de dados foi constru\u00eddo em formato de data paper \u2013 com c\u00f3digo aberto para novas inser\u00e7\u00f5es \u2013 e possui at\u00e9 o momento cerca de 2.571 registros. Ao todo, foram inclu\u00eddas intera\u00e7\u00f5es entre 93 esp\u00e9cies de morcegos da fam\u00edlia Phyllostomidae (morcegos com folha nasal) e 501 esp\u00e9cies de plantas de 68 fam\u00edlias. Essas intera\u00e7\u00f5es foram registradas em 169 estudos cient\u00edficos realizados do sul da Argentina ao sul dos EUA, incluindo Brasil, Costa Rica, M\u00e9xico e outros pa\u00edses latinos. \u201cO NeoBat Interactions \u00e9 de longe o banco de dados sobre intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas mais extenso em termos geogr\u00e1ficos e taxon\u00f4micos [classifica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica]\u201d, diz o pesquisador. Em janeiro, o NeoBat foi oficialmente lan\u00e7ado em um artigo publicado na\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3640\">revista Ecology<\/a>, cujo primeiro autor \u00e9 o bi\u00f3logo Guillermo Florez-Montero, doutorando da Universidade Federal do ABC (UFABC) e co-orientado pelo professor Marco Mello.<\/p>\n<p><strong>NEOBAT: DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DOS LOCAIS DE AMOSTRAGEM<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador explica que um dos desafios enfrentados por cientistas dessa \u00e1rea \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de dados confi\u00e1veis sobre as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas dos morcegos. \u201cAl\u00e9m de ter que encontr\u00e1-los na natureza, \u00e0 noite ou no crep\u00fasculo, \u00e9 preciso identific\u00e1-los, descrev\u00ea-los e obter evid\u00eancias diretas ou indiretas de suas intera\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>O novo banco de dados foi montado por uma equipe multidisciplinar de cientistas de diferentes pa\u00edses, incluindo estudantes, p\u00f3s-doutorandos e pesquisadores. O ponto de partida foi outro banco de dados disponibilizado on-line em 2002, por Cullen Geiselman, da Bat Eco-Interactions Project (Houston, Texas, Estados Unidos), cujo conte\u00fado tinha finalidade did\u00e1tico-educacional e de despertar a curiosidades sobre esses animais silvestres. \u201cFiltramos, revisamos e organizamos o conte\u00fado dessa base de dados de acordo com as melhores pr\u00e1ticas em ci\u00eancia de dados: amostragem feita por, pelo menos, um ano, m\u00e9todos de coleta de dados descritos de maneira reprodut\u00edvel e acesso confirmado \u00e0 publica\u00e7\u00e3o original. Tamb\u00e9m organizamos os dados de forma que pudessem ser facilmente usados em an\u00e1lises cient\u00edficas\u201d, diz Mello.<\/p>\n<p>Todo o conhecimento cient\u00edfico produzido nesta \u00e1rea estava pulverizado em centenas de artigos, livros e teses em diferentes pa\u00edses, o que tamb\u00e9m dificultava se ter um olhar panor\u00e2mico sobre as intera\u00e7\u00f5es. \u201cO formato de data paper permitiu a reuni\u00e3o de todos esses dados produzidos em 70 anos (de 1957 a 2007) em um banco \u00fanico, que pode ir sendo atualizado por cientistas de qualquer lugar do mundo\u201d, relata Florez-Montero. No momento, os pesquisadores est\u00e3o trabalhando para fazer atualiza\u00e7\u00e3o do banco para incluir investiga\u00e7\u00f5es feitas at\u00e9 o ano vigente.<\/p>\n<p><strong>MORCEGOS BRASILEIROS<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos registros do\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ecy.3640\">NeoBat Interactions<\/a>\u00a0\u00e9 de esp\u00e9cies brasileiras, em torno de 34%. Desses, a grande maioria possui dieta baseada em frutos, s\u00e3o os frug\u00edvoros, 75,1%. Os 24,9% restantes s\u00e3o nectar\u00edvoros, que se alimentam do n\u00e9ctar das flores. Muitos desses morcegos podem consumir os dois tipos de alimentos e ainda comer outras coisas, como p\u00f3len, folhas, sementes, insetos, sapos, ratos e aves.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies de morcegos inclu\u00eddas no banco de dados, em sua maioria, ocorrem em todas as regi\u00f5es brasileiras, em diversos tipos de ambientes, de florestas \u00e0 caatinga, diz o pesquisador. A maior concentra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies se d\u00e1 nos biomas da Mata Atl\u00e2ntica e Amaz\u00f4nia. Usam uma enorme variedade de abrigos para morar, podendo ser encontrados dentro de cavernas e ocos de \u00e1rvores, pendurados embaixo ou dormindo dentro de folhas, e at\u00e9 mesmo ocupando constru\u00e7\u00f5es humanas, como pontes e telhados.<\/p>\n<p>Os g\u00eaneros de morcegos mais bem representados na base de dados s\u00e3o Artibeus (28% de todos os registros), Carollia (24%), Sturnira (10,1%) e Glossophaga (8,8%). Carollia perspicillata (187), Artibeus lituratus (125), Artibeus jamaicensis (94), Glossophaga soricina (86) e Artibeus planirostris (74) foram as esp\u00e9cies de morcegos com as dietas mais amplas (plantas diferentes) registradas com base no n\u00famero de esp\u00e9cies vegetais.<\/p>\n<p>Entre as plantas, as fam\u00edlias foram a Moraceae (17%), Piperaceae (15,4%), Urticaceae (9,2%) e Solanaceae (9%). Plantas dos g\u00eaneros Cecropia (46), Ficus (42), Piper (40), Solanum (31) e Vismia (27) apresentaram o maior n\u00famero de intera\u00e7\u00f5es. \u201cTrata-se de plantas pioneiras, ou seja, que est\u00e3o entre as primeiras a crescer em um ambiente que foi destru\u00eddo por a\u00e7\u00e3o humana ou por causas naturais. Os morcegos comem os frutos dessas plantas e depois espalham as sementes por \u00e1reas enormes, especialmente ao defecarem durante o voo ou ao descansarem entre suas atividades.<\/p>\n<p><strong>FAKE NEWS: MORCEGOS VAMPIROS<\/strong><\/p>\n<p>O professor Mello disse que costuma ser questionado sobre morcegos que sugam sangue de animais e que potencialmente poderiam sugar o sangue de humanos. Ele explica que essa possibilidade \u00e9 remot\u00edssima porque o sangue n\u00e3o \u00e9 a principal dieta da esmagadora maioria desses animais silvestres. Das 181 esp\u00e9cies de morcegos atualmente registradas no Brasil (veja a lista atualizada no site da<a href=\"https:\/\/www.sbeq.net\/\">\u00a0Sociedade Brasileira para o Estudo de Quir\u00f3pteros<\/a>, apenas tr\u00eas s\u00e3o hemat\u00f3fagas: o morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus), o morcego-vampiro-de-asas-brancas (Diaemus youngi) e o morcego-vampiro-de-pernas-peludas (Diphylla ecaudata). \u201cA fama deturpada que se criou em torno deles talvez seja pelo fato de serem transmissores da raiva, mas qualquer outro mam\u00edfero [c\u00e3o e gato, por exemplo] pode tamb\u00e9m transmitir a raiva\u201d, completa. \u201cN\u00e3o precisamos ter medo dos morcegos, precisamos respeit\u00e1-los e deix\u00e1-los viver em paz no seu habitat natural\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>SERVI\u00c7OS AMBIENTAIS PRESTADOS PELOS MORCEGOS<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o professor Mello, os morcegos prestam diversos servi\u00e7os ambientais e \u00e9 importante preserv\u00e1-los. Um dos exemplos citados pelo bi\u00f3logo \u00e9 o controle de popula\u00e7\u00f5es de pragas agr\u00edcolas. A presen\u00e7a desses animais silvestres, que se alimentam de insetos (mariposas, gafanhotos e mosquitos), em zonas rurais traz uma economia de bilh\u00f5es para os agricultores pela redu\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas. Mello lembra ainda que os morcegos s\u00e3o fontes inspiradoras de pesquisas cient\u00edficas e que muito do que temos hoje de tecnologia foi bioinspirada no comportamento, na morfologia e na fisiologia desses animais silvestres. O aparelho de ultrassom m\u00e9dico, por exemplo, foi baseado no biossonar dos morcegos, uma sofisticada capacidade que eles t\u00eam para detectar a posi\u00e7\u00e3o e avaliar a textura de objetos ou animais atrav\u00e9s de emiss\u00e3o de ondas ultrass\u00f4nicas. V\u00e1rios medicamentos prescritos para tratar problemas de circula\u00e7\u00e3o foram desenvolvidos a partir de anticoagulantes presentes na saliva do morcego-vampiro-comum.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail marmello@usp.br, com Marco Mello<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da USP &#8211; Ivanir Ferreira<\/p>\n<p>Foto: Jornal da USP &#8211; Marco Mello<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o mais de 2.500 registros de intera\u00e7\u00f5es, oriundos de estudos feitos do sul da Argentina ao sul dos Estados Unidos, incluindo Brasil, Costa Rica, M\u00e9xico e outros pa\u00edses. 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