{"id":1912,"date":"2022-03-09T11:55:52","date_gmt":"2022-03-09T14:55:52","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=1912"},"modified":"2022-08-04T11:56:44","modified_gmt":"2022-08-04T14:56:44","slug":"restauracao-de-cerrado-e-mata-atlantica-pode-gerar-sequestro-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/03\/09\/restauracao-de-cerrado-e-mata-atlantica-pode-gerar-sequestro-de-carbono\/","title":{"rendered":"Restaura\u00e7\u00e3o de Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica pode gerar sequestro de carbono"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0103221646174946.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1913\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0103221646174946.jpg\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0103221646174946.jpg 999w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0103221646174946-300x158.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/imagem_0103221646174946-768x404.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estudo vai durar cinco anos e re\u00fane uma equipe transdisciplinar composta de nove cientistas de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa situadas no Brasil, Fran\u00e7a e Inglaterra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"social-icons-box\">A restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas \u00e9 apontada como uma boa alternativa para sequestrar carbono e mitigar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na atmosfera. Basta lembrar que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) escolheu a pauta como assunto central de sua d\u00e9cada tem\u00e1tica (2021-2030). \u201cNo entanto, n\u00e3o existe uma \u00fanica receita para restaurar um ecossistema, da mesma forma que ainda temos muitas lacunas de conhecimento sobre como fazer isso com efici\u00eancia\u201d, aponta o engenheiro agr\u00f4nomo Pedro Brancalion, coordenador do projeto Restaura\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa para sequestro de carbono \u2013 Restore C, realizado no Centro de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o em Gases de Efeito Estufa (RCGI). \u201cO objetivo do projeto \u00e9 entender como funcionam essas diferentes formas para sequestrar carbono e identificar os componentes de custos desses processos.\u201d<\/div>\n<div class=\"rich-text-block w-richtext\">\n<p>O primeiro passo do projeto \u00e9 investigar essa quest\u00e3o a partir de dois biomas brasileiros altamente diversificados: o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica. \u201cO ac\u00famulo de carbono varia entre os tipos de ecossistema. Na Mata Atl\u00e2ntica, tem-se grande quantidade de carbono na superf\u00edcie por causa da profus\u00e3o de madeira das \u00e1rvores. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente no Cerrado, onde h\u00e1 um n\u00famero menor de \u00e1rvores e a maior parte do carbono fica estocada embaixo da terra\u201d, explica o pesquisador, que tamb\u00e9m \u00e9 coordenador do Laborat\u00f3rio de Silvicultura Tropical da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, e vice-coordenador do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Para entender quais conjuntos de esp\u00e9cies, arranjos de plantio ou de regenera\u00e7\u00e3o s\u00e3o capazes de tornar o processo de sequestro de carbono mais eficiente, o projeto vai instalar torres de fluxo na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Ci\u00eancias Florestais de Itatinga (EECFI), no interior de S\u00e3o Paulo. Isso para checar a situa\u00e7\u00e3o em contexto de Mata Atl\u00e2ntica. J\u00e1 no caso do Cerrado, o local escolhido \u00e9 a Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s. \u201cVamos trabalhar com o que h\u00e1 de mais inovador e robusto em termos de metodologia\u201d, diz o pesquisador. \u201cA torre de fluxo \u00e9 um equipamento importado e extremamente sofisticado capaz de mensurar o que \u00e9 fixado e liberado de carbono para a atmosfera. Entretanto, ela nunca havia sido utilizada em \u00e1reas de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas. Nosso projeto \u00e9 pioneiro no mundo e deve gerar dados in\u00e9ditos.\u201d<\/p>\n<p>O projeto vai durar cinco anos e re\u00fane uma equipe transdisciplinar composta de nove cientistas de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa situadas no Brasil, Fran\u00e7a e Inglaterra. \u201cAo longo desse tempo vamos investigar outras regi\u00f5es nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s para cobrir varia\u00e7\u00f5es presentes nos biomas, a exemplo de solo e clima\u201d, informa o pesquisador. \u201cAl\u00e9m do trabalho de campo, vamos trabalhar com sensoriamento remoto e imagens de sat\u00e9lite. O projeto tamb\u00e9m tem um forte componente de modelagem: a partir da compara\u00e7\u00e3o de algumas \u00e1reas pesquisadas, \u00e9 poss\u00edvel criar um modelo matem\u00e1tico para estimar o potencial de sequestro de carbono de outras \u00e1reas.\u201d<\/p>\n<p>A meta final do projeto \u00e9 produzir um atlas digital, de livre acesso, que mapeie esses locais voltados para restaura\u00e7\u00e3o de carbono. Ali estar\u00e3o reunidos dados como o potencial de determinada \u00e1rea, os custos de restaura\u00e7\u00e3o e a previs\u00e3o de riscos para a perda de estocagem de carbono, que acontece em casos de acidentes naturais ou provocados pela a\u00e7\u00e3o do homem, a exemplo de seca e de inc\u00eandios. \u201cO atlas pode ser uma grande ferramenta de apoio na tomada de decis\u00e3o para quem deseja investir no sequestro de carbono por meio do reflorestamento\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>De acordo com Brancalion, um elemento importante nessa tomada de decis\u00e3o \u00e9 conseguir calcular as rela\u00e7\u00f5es entre custo e efetividade. \u201c\u00c9 pensar, por exemplo, n\u00e3o de forma absoluta, mas sim na quantidade de carbono sequestrado por unidade de investimento. Vamos supor que ao longo de 10 anos uma empresa possa obter por meio de um projeto de restaura\u00e7\u00e3o 100 toneladas de carbono ao custo de 10 mil reais por hectare. Outra op\u00e7\u00e3o seria sequestrar 50 toneladas, mas a um custo de 2 mil reais por hectare. Nesse caso, vale mais a pena investir em \u00e1reas com o perfil da segunda alternativa e gra\u00e7as \u00e0 soma delas conseguir sequestrar mais carbono com o mesmo investimento exigido pela primeira op\u00e7\u00e3o. O mapa ajudar\u00e1 na localiza\u00e7\u00e3o de quais s\u00e3o as \u00e1reas mais indicadas para determinado projeto.\u201d<\/p>\n<p>Nesse c\u00e1lculo \u00e9 preciso levar em conta uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis em nome da melhor escolha de investimento. \u201cSe o investidor j\u00e1 possui a terra, seu custo de implementa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 plantar mudas e cuidar da manuten\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m o custo de oportunidade de uso da terra, que \u00e9 o valor pago a terceiros para se usar determinada \u00e1rea para restaura\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se um propriet\u00e1rio rural lucra 400 reais por hectare\/ano com seu pasto, dificilmente vai ceder essa \u00e1rea por um valor menor do que esse. Com o mapa podemos calcular o custo total de sequestro de carbono ao cruzar os custos de oportunidade com os custos de implanta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Brancalion estuda a reconstru\u00e7\u00e3o de ecossistemas desde a gradua\u00e7\u00e3o, conclu\u00edda em 2006. Recentemente, ele foi apontado como um dos 21 pesquisadores altamente citados na lista elaborada pela empresa brit\u00e2nica Clarivate Analytics. \u201cA restaura\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 uma \u00e1rea nova, que atrai muita aten\u00e7\u00e3o em tempos de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A situa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds \u00e9 preocupante. A Mata Atl\u00e2ntica vem sendo destru\u00edda desde a chegada dos portugueses no s\u00e9culo XVI e hoje seus resqu\u00edcios s\u00e3o ilhas isoladas em meio a \u00e1reas agr\u00edcolas. O Cerrado tamb\u00e9m possui n\u00edveis significativos de desmatamento e est\u00e1 mais quente, seco e propenso a grandes queimadas\u201d, alerta o especialista. \u201cO mais gratificante nessa profiss\u00e3o \u00e9 ver uma \u00e1rea degradada ganhar vida, \u00e9 sentir que o trabalho est\u00e1 contribuindo para deixar um legado para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p><b>Sobre o RCGI<\/b>\u00a0\u2013 O Centro de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o em Gases de Efeito Estufa (RCGI) \u00e9 um Centro de Pesquisa em Engenharia, criado em 2015, com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e da Shell. As pesquisas do RCGI s\u00e3o focadas em inova\u00e7\u00f5es que possibilitem ao Brasil atingir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, no \u00e2mbito das NDCs \u2013 Nationally Determined Contributions. Os projetos de pesquisa \u2013 19, no total \u2013 est\u00e3o ancorados em cinco programas: NBS (Nature Based Solutions); CCU (Carbon Capture and Utilization); BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage); GHG (Greenhouse Gases) e Advocacy. Atualmente, o centro conta com cerca de 400 pesquisadores. Saiba mais\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rcgi.poli.usp.br\/pt-br\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Jornal da USP<\/p>\n<p>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo vai durar cinco anos e re\u00fane uma equipe transdisciplinar composta de nove cientistas de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa situadas no Brasil, Fran\u00e7a e Inglaterra. A restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas \u00e9 apontada como uma boa alternativa para sequestrar carbono e mitigar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa na atmosfera. 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