{"id":1613,"date":"2022-07-30T18:43:01","date_gmt":"2022-07-30T21:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/?p=1613"},"modified":"2022-08-29T11:34:40","modified_gmt":"2022-08-29T14:34:40","slug":"paulo-artaxo-aborda-o-papel-do-brasil-nas-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/2022\/07\/30\/paulo-artaxo-aborda-o-papel-do-brasil-nas-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Paulo Artaxo aborda o papel do Brasil nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-description-box\">\n<p class=\"post-description\"><a href=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/imagem_2607221658875361-1-e1659218447448.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1623 alignnone\" src=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/imagem_2607221658875361-1-e1659218447448.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/imagem_2607221658875361-1-e1659218447448.jpg 1000w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/imagem_2607221658875361-1-e1659218447448-300x157.jpg 300w, https:\/\/cienciasbahia.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/imagem_2607221658875361-1-e1659218447448-768x401.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"post-description\">O acad\u00eamico proferiu palestra na 74\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC.<\/p>\n<\/div>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o inequ\u00edvocas e s\u00f3 temos uma breve janela de oportunidade para garantir um futuro habit\u00e1vel. Foi com essa mensagem que o membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) <a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/paulo-eduardo-artaxo-netto\/\">Paulo Artaxo<\/a>\u00a0iniciou sua confer\u00eancia Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, seus Impactos no Brasil e a Constru\u00e7\u00e3o de uma Sociedade Sustent\u00e1vel, no segundo dia da 74\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC, sediada na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Artaxo foi apresentado pelo tamb\u00e9m Acad\u00eamico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/membro\/ricardo-magnus-osorio-galvao\/\">Ricardo Galv\u00e3o<\/a>, que ganhou notoriedade por sua defesa da independ\u00eancia cient\u00edfica contra ataques do governo federal quando era diretor do INPE.<\/p>\n<p><strong>O CEN\u00c1RIO ATUAL<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de a ci\u00eancia j\u00e1 alertar para a altera\u00e7\u00e3o do clima h\u00e1 mais de 50 anos \u2013 ou mais de 100 anos, se considerarmos os trabalhos do sueco Svante Arrhenius, que em 1896 j\u00e1 indicavam que o mundo poderia se aquecer em at\u00e9 5\u00b0C \u2013, quase nada de concreto foi feito. Mesmo com o Acordo de Paris e a redu\u00e7\u00e3o das atividades humanas durante a pandemia, o mais recente relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) mostra que as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (GEE) continuam aumentando a uma taxa de 4% ao ano. \u201cH\u00e1 menos que zeremos muito rapidamente as emiss\u00f5es, limitar o aquecimento a 2\u00b0C ser\u00e1 imposs\u00edvel\u201d, lamentou Artaxo, que disse j\u00e1 considerar metas abaixo dos 1,5\u00b0C como irrealistas no presente cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo o Acad\u00eamico, que participou da elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, o mundo caminha para ficar em m\u00e9dia 3,2\u00b0C mais quente, isso se cumprir com o acordado na COP-26. \u201cMas esse \u00e9 um cen\u00e1rio otimista\u201d, lembrou, \u201co caminho atual est\u00e1 nos levando a um aquecimento entre 3,7\u00b0C e 4,3\u00b0C, em m\u00e9dia, comparado com antes da revolu\u00e7\u00e3o industrial\u201d. \u00c9 importante lembrar que uma eleva\u00e7\u00e3o de 3,2 \u00b0C global significa um aumento de 4,2\u00b0C nos continentes e de 5,6\u00b0C nas grandes cidades. \u201cO mundo se tornar\u00e1 um lugar pior para se viver\u201d, resumiu Artaxo.<\/p>\n<p><strong>BRASIL E AS MUDAN\u00c7AS CLIM\u00c1TICAS<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil \u00e9 o sexto pa\u00eds que mais emite gases do efeito estufa e o quarto maior emissor hist\u00f3rico. Por ser tropical, os efeitos do aquecimento tendem a se exacerbar, com graves consequ\u00eancias sociais e econ\u00f4micas. As hidrel\u00e9tricas brasileiras podem ser gravemente afetadas pela altera\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica das chuvas, e o aumento das secas e o ressecamento do solo representam uma grave amea\u00e7a ao agroneg\u00f3cio. Al\u00e9m disso, algumas regi\u00f5es podem sofrer de forma ainda maior. \u201cO semi\u00e1rido nordestino pode se tornar \u00e1rido\u201d, afirmou Artaxo, \u201cimaginem a crise migrat\u00f3ria que isso geraria\u201d. Outro problema est\u00e1 na Amaz\u00f4nia. Com o aumento da temperatura e a queda na precipita\u00e7\u00e3o, algumas regi\u00f5es ao leste da floresta j\u00e1 est\u00e3o deixando de ser sumidouros de carbono para se tornarem fontes de emiss\u00e3o, e o bioma corre o risco de entrar num ciclo vicioso de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A floresta \u00e9 ponto chave da quest\u00e3o clim\u00e1tica, e, nas palavras do Acad\u00eamico, \u201cnossa maior responsabilidade no momento\u201d. Estima-se que 44% das emiss\u00f5es brasileiras venham do desmatamento, que j\u00e1 atinge quase 20% da \u00e1rea total Amaz\u00f4nica. Na COP-26 o pa\u00eds se comprometeu a zerar a derrubada at\u00e9 2028, e Artaxo garante que, com governan\u00e7a s\u00e9ria e empenhada, essa meta \u00e9 absolutamente fact\u00edvel. \u201cNenhum outro pa\u00eds no mundo tem potencial para reduzir tanto suas emiss\u00f5es em t\u00e3o pouco tempo, e com enormes benef\u00edcios ambientais\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Manter a floresta em p\u00e9 \u00e9 uma enorme vantagem estrat\u00e9gica brasileira, que pode gerar inclusive ganhos econ\u00f4micos atrav\u00e9s do mercado de carbono. O potencial energ\u00e9tico e\u00f3lico e solar, sobretudo do Nordeste, \u00e9 outra capacidade ainda pouco explorada. O pre\u00e7o dessas tecnologias caiu exponencialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e pa\u00edses com menores incid\u00eancias de luz solar e ventos j\u00e1 est\u00e3o \u00e0 frente do Brasil nessa \u00e1rea. \u201cN\u00e3o \u00e9 mais uma quest\u00e3o econ\u00f4mica ou tecnol\u00f3gica, mas de vontade pol\u00edtica\u201d, alertou o Acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>EVENTOS CLIM\u00c1TICOS EXTREMOS<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, o mundo vem acompanhando os efeitos de uma onda de calor extremo que atinge a Europa, causando inc\u00eandios de grande extens\u00e3o na Espanha e um n\u00famero extraordin\u00e1rio de mortes na Inglaterra. Trag\u00e9dias como essa est\u00e3o se tornando cada vez mais comuns no mundo inteiro, e s\u00e3o diretamente relacionadas ao aquecimento do planeta. \u201cDado um aumento de 4\u00b0C na temperatura continental, estima-se que eventos clim\u00e1ticos extremos se tornem trinta e nove vezes mais frequentes e cinco vezes mais intensos\u201d, alertou Artaxo.<\/p>\n<p>Popula\u00e7\u00f5es de baixa renda s\u00e3o historicamente mais afetadas por esse problema, o que gera uma cruel contradi\u00e7\u00e3o. Enquanto os 10% mais ricos s\u00e3o respons\u00e1veis por metade das emiss\u00f5es de efeito estufa, os 50% mais pobres respondem por apenas 10% das emiss\u00f5es. \u201cN\u00e3o podemos aceitar que quem n\u00e3o causou o problema pague o pre\u00e7o\u201d, resumiu o Acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>OBJETIVOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n<p>Para Artaxo, o principal objetivo do planeta a curto prazo deve ser o cumprimento dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), estabelecidos pela ONU para guiar os esfor\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o do futuro. O combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 o objetivo n\u00famero 13, mas as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias perpassam todos os outros, desde a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza at\u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e a garantia de direitos b\u00e1sicos para todas as pessoas.<\/p>\n<p>O Acad\u00eamico defende que a sociedade humana precisa passar por seis grandes transforma\u00e7\u00f5es: transi\u00e7\u00e3o para um consumo sustent\u00e1vel, expans\u00e3o do acesso \u00e0s tecnologias digitais, descarboniza\u00e7\u00e3o da energia, planejamento de cidades sustent\u00e1veis, equil\u00edbrio entre produ\u00e7\u00e3o de alimentos e uso de terras e universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o humana. \u201cA ci\u00eancia vem cumprindo seu papel, que \u00e9 encontrar pontes entre as necessidades b\u00e1sicas da humanidade e os limites do planeta\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>Fonte: Marcos Torres para a Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/p>\n<p>Foto: Jardel Rodrigues\/SBPC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acad\u00eamico proferiu palestra na 74\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC. 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